POR QUE O SER HUMANO É PRECONCEITUOSO?
A visão de uma cientista jurídica sobre seleção natural, como ela se aplica à sociedade e o que uma barata tem a ver com isso?
O ser humano é preconceituoso por uma gama de motivos x, y e z.
Esses motivos podem ser sociais, psicológicos, biológicos… mas quase todos os casos são acompanhados de uma parcela de ignorância ou falta de empatia.
Um dos motivos de haver preconceito contra LGBTs e contra outras minorias pode ser instintivo, e a falta de racionalidade ou empatia faz com que alguns seres humanos sejam egoístas a ponto de não serem capazes de se livrar de um instinto básico animal.
Para explorar melhor a ideia, deve-se retornar ao período pré-histórico:
Vamos supor que lá na pré-história, antes sequer do ser-humano existir, havia duas espécies de coelhos: o “coelhinho bonitinho” e o “coelhinho fofinho”.
Os coelhinhos “bonitinho” e “fofinho” andavam juntos, se alimentavam juntos e dormiam juntos. Entretanto, esses grupos se separavam quando algo fora do comum acontecia. Se o grupo escutasse um barulho fora do comum ou se vissem uma folhagem se mexer, ele se desbandava, pois os coelhinhos “bonitinhos” fugiam correndo, já os coelhinhos “fofinhos” não, eles nem ligavam.
É claro que por causa dessa característica, os coelhinhos “bonitinhos” corriam à toa muitas vezes, e às vezes perdiam bons locais cheios de alimento por bobeira, mas em compensação, a cada dez vezes que os coelhinhos “bonitinhos” corriam, uma era com motivo, e nessa uma, os coelhinhos “fofinhos” viravam janta de um animal maior.
Depois de anos, os coelhinhos “fofinhos” pararam de existir; foram extintos, e só os coelhinhos “bonitinhos” passaram seus genes pra frente.
Esse fenômeno, chamado “seleção natural”, aconteceu com todas as espécies, e as espécies que existem hoje em dia são apenas aquelas que nasceram com as melhores características. A característica que fez com que os coelhinhos “bonitinhos” sobrevivessem, também existe nos seres-humanos e na grande maioria dos mamíferos: o medo do desconhecido.
E como saber com qual força esse instinto natural existe no ser-humano consciente, racional e cheio de tecnologia e avanços que existe hoje em dia? É só observar o fenômeno social da barata.
A barata é um inseto com seis patas, logo, sua movimentação não é algo que o ser-humano consegue entender completamente. A barata não tem olhos observáveis (ela tem, mas não conseguimos observar onde ficam). A barata tem asas mas nem sempre voa. A barata morde? Ela tem dentes? Por onde esse bicho andou?A barata é um inseto que fica um tempão parado no mesmo lugar e de repente sai correndo muito rápido até outro ponto e depois para de novo. E esse ponto pode ser a perna do ser-humano que a observa.
A barata, por ser um animal tão dotado de desconhecido; por ter um comportamento tão pouco famíliar ao ser-humano, acabou se tornando um dos grandes medos da sociedade humana (um medo muito maior do que a ameaça que realmente carrega).
Visto tudo isso, dá pra pensar sempre no homem como um animal que tem medo do desconhecido.
Os membros da comunidade LGBT podem ser considerados o “desconhecido” pra muitas pessoas preconceituosas, e analisando por esse ponto, as palavras homofobia e transfobia fazem muito sentido. A maioria das pessoas preconceituosas passou a infância inteira sem ter nenhuma interação com uma pessoa LGBT, talvez nunca tenha visto nenhuma na vida inteira, ou ainda, talvez tenha sempre aprendido que LGBT é errado. Sem doses de empatia e reflexão, é difícil a pessoa se livrar do instinto biológico do medo do desconhecido.
Basta olhar para a Tailándia; país com a maior taxa de pessoas transgênero no mundo. Lá, ser trans é local comum, e, consequentemente, as pessoas não têm preconceito contra essa população.
Resta aos LGBTs entender todos os motivos que fazem com que o preconceito exista, e o combater de forma consciente e melhor possível. Resta aos LGBTs se tornarem algo comum; algo (bem) visto na sociedade. A partir do momento em que for cada vez mais comum se ver por aí atores e atrizes trans, advogados e juizes trans, esportistas, médicos, veterinários, jornalistas, caixas, garçons, desenvolvedores, cozinheiros trans, ou simplesmentes a partir do momento em que as pessoas trans passarem a existir em todos os locais: padaria, mercado, faculdade, shopping, etc., essa população vai se tornar algo comum, e o ser-humano médio vai se sentir mais e mais confortável até o momento em que vai deixar seu medo para trás.

