Eleições na França: Incerteza e Apreensão

Faltando cerca de dez dias para a eleição presidencial da Quinta República Francesa, o cenário segue indefinido.

Os cinco principais candidatos à presidência, juntos, para o primeiro debate televisivo. (Foto: Eliot Blondet/AFP)

A eleição presidencial na França nunca recebeu tantos olhos, das mais diferentes partes do mundo. Ela, ao mesmo tempo, é um termômetro para a força da extrema-direita no mundo, a definidora do futuro da União Europeia (e se ela vai continuar existindo ou não) e, é claro, o que vai decidir o futuro da França.

A eleição acontece em meio ao pior momento do governo Hollande, que perdeu o apoio até de seu próprio partido. Isso se deve, principalmente, à reforma trabalhista que ele impôs. Tanto que, nas prévias do seu partido, o Partido Socialista, o seu sucessor (e ex-primeiro-ministro) Manuel Valls perdeu para o mais à esquerda Benoît Hamon.

Em seus anos de governo, a França também sofreu com atentados terroristas – como o contra o jornal satírico Charlie Hebdo, o atentado no teatro Bataclan e o atropelamento de pessoas por um caminhão em Nice – que assustaram a população e deram espaço para o extremismo e o populismo.

Apesar de deixar alguns legados, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, Hollande é, geralmente, avaliado de forma negativa.

Para entender melhor o que pode acontecer com a França e a Europa (além do mundo), confira os candidatos e suas propostas, faltando apenas dez dias para a eleição presidencial:


Marine Le Pen – Frente Nacional (FN)

Marine Le Pen, conversando com jornalista em Beirute, no Líbano, em 20 de março. (Foto: Hussein Malla/ AP)

Em 2010, antes de ser eleita líder de seu partido, Marine Le Pen comparou a imagem de muçulmanos orando na rua com a ocupação nazista alemã na França, durante a Segunda Guerra Mundial. Esse modo irreverente de fala, que lembra nomes como Donald Trump e Jânio Quadros, permanece até hoje.

Marcada pelo discurso anti-imigração e, muitas vezes, alvo de críticas por islamofobia, Marine Le Pen conduziu o seu partido a conquistar ganhos eleitorais grandiosos no final de 2015. E, com o aumento no número de ataques terroristas durante o governo de François Hollande praticados na França, a retórica nacionalista a favor de um maior fechamento das fronteiras ganhou ainda mais força.

Ela promete, por exemplo, expulsar “automaticamente” todos os imigrantes ilegais do país e restringir a imigração legal a apenas 10.000 pessoas por ano. Além disso, a candidata da extrema-direita considera que as “mesquitas extremistas” devam ser fechadas (apesar de acusarem Le Pen de se utilizar de um termo vago, que poderia abrir espaço para uma perseguição religiosa).

Le Pen é, também, uma famosa “eurocética”. Chegou a afirmar, inclusive, que com ela na presidência, “a União Europeia morre”. Por isso, outra de suas promessas de campanha é a realização de um referendo acerca da saída da França do mais importante bloco econômico do mundo. Antes, porém, diz que tentará uma negociação com Bruxelas, a fim de reduzir o papel da UE, acabando com a moeda comum (o Euro) e zonas de livre circulação de pessoas. Já que esses termos dificilmente serão aceitos, caso eleita, o referendo deve acontecer.

Para a economia, além da adoção do protecionismo e a defesa a favor da saída da UE, Le Pen se mostra confusa. Nas eleições de 2012, adotou um discurso mais próximo ao liberal, expressando a necessidade de flexibilização das leis trabalhistas e propondo o aumento da jornada de trabalho de 35 para 39 horas semanais. Agora, em 2017, a deputada defende a permanência das 35 horas semanais e defende a redução da idade mínima de aposentadoria para os 60 anos. Medidas estas que são vistas como populistas. Não é por acaso: Le Pen é a presidenciável favorita dos trabalhadores enfraquecidos e desiludidos desde 2008, setor da população que foi um dos grandes responsáveis pelas vitórias recentes de Trump, nos EUA e do Brexit, no Reino Unido. Ela, na verdade, é a favorita por larga margem de todos os franceses mais desfavorecidos.

