Enchente

No fundo do corredor vi a enchente
 No fim da rua vi a enchente
 Na frente da vida vi a enchente
 Ela vinha vindo
 E me hipnotizava

Ela vinha engolindo o chão
 Engolindo a gente
 Engolindo, engolindo, engolindo
 Casa por casa
 Homem por homem

Era uma enchente quase lasciva
 Desesperada e esfomeada
 Pior que bicho
 Rebelde, irracional

Na beira do quê? No fundo de quê?
 Não há o que pensar depois da morte
 Quem se afoga morre na água
 Porém, nenhuma água é igual

Foi isso que me matou
 Eu vi ela chegando
 Só enxergava enchente
 Enchente, enchente, enchente

Mas ela era um tsunami
 E eu nem vi