São Paulo mon amour

Como fala engraçado essa gente de São Paulo de Piratininga



Moro em São Paulo desde os dezesseis anos. Mudei para cá vindo direto de uma cidade de doze mil habitantes no interior do Nordeste. À época eu sentia que havia trocado de país e mantido apenas o idioma com ressalvas. Meu filho nasceu em São Paulo e para não alongar demais, é importante dizer: adoro São Paulo, minha cidade escolhida.

O povo paulistano é extremamente generoso, educado e por gostar demais desta gente é que não consigo deixar de observar e implicar com alguns hábitos e manias que eles têm e que às vezes acho engraçado. Noutros momentos penso só ser estranho mesmo.

A saber:

1 — Paulistanos não falam ‘às segundas’, mas de segunda o que transforma frases banais em cômicas.

2 — Mesmo tendo o número do assento marcado no ingresso, paulistano não controla seu impulso involuntário de entrar na fila. Nunca compreenderei esta ansiedade desenfreada.

3 — Independente do grau de instrução, condição social, posição que ocupa, o povo daqui é singular. Aquela velha piada do um chops e dois pastel é a pura verdade e por isto mesmo um clássico. E não adianta argumentar que eles retrucarão em dois palito.

4 — O subjuntivo (pobre coitado!) aqui nas terras de Piratininga é mais judiado que os rios Pinheiros e Tietê juntos. Quer que eu explicO, mano?

5 — Demora-se um tempo até se entender por que a palvra Tatuapé no falar paulistano tem a força da pronúncia estranhamente deslocada para a sílaba TA, conferindo um ar proparoxítono ao prosaico o oxítono bairro.

6 — Aqui não se diz ‘neste sentido/direção’ mas de assim; de cabeça para baixo vira de ponta cabeça; picolé é sorvete de palito (!); biscoito é bolacha e se você não pronuncia ceeeintro, apartameeeinto, não pontua as frases com tipo e nem as começa com um sonoro entãaao, desculpa aí, meu, mas ou você não está entendeeeindo ou, ao contrário dos paulistanos, você tem sotaque.

Como bem disse João Gilberto: “Adoro São Paulo. São Paulo my love!”