Marine Le Pen é eurodeputada desde 2004 e se tornou líder da FN em 2011. Renovou o partido, antes liderado por seu pai, Jean-Marie Le Pen, detentor de afirmações como que o Holocausto “é só um detalhe da História”, buscando atrair judeus e mais indivíduos. No entanto, o anti-semitismo ainda gera polêmica: no dia 11 de abril, a candidata à presidência disse que a França não é responsável por Vél d’Hiv. O episódio – ocorrido durante a ocupação nazista, em 1942 – acarretou na deportação de cerca de 13.000, dentre os quais apenas 300 sobreviveram, para campos de extermínio. Essa fala demonstra que o revisionismo histórico segue no sangue dos Le Pen.

A resposta de seu principal adversário, porém, veio rápida. Para a rede BFM-TV, Emmanuel Macron brevemente constatou:

“Alguns tinham esquecido que Marine Le Pen é a filha de Jean-Marie Le Pen”

As poucas palavras de Macron, no entanto, já dizem muito.

Emmanuel Macron – Em Marcha!

O jovem candidato Macron. (Foto: AFP)

Macron é o mais europeísta dos candidatos à presidência e se apresenta como “centrista”. Aos 39 anos, essa é a primeira eleição que o ex-banqueiro e filósofo participa. Mas como ele está chegando tão longe, e hoje é considerado, talvez, o favorito para a eleição?

Um estudante brilhante que se tornou um banqueiro de investimento, Emmanuel Macron ganhou fama, principalmente, como conselheiro econômico do presidente do Partido Socialista Hollande. Mais tarde, se tornaria seu ministro da economia,em agosto de 2014, cargo que ocupou até agosto de 2016 .

Ele ganhou bastante prestígio com a sua “Lei Macron”, cujo nome oficial é “Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades”, um controverso projeto de lei que, dentre outras medidas, prevê a autorização de trabalho no comércio durante doze domingos por ano (antes eram cinco) e a maior flexibilidade para os “planos sociais” nas empresas (reestruturações). Previa também a privatização de aeroportos franceses, a liberalização do acesso a profissões muito reguladas, como os advogados, notários ou oficiais de justiça e a simplificação da criação de empresas do setor dos transportes coletivos rodoviários que, antes, estavam sujeitas a processos de licenciamentos caros e complexos.

Ao nível laboral, a “Lei Macron”, prevê a simplificação dos procedimentos na resolução de conflitos e flexibiliza os despedimentos. No entanto, na época, a legislação causou muita polêmica, com vários deputados do Partido Socialista – governista – se opondo ao projeto. Assim, a Lei Macron acabou sendo aprovado por decreto, ação tomado pelo então primeiro-ministro, Manuel Valls.

O próprio Macron foi filiado do Partido Socialista por muitos anos. Todavia, ao observar a crescente radicalização dentro da legenda (em oposição ao governo de Hollande), ele nem cogitou se candidatar para as prévias partidárias. Acabou, assim, criando com seus seguidores o “En Marche!”, que se dizia “nem de esquerda nem de direita” em abril de 2016. O partido, aliás, tem esse nome por causa das iniciais de Emannuel Macron.

Com o estabelecimento de sua legenda e o seu desejo de candidatar-se à presidência como concorrente dos socialistas, a sua posição no governo socialista ficou cada vez mais insustentável e teve querenunciae, antes de lançar de facto a sua candidatura presidencial. Logo, tornou-se o favorito dos diplomados, beneficiando-se do escândalo de corrupção que envolveu Fillon e da escolha de Hamon para concorrer pelo Partido Socialista. Além disso, é a opção principal daqueles que defendem a União Europeia e é um outsider que concorre independentemente, sem pertencer aí establishment, em um momento perfeito para isso.

A sua política francamente pró-europeia está fora de moda em muitas partes da França, em especial provincianas. Acabou, por isso, se tornando o candidato dos diplomado e dos meios urbanos, usualmente mais cosmopolitas. Assim, o apoio à política de fronteira aberta da Alemanha para com os refugiados sírios –que ele diz ter “salvado a nossa dignidade coletiva” – acompanhando um sentimento popular de nacionalismo crescente, torna-se o seu trunfo e sua fraqueza ao mesmo tempo.

Porém, Macron se esquiva de fazer promessas de campanha concretas, uma vez que não possui um projeto de governo estabelecido ainda. No entanto, algumas das ideias que ele esboçou em “Révolution”, o livro que publicou no ano passado, são profundamente radicais, certamente para a França. Nele, Macron defende reduzir o nível geral de gastos públicos; ter o Estado assumindo o sistema de benefícios de desemprego do empregador e do sindicato em vigor desde a Segunda Guerra Mundial; e transferir a maioria das negociações sobre as condições de trabalho para as empresas. Ele é liberal, diz ele, “no sentido nórdico”. Só que na, França, ações assim são perigosas.

