O que você gostaria de perguntar a um investidor de capital de risco?

Textos sobre o mercado de venture capital escritos por quem atua na indústria

Muito tempo atrás (2003), num lugar muito distante (Recife), montei junto com alguns outros intrépidos cavalheiros, uma startup que desenvolvia jogos para celular (Meantime Games). Como não tínhamos dinheiro para iniciar a empresa, tivemos que buscar um investidor e, depois de uma longa jornada, cruzando picos e vales das planilhas financeiras e tendo que lutar com monstros e dragões da concorrência que povoava o nosso plano de negócios, ganhamos a batalha e recebemos investimento da FIR Capital. E, assim, este foi o meu primeiro contato com a indústria de capital de risco do Brasil. Desde então, tenho atuado nesta indústria, primeiro do lado do empreendedor e depois como investidor.

Na Meantime, fui sócio do CESAR — Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife e tive o prazer de conviver de perto com pessoas como Silvio Meira e Geber Ramalho, o que certamente fez com que minha visão sobre empreendedorismo e inovação se ampliasse bastante. Além disso, ter recebido investimento da FIR Capital e ter convivido com Marcus Regueira e sua equipe foi fundamental para que eu começasse a entender sobre o funcionamento da indústria de capital de risco aqui no País.

Em 2008, após ter fechado o meu ciclo na Meantime, comecei a pensar em um novo empreendimento. Um belo dia, lendo o jornal, vi uma notícia que falava sobre o início da operação do Fundo Criatec 1. Por coincidência, um velho amigo, José Arnaldo Deutscher, participava da gestão deste Fundo e estava citado na notícia. Eu havia conhecido José Arnaldo em 2003, quando precisei contratar um consultor para me ajudar a elaborar o plano de negócios da Meantime que, posteriormente, seria enviado para a FIR Capital.

Na ocasião, enviei um e-mail para ele dando os parabéns pelo novo projeto e ele respondeu dizendo que estava procurando uma pessoa para tocar a operação do Fundo Criatec 1 em Pernambuco. A partir daí, depois de algumas entrevistas com a equipe de gestão e os quotistas do fundo, tornei-me gestor regional do Criatec 1. Desta forma, passei a atuar do outro lado da mesa da indústria de capital de risco, a dos investidores. Ainda em 2008, prospectei, analisei e estruturei o primeiro investimento do Fundo Criatec 1 em Pernambuco.

De 2008 a 2012 foram centenas de planos de negócios analisados e cinco investimentos efetivados em empresas pernambucanas. Graças a essa experiência no Criatec 1, convivi com nomes relevantes no ecossistema de investimento em startups no Brasil, tais quais Filipe Matos, Gustavo Junqueira, Robertt Binder, Francisco Jardim, meus sócios Eric Ribeiro e Reinaldo Coelho, entre outros.

No meio do caminho, em 2010, resolvi fazer mestrado em Administração de Empresas com o Prof. Walter Moraes, uma das referências em estratégia empresarial no País. No início, eu pensava em escrever algo relacionado com o contraste entre duas grandes correntes de pensamento estratégico que tentam explicar o sucesso das empresas: a escola de Porter e a Visão Baseada em Recursos (Resource-based View). Com o passar do tempo, percebi que poderia direcionar minha dissertação para algum assunto que contribuísse com a indústria de capital de risco. Então, acabei mudando radicalmente o rumo de minha pesquisa, focando numa análise sobre a demanda por investimentos de venture capital no Brasil.

Para esta análise, utilizei os mais de 1.000 planos de negócios que haviam sido enviados para o Fundo Criatec 1 até de dezembro de 2009. Com isso, espero ter ajudado gestores de fundos de investimento, formuladores de políticas públicas voltadas para o setor e, sobretudo, empreendedores interessados em investimento de capital de risco. Defendi meu mestrado em meados de 2010, tendo sido aprovado com distinção. Quem tiver interesse em ler a dissertação, basta acessar este link.

Em 2011, junto com outros dois companheiros de jornada no Fundo Criatec 1, comecei a pensar sobre qual seria meu próximo passo na indústria de venture capital nacional. Resolvemos empreender em conjunto. Então, em 2012, a Triaxis Capital foi constituída por meio da associação dos gestores regionais do Fundo Criatec 1 em Minas Gerais (Eric Ribeiro), Santa Catarina (Reinaldo Coelho) e Pernambuco (eu).

Os sócios da Triaxis participaram ativamente da seleção, do processo de investimento e da gestão de 18 das 36 empresas selecionadas pelo Criatec 1 entre os anos de 2007 e 2012. Além da nossa experiência, conseguimos montar uma equipe bastante robusta com a qual convivo e aprendo todos os dias. Nossa equipe pode ser vista aqui.

Em 2013, a Triaxis montou uma joint venture com a Bozano Investimentos e juntos participaram do processo de seleção de gestores para o Fundo Criatec 2 que estava sendo conduzido pelo BNDES. Nossa proposta concorreu com várias outras, sendo a escolhida ao final do processo. Desta forma, em novembro de 2013, iniciamos a cogestão do Criatec 2, que conta com 186 milhões de reais para investir em 36 startups de tecnologia em todo o País. Para saber mais sobre o Fundo Criatec 2, que é o principal fundo de inovação e empreendedorismo em operação no Brasil, basta acessar este link.

A Bozano Investimentos é uma empresa independente de investimentos com, aproximadamente, R$ 3,7 bilhões sob gestão e com profissionais com muita experiência no mercado financeiro. No convívio quase diário com esta equipe, devido às atividades relacionadas ao Criatec 2, estou tendo a oportunidade de interagir e aprender com pessoas como Jonas Gomes, Fernando Wagner e Guilherme Carlos.

Ao longo desta caminhada de mais de 10 anos, pude acumular um bom conhecimento teórico e prático sobre o tema. Analisei centenas de planos de negócios, participei direta ou indiretamente do investimento em dezenas de empresas de tecnologia, atuei no conselho de administração de várias startups, estudei bastante sobre o assunto e convivi com alguns dos protagonistas da indústria de capital de risco no Brasil. Como, neste período, a indústria de capital de risco no Brasil aumentou de tamanho e de importância, cada vez mais pessoas me procuram para tirar dúvidas sobre o assunto.

Assim, conversando com alguns amigos empreendedores, surgiu a ideia de escrever uma série de artigos para passar um pouco da minha experiência como investidor para os interessados pelo assunto. Partindo destas conversas, montei uma lista com alguns dos temas dos artigos que pretendo escrever. São eles:

  • O que é capital de risco?
  • Por que o capital de risco é importante para empresas de tecnologia?
  • Quais são as diferenças entre investimento, empréstimo e subvenção?
  • O que um investidor procura em uma empresa?
  • Quais são os principais instrumentos jurídicos utilizados nos investimentos?
  • Como é feita a avaliação (valuation) de startups?

A lista é grande e não pretendo que pare por aí…

Os textos serão escritos sob a ótica de um investidor que atua no dia a dia da indústria, falando diretamente para os empreendedores. Então, será fundamental a colaboração de vocês com a sugestão de temas e opiniões sobre os artigos para que a experiência seja a mais rica possível.

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