O efeito psicológico do Medium
Você conhece alguém que costuma mandar e-mails para si mesmo? Ouvi isso de um teólogo, método por ele praticado para dar um descarrego na mente. Serve para controlar os nervos das besteiras que ouve, aliviar a tensão por intermediar problemas das pessoas que o procuram ou dar aquela resposta que preferiu engolir para conservar os dentes. Fiz uso do método.
O Brasil ferve e parece que as eleições não acabaram. Só falta criar um terceiro turno, um tira teima ou uma repescagem para conferir se o resultado foi este mesmo, como bem propôs um amigo. As redes sociais andam empesteadas de comentários sórdidos, esvaziados de valor em meio a pobres palpites.
Pelo impulso, a vontade é responder a todos os comentários no Facebook — pelo menos existe o terapêutico like para aliviar a tensão. Mas, fazer isso seria cair na vala dos comuns ao escrever um post-messiânico-para-acabar-com-a-ignorância-alheia.
Mesmo assim, produzi um texto no calor da emoção. Depois de um longo dia de pesquisas e edição, percebi: havia surtido efeito, não precisa postá-lo. O exercício ajudou-me a analisar as gazetas do dia e fazer um balanço.
O Medium me salvou: evitou meu deslize, acalmou minhas emoções, colocou meus pensamentos em ordem. Serviu também verificar minha gaveta de rascunhos. Descobri que inconsciente estava valendo-me da prática ao perceber a quantidade de textos que nunca serão publicados. Estão lá, sempre os releio, sempre acrescento ou tiro algo.
Enfim, recomendo a prática, mesmo sem saber se terá o mesmo efeito em você.
Responder a um tolo é igualar-se a ele e achar métodos para livrar-se do ato falho é uma boa válvula de escape.
Acabei de receber um outro e-mail.
Veio de mim mesmo.