Mas sua relutância em ser muito preciso fez Macron ser acusado de ambiguidade. Um vídeo famoso na internet francesa, por exemplo, mostra seus apoiadores em Toulon sendo incapazes de responderem sobre quais das suas políticas que eles gostaram mais.

Logo, Macron se viu obrigado a começar a apresentar alguns projetos. Por exemplo, um plano de investimento público de 50 mil milhões de euros, que pagaria a sua proposta de formação profissional, a saída do carvão e a mudança para energias renováveis, investimentos em infra-estruturas e na modernização do país. Ou seja, saindo um pouco do lado liberal, planejando gastar mais para crescer (assim como nomes famosos fazem, de Justin Trudeau a Jesse Klaver, apoiados por economistas do porte de Paul Krugman).

Outros planos incluem o reembolso do custo total de óculos, próteses auditivas e dentaduras, a proibição do uso de celular por menores de 15 anos em escolas e algumas ideias mais liberais, sendo a principal delas um corte expressivo nos impostos de corporações e assegurar uma maior margem de manobra para que as companhias renegociem a semana de 35 horas laborais. Além disso, promete que reduzirá o desemprego para 7% (que hoje está em 9,7%).

Ele pode se tornar o primeiro presidente independente da Quinta República, uma façanha admirável. Mas é bom que Macron preste atenção, pois um candidato da esquerda radical está, cada vez mais, crescendo nas pesquisas eleitorais. Este é Mélenchon, que está com o momentum.

Jean-Luc Mélenchon: Partido da Esquerda

Jean-Luc Melenchon durante discurso em Deols, no dia 2 de abril. (Foto: Deutsche Welle)

Liderando a coalizão “França Insubmissa”, entre o Partido da Esquerda e o Partido Comunista,

“Vocês tem uma opção à extrema direita, que condena nosso grande povo multicolorido a se odiar. E também aos fãs do livre mercado, que transformam sofrimento, miséria e abandono em ouro e dinheiro. Sou eu.”

Mélenchon, de 65 anos, é um político experiente que deixou o Partido Socialista em 2008 para começar o seu próprio projeto. Seu radical programa eleitoral de taxações e gastos públicos inclui um plano de incentivo de 100 bilhões de euros. Além disso, ele quer as reduzir a atual jornada semanal de trabalho, das atuais 35 para 32 horas, e da idade de aposentadoria, para 60 anos. O “comunista” também propõem um aumento do salário mínimo e o reforço da seguridade social, em parte através de impostos progressivos, taxando em 100% todo rendimento acima de 33 mil euros mensais. Ele promete, ainda, abandonar a energia nuclear, responsável por cerca de 75% da eletricidade nacional, assim como re-estatizar o grupo nacional de energia EDF, parcialmente privatizado.

No entanto, a sua política externa é a que chama mais atenção. Um grande admirador dos regimes bolivarianos da América Latina – sendo inclusive chamado de “Chávez Francês” pelo jornal de centro-direira “Le Fígaro” – Mélenchon promete retirar a França da Organização do Tratado do Atlântico Norte (a OTAN), acordo militar entre as potências europeias e os Estados Unidos, e da União Europeia. Além disso, demonstra apoio ao presidente russo Vladimir Putin, apoiando a intervenção do mesmo na Ucrânia e na Síria. Ou seja: ele se aproxima um pouco de Marine Le Pen, uma prova inequívoca de que a extrema-esquerda e a extrema-direita acabam se entendendo em alguns pontos. Apesar de, ao contrário dela, dizer apoiar a imigração.

A sua campanha ganha cada vez mais força, e ele já empatou com o candidato François Fillon, segundo algumas pesquisas mais recentes. Se antes a campanha de Mélenchon só ganhava a imprensa quando, por exemplo, usou um holograma para discursar ao mesmo tempo em Marseille e Paris, agora a mídia noticia o fato de que ele pode surpreender e chegar ao segundo turno. Com um discuso anti-austeridade, mas com, simultaneamente, semelhanças com Le Pen, Mélenchon também representaria a morte da União Europeia. Aliás, no último debate televisivo, os franceses consideraram que ele foi o grande vencedor. Uma surpresa pode estar a caminho…

François Fillon – Os Republicanos

Fillon discursando em campanha. (Foto: Bertand Guay/AFP)

Fillon é o candidato do tradicional partido da centro-direita, que outrora ocupou a cadeira presidencial com Nicolás Sarkozy. Quando ganhou as prévias partidárias – fazendo uso de uma retórica extremamente liberal, chamada inclusive de “tatcherista”, em alusão à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher – tornou-se imediatamente favorito para a disputa presidencial. Alguns, inclusive, já imaginavam prematuramente um segundo turno entre Fillon e Le Pen. Enquanto isso, ele prometia dispensar 500.000 funcionários públicos e radicalizar a reforma trabalhista do país.

