Quais são as suas verdades?

Você já parou para refletir nas coisas que verdadeiramente acredita sobre o mundo, sobre as outras pessoas e até sobre si mesmo? Como criou suas crenças do que é certo ou errado?

“Crenças” tem sido um tema muito recorrente no campo do desenvolvimento humano, e este foi o assunto da primeira roda de discussão ao vivo da Trillium — com a participação especial da coach Claudia Watanabe — que aconteceu durante o nosso evento de inauguração, no dia 08/10/2016, e que é abordado aqui.

Atualmente, uma enorme quantidade de informações chega até nós a todo momento através de diferentes formas e meios, como a mídia, as redes sociais, a nossa família, os círculos de amizade e a própria sociedade em que vivemos. O mundo está repleto de fórmulas prontas e de gente falando o que é certo ou errado, bonito ou feio, saudável ou não, e tudo isso chega de forma tão intensa que acaba influenciando o modo como pensamos, nos comportamos e fazemos nossas escolhas.

Apesar disso, cada indivíduo cria suas crenças de acordo com suas próprias experiências e a maneira como interpreta os fatos que acontecem em sua vida. O resultado é que cada um tem a sua forma de agir, onde se sente confortável, e o que assume que é certo para si.

A origem das Crenças

Você já pensou de onde surgem as suas crenças? Quais são e de onde vêm as suas verdades?

Sabe-se hoje que um dos principais fatores geradores de crenças é o ambiente. Tente imaginar uma criança, que nasceu em um ambiente violento, sem recursos, onde não tem amor e atenção dos pais. Um ambiente perturbado e de fracassos. Essa criança, que só tem contato com essa realidade, tem uma grande tendência a acreditar que essa é a única verdade que existe no mundo dela. Da mesma forma, uma outra criança que nasce em um ambiente cheio de recursos, possibilidades e oportunidades, em contato com pessoas bem sucedidas, tende a acreditar que o sucesso é mais facilmente atingível. Assim, o ambiente em que vivemos tem enorme influência em como vemos o mundo, as outras pessoas e a nós mesmos, o que leva à criação de crenças.

Experiências passadas — nossas ou de outras pessoas — também podem ser formadoras de crenças. Nosso cérebro busca sempre padronizar nossos comportamentos e as situações pelas quais passamos. Portanto, quando fazemos algo certo, que obtivemos sucesso, tendemos a repetir tais comportamentos, pensamentos e atitudes — e a relação causa/consequência se torna uma verdade muitas vezes incontestável.

Outro fator relevante observado é que, quanto mais conhecimento temos, mais crenças criamos. Tudo o que parece interessante a uma criança, ela experimenta. Ela geralmente não conhece as consequências que aquela determinada atitude pode trazer, e então arrisca. Quando crescemos e adquirimos novos conhecimentos, muitas vezes deixamos de tomar decisões ou fazer aquilo que temos vontade, já que isso pode representar uma ameaça à nossa sobrevivência. O nosso cérebro pode usar o conhecimento tanto para abrir quanto fechar nossa mente, sempre com a finalidade de nos manter vivos e onde ele já sabe que é seguro e confortável.

Na incessante busca pelo conhecimento aprofundado e cada vez mais especializado, às vezes acabamos perdendo a noção do geral, do todo. Ao notar isso, funcionários da NASA começaram a colocar leigos para fazer perguntas básicas e gerais, que os especialistas, por terem muito conhecimento, às vezes acabam se esquecendo de se perguntar.

Dentre muitos exemplos de como as crenças geradas pelo conhecimento nos influenciam, há também uma história de um estudante de matemática que dormiu durante uma aula. Quando acordou ao final dessa, notou que haviam 2 exercícios propostos na lousa, e que o estudante logo supôs que eram para casa. Ele se esforçou muito, até que conseguiu resolvê-los para levar ao professor. Na aula seguinte, quando viu os exercícios resolvidos pelo estudante, o professor ficou surpreso pois um dos problemas era, até então, considerado insolúvel. Nunca havia sido resolvido. Ou seja, por não saber desse fato, o estudante não teve suas habilidades limitadas, sua mente fechada. Portanto, o conhecimento também é capaz de limitar nossas capacidades e, assim, criar o que chamamos de crenças limitantes.

