A resistência do rap no Sul no Brasil

Acabou o tempo em que era preciso olhar para o sudeste e centro do país para saber as novidades e as tendências do rap brasileiro. Os artistas que estouravam e a música “de qualidade” que não existiam aqui no Sul viraram lenda. E essa história de crescimento da cena no Rio Grande do Sul, que você pode pensar que é recente, começou já faz algumas décadas.

O movimento do Hip Hop, principalmente dos MCs ganhava força no território nacional durante os anos 90. Nessa época, grandes nomes surgiram e elevaram o patamar de quem pensava que a música que relatava a voz do gueto seria passageira. Quem acompanhou esse surgimento e decidiu fazer parte do movimento, se tornando o grupo gaúcho mais conhecido no estado, foi o Da Guedes.

Pasmem! O grupo de rap está nessa caminhada desde 1993 e foi o primeiro do Rio Grande do Sul a assinar com uma grande gravadora nacional. Nos anos 2000, a cena estourou de vez, revelando outros grandes artistas nacionais, mas o movimento não se sustentou pela dificuldade da periferia ser ouvida nesse processo. A realidade explorada nas rimas do rap, não condiziam com as pessoas que vinham de fora daquele ambiente e por isso não se interessavam pela luta.

O rap resiste bravamente na esfera nacional e regional. Dos anos 90 para cá, muitas coisas mudaram, estilos diferentes foram adotados, alguns líderes do movimento morreram, mas outros grupos foram surgindo para suprir a qualidade da música que tem alma, que através das suas linhas fala da injustiça, opressão e omissão de governo, mas que também contribui com o poder de transformar realidades.

O rap no Rio Grande resiste!

No Rio Grande do Sul, nunca existiram tantos grupos e rappers solo quanto hoje. Mulheres que falam sobre a importância da mulher também no microfone, rimando sobre empoderamento feminino e tentando modificar o mundo machista no qual vivemos. Recebemos nas ações do Trilha Hip Hop a dupla de irmãs da região metropolitana de Porto Alegre que através da Negras na Batalha falam sobre o que enfrentam em São Leopoldo, onde moram. Além do panorama geral sobre a mulher no rap.

As gurias da Negras na Batalha já estiveram com a gente aqui na Unisinos. Foto: divugação/ Negras na Batalha

Milianos vem do Partenon de Porto Alegre. Eles são, atualmente, os mais reconhecidos na cena musical gaúcha. Abrem shows de grupos que estão bombando em todo Brasil e conseguem produzir clipes de alta qualidade para suas músicas. Durante o projeto digital da Trilha Hip Hop, entrevistamos um ex-integrante, o beatmaker Gean Brasil, e um dos rappers do grupo, Will Zifí, que falaram um pouco sobre como é fazer beats e rap aqui no sul do país. Os caras também seguem projetos paralelos e pessoais, com músicas autorais que batem no peito e tentam espalhar pelas redes.

Temos o Pródigo que já foi nosso perfilado. A Negra Jaque que é conhecida pelas músicas que reforçam e beleza e a identidade da mulher negra empoderada. “Cabelo crespo” e “Negona” são algumas das criações da artista que consegue transformar suas rimas em palavras de luta e resistência de algo que não é debatido no dia a dia.

Grande, Rafuagi! O Rafa, um dos componentes do trio, está no movimento desde os 13 anos de idade e ressaltou numa conversa para o Trilha, a importância do Hip Hop na formação do seu caráter e de como ele se politizou para a vida através do rap, sabendo se portar quando as coisas aconteciam.

Estes são alguns dos nomes que ganham forma e projeção no Rio Grande do Sul, mas quantos não estão iniciando em batalhas na escola, em gravadoras de fundo de quintal e com amigos que sempre curtiram o mesmo tipo de batida. Essas pessoas também representam o Hip Hop e a vertente do rap, pois são disseminadoras de uma cultura que resiste através do tempo.

Por isso, para finalizar e curtir um pouco da qualidade que temos para oferecer aqui no Rio Grande do Sul, compartilhamos uma playlist de rap gaúcho. Apreciem!