No entanto, a sua candidatura perdeu muita força por uma suspeita de corrupção. Os 831.000 euros que a sua esposa, Penelope, recebeu como a sua “assistente parlamentar” e de seu suplente, além de 84.000 euros dados aos seus filhos também como “assistentes parlamentares”. A teoria é de que ele empregava, ficticiamente, seus familiares. Logo, outros escândalos de corrupção foram surgindo, apesar de também ainda não comprovados.

Dessa forma, Fillon perdeu bastante apoio. Contudo, passadas algumas semanas desse acontecimento, o seu número nas pesquisas eleitorais está finalmente se estabilizando, mostrando que o candidato tem alguma resiliência às acusações. Seu projeto de governo inclui a promessa de desmantelar meio milhão de postos de trabalho do setor público, garantir as 35 horas por semana de trabalho, acabar com o imposto sobre grandes fortunas (ISF). Além disso, seu conservadorismo moral o faz dizer que dará subsídios para pais que concordem com um contrato de “responsabilidade parental”, no qual os mesmos teriam que se comprometer a, por exemplo, fazer seus filhos respeitar “os valores franceses” e é apoiado por uma coalizão católica formada para se opor à lei de Hollande que garantiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Apesar de ser favorável à manutenção da França na União Europeia, Fillon diz ser necessária “mais soberania política” para o seu país, defendendo reformas como, por exemplo, expulsar do Espaço Schengen (pelo qual circulam pessoas livremente na Europa) todos os estrangeiros que cometam delitos. Ele, internacionalmente, se aproxima mais de Le Pen e Mélechon do que do posicionamento pró-Estado Unidos de Macron: defende uma aliança com Assad, na Síria, para combater o autodenominado Estado Islâmico e que as sanções da UE contra a Rússia sejam retiradas. Entretanto, são as suas posições favoráveis ao neoliberalismo que rendem mais críticas vindas de Benoît Hamon.

Benoît Hamon – Partido Socialista

Hamon, segurando uma rosa, reagindo ao resultado parcial das prévias partidárias. (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

Assim como Fillon, Hamon representa o establishment da política francesa. Apesar do Partido Socialista ser, atualmente, governista, Hamon em muito se diferencia do atual presidente Hollande. O candidato do PS para 2017 pertence a uma aula mais radicalizada da legenda, tendo ganho as prévias com base em sua defesa de uma renda universal básica.

Tendo ganho o apelido de “Bernie Sanders da França”, o esquerdista tem tido dificuldades na corrida eleitoral. Isso se deve tanto ao desprestígio do Partido Socialista em decorrência do fim do mandato de Hollande, mas também porque Mélenchon – ainda mais radicalizado – está “roubando” os votos que tradicionalmente são depositados nas urnas em favor do PS.

O ex-ministro da Educação, que deixou o governo de François Hollande em 2014 – descontente com o que chamou de “guinada liberal” do Executivo socialista – também defende a criação de um imposto sobre a utilização de robôs como mão de obra. Hamon promete também legalizar a maconha para fins recreativos, acabar com a energia nuclear até 2050 e fazer a energia renovável representar 50% da matriz energética da França já em 2025. Outras medidas de esquerda, como acabar com uma lei de 2016 que facilita a contratação e a demissão de trabalhadores, bem como o aumento dos gastos com desempregados, também são mencionadas em seu plano de governo. Hamon, em relação à União Europeia, a critica por “difundir o neoliberalismo” e defende reformas na mesma.

Assim, o ex-ministro apresenta um sólido projeto de governança em um momento errado, de desconfiança perante e estabelecimento e radicalização. Se por um lado isso permitiu que Hamon vencesse as prévias partidárias, por outro, o fazem ter mais concorrenter ao pleito.


O que Esperar?

