Masoquismo. Ele é um sentimento tão frequente em minh’alma que quase não o distingo em meus reflexos. Encaro o espelho a procura de alguma confiança ou resposta lógica para querer me machucar tanto. Eis que vou aonde você está e aguardo teu olhar com ânsia. É difícil ter fome de ti e portanto, ouso me alimentar de algumas poucas migalhas.

Contesto-me sobre onde você quer chegar com isso tudo e passo noites insones refletindo cada gesto teu, obsessivamente. Será que você pensa em mim como eu penso em você? Será que você tem fome de mim como eu tenho de você?

Logo eu tão sábia fui me jogar nas tuas garras. Me apetecer dessa alegria que é doar meu corpo aos leões, expor minhas loucuras e meus desejos de uma maneira tão antiquada para que você saiba que é você e mais ninguém enquanto você me mostra o contrário e apenas o contrário. Como pode você querer o mundo tão intensamente? Como pode você dizer que só eu te tenho, quando você se doa tão facilmente?

Queria eu despir-me de ti com a mesma facilidade com a qual eu disponho meu corpo.