Escolarize-se!

Sem você, o seu currículo não vale nada!

Imagem:Yandel

Você tem diploma? Eu não. Não que eu nunca tenha cursado uma Universidade na vida, muito pelo contrário. Foram duas. As tentativas.
Na primeira, um curso de gestão em Call Center patrocinado pela empresa de (adivinha!) Call Center na qual eu trabalhava. Minha função: aplicar treinamentos de qualidade no atendimento pra esses profissionais e creiam, era muito pior sem as redes sociais e a internet.

Olá Sr. Fulano, boa tarde! Em que posso ajudar?
Mas eu não queria ser gerente de uma central atendimento. Queria mesmo era jogar uma bomba em todas elas.

Foi nessa pegada à moda Bin Laden que joguei tudo pro alto. Pedi demissão e troquei de faculdade. Matriculei-me em um curso de Rádio e TV, com o objetivo de trabalhar na TV Cultura. Um sonho de infância ❤.
Passei pela emissora como estagiária e dei beijinhos na cobra Celeste muito antes de todos vocês. Foram nove meses de estágio e durante esse período, em meio à greves e tudo o mais, diversas produções internas da casa foram encerradas ou terceirizadas. Frente ao óbvio eu refletia: já não era mais a mesma emissora.

Tranquei a faculdade umas três vezes e depois de passar por mais duas grandes emissoras de TV, descobri que reunião de pauta do programa do Gugu não era lugar pra mim. Desiludida com o radialismo, entrei de cabeça na publicidade. Cinco anos de burocracias acadêmicas e um TCC não entregue. Não sobrava tempo. Trabalhar e aprender trabalhando, passou a ser muito mais gratificante e ainda por cima pagava minhas contas.

A coisa mais importante que aprendi com as duas faculdades que tentei cursar: eu simplesmente não deveria precisar delas.


Sugata Mitra


O que pode ser substituído por uma máquina deve ser substituído.




A índia é referência no mercado de TI. A velocidade de pensamento desse povo está anos luz do nosso atual serviço de banda larga. Foi observando a facilidade com que os filhos de seus funcionários se relacionavam com a internet através dos mais diversos gadgets que Sumara Mitra, empresário indiano da área de TI, passou a questionar se tal genialidade era restrita àquele grupo de pessoas ou se ela é inerente a qualquer ser humano.

“Entre 1999 e 2001, na Índia, havia muitas crianças sem acesso a computadores, e quase nenhum professor para ensinar informática".

Sem saber ao certo o que estava fazendo, Mitra decidiu testar a capacidade dessas crianças instalando um computador no meio de uma favela indiana. A máquina permaneceu lá sem ninguém para orientar o uso, composta por teclado, um buscador open source e um sistema de monitoramento pelo qual ele acompanhava remotamente todas as atividades da máquina. Para garatir que apenas crianças navegassem, ele restringiu o acesso ao mouse, prendendo-o em uma caixa com uma abertura por onde só passavam mãos pequenas. Ao repetir a experiência em uma comunidade ainda mais isolada, outra surpresa: após dois meses as crianças queriam um processador mais rápido e um mouse melhor. Como elas sabiam de tudo isso?

“Crianças que não sabiam inglês estavam surfando na web, ensinando umas às outras”
“Você nos deu uma máquina que só funciona em inglês, então tivemos que aprender inglês pra poder usá-la.”

Milhares de crianças, através das metodologias criadas por Mitra, não só aprenderam sozinhas a falar inglês, como aprenderam biotecnologia, filosofia, conceitos de trigonometria… Hoje, o projeto Hole in the wall, está presente nos mais diferentes lugares do mundo permitindo que qualquer criança aprenda “sozinha” sobre qualquer coisa.

“O futuro da educação está na auto-educação. O emprego dos professores não seria ameaçado. Seria diferente.” Sugata Mitra

Não deixe de assistir a palestra dele no TED, nela você vai entender de onde vieram os nossos modelos educacionais e porque eles estão completamente obsoletos.


O melhor jeito de aprender.
O seu.


“Duas pessoas não aprendem da mesma forma.”