Um grande impacto emocional, principalmente o negativo, também pode ser um importante criador de crenças. Como tentamos sempre garantir nossa sobrevivência, e temos a tendência a generalizar para criar padrões e evitar sofrimento, a chance de uma crença se instalar diante de um forte impacto negativo é muito grande. Mulheres que têm a crença de que todos os homens são cafajestes, por exemplo, muitas vezes criaram essa verdade absoluta com base em uma experiência tão negativa que acabam generalizando e então só se relacionam com os mesmos tipos de homens. Se considerarmos uma menina, que cresce em um lar onde sua mãe externaliza uma crença desse tipo; ela saberá reconhecer um homem que foge desse padrão se sempre aprendeu que todos eram iguais?

Usamos a generalização também para criarmos nossa identidade. Ao encontrar algo que é diferente do esperado, você sabe como reagir de forma a aproveitar uma oportunidade diferente ou você mantém os mesmos padrões comportamentais que já está acostumado a ter? Muitas vezes, temos determinados comportamentos acreditando que um certo resultado é garantido e, dessa forma, acabamos até nos auto sabotando para que esse resultado seja real e toda nossa crença se comprove.

É importante, portanto, saber a origem das nossas crenças pois assim, começamos a nos observar e questionar o que realmente faz sentido, nos impulsiona ou nos limita.

Os nossos “filtros”

Ao longo da vida temos uma tendência muito grande a criar “filtros” de acordo com nossos conhecimentos. Apesar de também ter o poder nos limitar, (como dito anteriormente), quanto mais conhecimento temos, mais criamos possibilidades e ferramentas para que possamos sobreviver. Os filtros são úteis, uma vez minimizam os impactos negativos de nossas atitudes, e necessários para não nos comportarmos totalmente como crianças, agindo apenas pelo ímpeto, mas, ao mesmo tempo, podem ser nocivos, quando nos bloqueiam ou limitam.

É interessante compreendê-los e entender como eles nos regem e, dentro de nossas vontades, desejos e objetivos, como esses filtros têm impactado na nossa vida, e em tudo o que queremos realizar no nosso dia a dia. Ao entendermos o todo, fica cada vez mais fácil lidar com os filtros e sua ressignificação de forma adequada para aquilo que queremos ao invés de eliminá-los, já que nos previnem do perigo. Então, quanto mais os trabalhamos, mais possibilidades temos de lidar com nossos obstáculos.

Desde a infância recebemos grande quantidade de informações de inúmeras fontes, e estas ajudam a gerar nossos filtros, fazer as conexões necessárias, que carregamos para a vida adulta. Hoje, tudo aquilo que acontece, cada indivíduo — à sua maneira — percebe, julga, analisa e resolve aceitar ou não. Mas qual a influência que tudo o que aprendemos durante a infância tem nesse processo, na nossa maneira particular de lidar com o mundo? Como a forma que cada um entendeu a vida quando era criança agora reflete no seu comportamento? Como isso está nos levando para um determinado caminho, que talvez não tenhamos parado para escolher conscientemente?

E então…Você já parou pra pensar quais são as SUAS verdades? Que filtros você tem colocado em sua vida e como eles estão influenciando a sua visão de mundo?

Considerando todas as suas crenças e experiências pessoais, qual a motivação que está por trás dos comportamentos que você está acostumado a ter? Quais são os seus gatilhos?

Tomar consciência e compreender suas respostas é um grande passo para caminhar na direção das suas realizações.


Roda aberta

A identificação de crenças, como elas nos impactam na busca pela felicidade e realização e tudo o que está envolvido neste tema, são fontes de muitas dúvidas, discussões e reflexões. Contribuições e perguntas relevantes foram feitas pelos convidados do evento e colaboraram para nossa roda de discussões.

Foi muito interessante! Assista um pouco mais dessa discussão aqui.

O papo foi sobre a tendência da constante e incessante busca pelo prazer e pela felicidade, exemplificada através de culturas milenares. Falamos sobre a importância dos nossos valores e daquilo que nos motiva, das nossas reais necessidades e preocupações e até sobre o papel da genética e de nossos comportamentos nas nossas crenças, e, assim, como o coaching pode nos ajudar a ter mais clareza de nós mesmos e entendimento do todo.

A partir disso, fica mais uma reflexão: o que verdadeiramente nos impulsiona, limita, nos faz inteiros e felizes?

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