Liquefeito

“Eu sou tipo um caminhão pipa, sabe?”

Você me disse enquanto eu passava meus dedos por seus longos cabelos tão sedosos e louros e eu soltei uma risadinha por achar essa comparação a mais sem sentido.

“Um caminhão pipa não anda por aí com o tanque pela metade. É mais seguro andar com ele cheio por causa da fluidez, as oscilações da água podem até causar acidentes”

Fiquei mais confusa e franzi a testa querendo saber se estávamos ainda falando da mesma coisa, que nem me lembro mais o que era.

“Eu não deixo meu tanque pela metade”

E eu entendi exatamente do que você estava falando. Meu sorriso sumiu por um momento, qual o sentido em começar uma discussão que já havia acontecido tantas vezes? Ao invés disso voltei a te beijar porque era tudo que eu podia te dar, naquele exato momento.

Eu sinto muito se senti tão pouco. Parecia ter sido o suficiente para nós duas porque, pra mim, não foi tão pouco assim como você me diz. No fim das contas, você estava tentando se encaixar no meu mundo e eu sempre valorizei seu esforço. Eu entendo quando você diz que essa não é você e isso não é o que você quer, você é de criar raízes.

Eu entendo que você não pode acompanhar meu ritmo assim como eu não pude acompanhar o seu, talvez você me veja como um copo meio vazio…

E eu sei que você é tipo um caminhão pipa.

lari/mari

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