Orange is the New Black | 2ª temporada perde o ritmo, mas apresenta bons momentos
Série fecha arco com protagonista ofuscada
Em um dos episódios desta segunda temporada de Orange is the new Black, uma das detentas tenta explicar por qual local, na vagina, a mulher urina. Umas dizem que é o mesmo lugar que ocorre o ato sexual, outras não sabiam. Com a orientação da transexual Sophia Burset (Laverne Cox), elas recorrem a um espelhinho. E a mágica acontece. Essa cena serve como uma metáfora do que é o seriado. Mulheres se descobrindo enquanto uma se apoia à outra.
Pouco importa o crime que as personagens principais cometeram. Todas ali estão juntas e agora precisam superar seus próprios limites e enfrentar seus fantasmas. Nessa nova safra de episódios da série da Netflix, Piper Chapman (Taylor Schilling) foi deixada de escanteio e o resto do elenco apareceu e brilhou.
O principal arco foi das veteranas Kate Mulgrew e Lorraine Toussaint, que interpretam a russa Red e a traficante Vee. Elas travaram uma guerra que estava adormecida por anos. Para o front de batalha, elas recrutaram seus soldados e partiram para a luta. Começando com fofocas e intrigas, logo a briga entre elas culminou em morte. Outros assuntos abordados no meio foram: o ativismo de duas detentas, a novata Brook Soso (Kimiko Glenn) e a freira Jane Ingalls (Beth Fowler); a carência da querida e sofrida Suzanne “Crazy Eyes” Warren (Uzo Aduba); a vida da nova cozinheira Gloria Mendoza (Selenis Leyva) no centro da guerra (como um país) e a gravidez da Dayanara “Daya” Diaz (Dascha Polanco) com o policial que finalmente tomou novos caminhos.
Um dos grandes momentos da temporada mostraram flashbacks dos personagens Lorna Morello (Yael Stone) e Poussey Washington (Samira Wiley). Uma sofreu por saber que o ex-noivo casou — inclusive chegou a “visitar” sua antiga casa — , enquanto a outra perdeu a grande amiga Tasha “Taystee” Jefferson (Danielle Brooks) para a gangue de Vee. Outros bons momentos tiveram os funcionários como foco, desde a solidão e boa vontade de Sam Healy (Michael J. Harney) até o declínio da chefe Natalie “Fig” Figueroa (Alysia Reiner).
Quem ficou de lado foi a protagonista. Piper apareceu em alguns poucos episódios como principal. Começou sendo transferida para Chicago para responder em seu julgamento. Acabou sendo “traída” pela ex-namorada Alex Vause (Laura Prepon) — que fez apenas participações. Em outro momento de destaque, Piper conseguiu a liberdade por dois dias para ir ao enterro da avó. Viu que sua casa está de cabeça pra baixo — com direito ao casamento surpresa do irmão no velório. Sua vida amorosa também declinou com Larry (Jason Biggs) ficando com sua amiga. Talvez com Alex de volta à cadeia, Piper tenha novos dilemas para enfrentar.
Foi uma temporada um tanto arrastada. O excesso de personagens e núcleos pesou, por vezes nos fazendo “perder” a protagonista. Por outro lado, pode-se entender que Piper não merece tanto destaque assim, afinal, depois de uma temporada procurando se encaixar e entender o ambiente, ela agora é só mais uma ali. Piper foi engolida pelo mundo laranja.
Orange is the new Black, infelizmente, perdeu o frescor apresentado na primeira temporada e se viu andando em círculos com alguns dramas. Não teve muito suspense, nem reviravoltas, apenas a trama sendo conduzida de forma direta. Por sorte do espectador as mulheres que estão ali se descobrindo, são interpretadas por grandes atrizes e trocam diálogos ácidos e vorazes. Mas até quando elas vão segurar o fôlego pela série?