Ainda no início da campanha presidencial, Le Pen liderava as pesquisas eleitorais com folga e Fillon era o favorito para enfrentá-la em um eventual – e provável – segundo turno. Contudo, com o passar do tempo e a eclosão do escândalo envolvendo o líder da centro-direita, o seu nome foi perdendo cada vez mais força. Em seu lugar, quem cresceu foi Emmanuel Macron – o centrista e europeísta – que passou a contar com um percentual cada vez maior dos eleitores franceses. Até, enfim, chegar inclusive a empatar com Le Pen na ponta das pesquisas eleitorais francesas.

Contudo, nos últimos dias, Macron parece ter empacado, tendo que assistir à ascensão meteórica de Mélenchon, que, inclusive, já ultrapassou Fillon. Este último, aliás, parece ter finalmente encontrado uma maneira de não perder mais votos, mostrando uma certa resistência às acusações de corrupção.

O crescimento do candidato de extrema-esquerda nas pesquisas impressiona e, ao mesmo tempo, assusta os investidores. É um alerta vermelho para a União Europeia, que depende da França – e, neste momento, de uma vitória de Macron – para se manter viva, ou pelo menos relevante.

Uma pesquisa recente da Elabe mostra Macron na liderança com 23,5% das intenções de voto, seguido de Le Pen com 22,5%, François Fillon com 20% e Mélenchon com 18,5%. Hamon corre por fora, tendo 9% da preferência eleitoral. O levantamento foi feito entre os dias 11 e 12 de abril e consultou 1010 pessoas. Já outra pesquisa, feita entre o dia 10 e 13 de abril e com 2800 pessoas pelo Ifop, Macron detém 22,5% das intenções de voto, contra 23,5% de Le Pen. Em seguida, os empatados Mélenchon e Fillon, com 19%. Um dia antes, outra pesquisa do mesmo instituto apontava para 18,5% para Mélenchon e 19% para Fillon, o que denota a ascensão do esquerdista. Hamon contabilizaria apenas 8,5% dos votos.

Resultado da Pesquisa IFOP.

Nas duas pesquisas, as abstenções e os equivalentes aos votos nulo e branco no Brasil contabilizam mais de 30%. A Elabe contou 37%, enquanto o Ifop-Fiducial, 32%. A prova inequívoca da insatisfação francesa com a política e os seus representantes.

Já em um eventual segundo turno, Le Pen parece perder para todos. Em uma disputa entre ela e Macron, o segundo venceria com 63% dos votos, contra 37% para a líder da extrema-direita em uma pesquisa. Para o Ifop, seria 58,5% contra 41,5%, também favorecendo o centrista. Em uma disputa com Fillon, mesmo sendo tatcherista (o que não combina com a França), ele teria 59% dos votos. Le Pen, com 41% das intenções nesse embate que era o mais esperado há alguns meses, teria como brigar por mais votos ainda. Mélenchon, um fenômeno recente, não foi alvo de tantas pesquisas de segundo turno. Uma única aponta para a sua vitória, com 57% das intenções contra Le Pen.

Mélenchon, que venceu o último debate televisivo na percepção do público, está conseguindo angariar os votos que iriam para Hamon. E se os partidário de Macron que se posicionam mais à esquerda trocarem de candidato também? Não é impossível, até pela incerteza do povo francês. Apenas Le Pen tem uma base consolidada de “fãs”, com sete em cada dez de seus eleitores sendo convictos, e dizendo que com certeza votarão nela. Macron, por sua vez, tem um percentual de apenas 45% de convictos. Ele é mais uma alternativa aos extremos do que alguém adorado por seus eleitores.

Ou seja: é muito difícil prever o que pode acontecer na França, ainda mais à luz dos equívocos cometidos pelos institutos de pesquisa em relação ao Brexit. Será que o segundo turno escapa de Macron, para ser decidido entre os extremos? Essa possibilidade existe.

Eu, como um grande admirador da União Europeia (e até de seu lema, “In varietate concordia”, que significa “Unidos na Diversidade”), torço muito para que Macron consiga chegar ao segundo turno e confirmar a sua vitória. Além disso, acredito que Macron seja a melhor das opções: não concordo com o extremismo de Le Pen e Mélenchon, nem com o neoliberalismo pregado pelo conservador católico Fillon. Já Hamon, corre muito por fora.

E vocês? Preferem algum outro candidato?

Enquanto isso, aguardemos pelo dia 23 de abril, a data na qual os franceses vão para as urnas, pelo 1º turno da eleição presidencial.