sem pé nem cabeça

Uma vez eu disse na terapia que achava que tudo bem ser louca, porque nesse mundo como está hoje, uma pessoa perfeitamente ajustada de certo tem algum problema grave. Na minha cabeça, a terapeuta me olhou por cima dos óculos meia-lua e concordou de leve com a cabeça. Na vida real, ela sequer usa óculos, mas disse que eu não estava errada (o que não quer dizer que eu estava certa — apesar de eu ainda achar que esse paralelo entre a loucura e o mundo muito verdadeiro).

Nesse fim de semana eu conferi umas três vezes se o que eu estava sentindo era tpm e conclui em todas que estava sendo apenas louca mesmo, infelizmente. O bom de perceber sua própria loucura é que você pode pelo menos tentar voltar ao normal sozinha, nem que seja depois de dar uns gritos no chuveiro.

Depois veio o tédio, mas não um tédio bom com rede, água de coco, dia de chuva nas férias na praia. Só um tédio esmagador. Bode infinito, por que a vida é assim o que eu to fazendo com o meu tempo? E essas coisas.

Escolhendo o caminho mais fácil eu culpei os outros, a amiga focada demais nos problemas dela para focar nos meus durante o almoço (eu sou egoísta, eu sei), o bofe que teve um compromisso familiar e adiou os nossos planos (ele compensou, mas quem liga para isso?), minha família que lembrou do meu boletim do colégio enquanto comíamos pizza.

Tudo bem descontar um pouco neles, desde que de forma um pouco passiva-agressiva para que não fique totalmente claro que estou sendo uma maldita e que mantenha em mente, mesmo, que estou apenas sendo uma maldita e vai passar.

Tem um estudo que diz que o presente só dura três segundos e depois tudo vira memória. Seria realmente maravilhoso se tudo isso durasse mesmo 3 segundos, mas eles vão se juntando com outros segundos e formando uma infinidade de segundos. Pelas minhas contas, já dura tempo demais.

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