Machucada pela terra

Nessa terra vermelha
 Consegui te reencontrar
 Com nosso carinho prometido

Vi uma árvore
 Feito uma mão buscando alguém
 Desesperada
 Os dedos envergados
 Petrificados fora do solo

E foi ali que brotou
 O toque que me atravessa
 Essa terra me ardeu
 E me queimou
 Me deixou ao avesso

Eufórica por fora, incendiada por dentro
 Eu também desesperada
 Eu também envergada

Foi uma força estrondosa
 Cheia de calor
 Me arrebatou, exaustão
 Condenada ao fim

E só brotou porque chorei
 E minha lágrima molhou o chão
 Pois com as mãos queimadas,
 Nem árvore, nem nada dali poderia levar

O chão consumido
 Ficando distante, quando parti
 Carreguei nas costas até voltar
 A lembrança roubada

O gosto dessa ardência
 Que na terra vermelha teve berço
 Fogo que renasce
 No desconforto da minha insistência
 Se apaga mas não esqueço

Levo comigo o segredo
 Agora quase desfeito
 De que longe daqui
 A carne manchada de dor
 Sorriu só por poder sentir
 Que não era seca
 E não estava sozinha

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