Foi dessa máxima que nasceu a Geekie, plataforma educacional que promove o conceito de aprendizado adaptativo. Criada pelos amigos Claudio Sassaki e Samara Werner a solução propõe que fundamentos do ambiente escolar sejam invertidos. Ou seja, ao invés de o aluno se adaptar à grade currícular é a grade curricular que se molda ao perfil do aluno.

Num painel administrativo adaptado o aluno, pais e professores conseguem acompanhar e analisar a evolução do desempenho e em quais pontos aquele aluno deve se aplicar mais e/ou receber suporte criativo e incentivo para atingir seus objetivos.

Alguém dá me passa o endereço do Bruno? Queria pedir um autógrafo pra ele.

Em outras palavras: Quer ser médico? Vai estudar um pouco mais de biologia, receber um reforço em matemática porque o vestibular de medicina é um dos mais concorridos. E, não. Professores não estarão preocupados se o camarada não fala demais, não sabe desenhar ou não copiou toda a matéria da lousa.


“Lixo que entra é lixo que sai.”

Austin Kleon


Mas e aquele papo todo lá do início, não precisamos mais de universidades?

Não mesmo. Principalmente no formato em que ela se apresenta hoje. Acredito que o que precisamos é de educação e não da embalagem que vem com ela. Durante vários semestres tive o equivalente a um mês de aula e quatro meses de ociosidade. O assunto roteiro não rende mais que um mês, e o resto é prática, no mercado de trabalho com briefings reais e com orçamentos e prazos apertados.

Pixação em muro na Argentina

Eu era bolsista em uma caríssima universidade particular. Se eu tivesse que pagar, com certeza não estaria alí. Estaria fazendo outros cursos. Montando minha própria grade curricular de coisas da vida. Mais ou menos o que eu faço hoje e exatamente o que defende os projetos que citei aqui.

Como uma espécie de máfia, as instituições acadêmicas lucram com a ociosidade de seus alunos e da dependência do diploma para o mercado de trabalho, acomodadas em suas grades curriculares engessadas e em seu modelo de negócio aprisionante e altamente lucrativo.

O indivíduo fica quatro anos estudando um assunto. Chega no mercado de trabalho percebe, em menos de um ano, que está desatualizado. Então vem a Pós, o MBA, a Especialização. Lixo que entra é lixo que sai. Uma formação sintética realmente tem levado pessoas pra onde elas almejam estar? Escuto a mesmas reclamação até mesmo de profissionais das áreas mais necessárias como medicina, matemática, tecnologia. Nosso sistema educacional é opressor e obsoleto. Pra quem estuda e pra quem ensina.

As pessoas deveriam ter o direito de se diplomar (leia diplomar como o ato de validar seu interesse em algum assunto, bem como o tempo dedicado a ele) no que elas bem entendessem de uma forma mais flexível e menos mercenária.

“Fosse ou não à escola, eu sempre estudava.”

Essa é uma foto que tirei do livro Roube como um artista. Toda uma vida espelhada nessa página. Me peguei refletindo sobre como um modelo de educção digamos, mais honesto, está acessível pra mim hoje, do que há dez anos atrás. Seja pela internet ou redes sociais, como as crianças do indiano ou como os estudantes do Geekie, eu pude aprender todo tipo de coisas pelas quais eu tive um real interesse.

Pessoas que eu nunca vi na vida conversam comigo e me ensinam coisas muito úteis. Monto minha própria grade curricular decidindo eu mesma que profissional merece ser pago pra me ensinar algo. Sem interlocutores e por meio de plataformas com valores semelhantes eu bebo direto na fonte do conhecimento, que hoje está alí (ou aqui?) ao alcance das mãos. Participo de projetos colaborativos, faço amigos e parceiros de trabalho.

Longe de mim dizer que alguém não deva estudar, muito pelo contrário. Eu amo estudar, mas não há nada nesse mundo que me prenda novamente em uma sala de aula com 20% de conteúdo e 80% de dispersão.

Uma coisa é fato:

“Sem você, o seu currículo não vale nada!

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