O poder de estar sozinho

Neste momento escrevo ao final de um período de dois dias em que tive o imenso prazer de ficar sozinho. E não me entenda mal: não é que eu não aprecie a companhia das pessoas à minha volta.

A questão é que aproveitar a própria companhia é necessário de vez em quando. Para mim, é imprescindível.

É nesse tempo que eu aproveito para pensar um pouco sobre a vida, sobre mim mesmo. Sobre como penso a respeito de X ou Y assunto, como me sinto em relação a esta ou aquela pessoa, sobre a escolha A ou B… E claro, para fazer uma boa faxina.

Eu sempre fico impressionado de como esses momentos são poderosos e tão proveitosos para mim. E me faz pensar sobre como não estamos realmente discutindo sobre como é bom ficar sozinho vez ou outra.

E se pensarmos bem… Motivo não falta.

A velocidade da vida é um deles. Pense na sua rotina por um momento: trabalho, faculdade, eventos sociais, transporte público, trânsito… A quantidade e intensidade dos estímulos a que somos submetidos mal nos dá tempo para organizar os pensamentos e colocá-los no lugar; o volume esmagador de compromissos faz com que momentos de introspecção consigo mesmo sejam praticamente um luxo. Simplesmente não dá, certo?

Porém, como qualquer bom guia de gerenciamento de tempo vai lhe dizer: nós é que criamos essas oportunidades. E acredito que está na hora de reconhecer que estamos fazendo algo errado com a forma com que usmaos nosso tempo e energia, mas chegarei lá em algum outro texto.

Você pode até pensar: “estamos cercados por ferramentas e recursos que servem para conectar e aproximar as pessoas umas das outras, para que eu precisaria passar tempo comigo?”

Espere um momento: conectar quem a quem?

O exercício pouco difundido de passar um pouco de tempo sozinho tenta resolver essa dúvida. Bem, pelo menos uma metade dela.

Conhecer a si mesmo, se entender e (pelo menos começar a) gostar de si é o primeiro passo para qualquer relação saudável. De que outra maneira você vai saber quais são seus defeitos, virtudes, medos, desejos, sonhos? E cada um desses elementos é fundamental para manter em equilíbrio as nossas experiências compartilhadas com outras pessoas, independente do contexto.

E digo mais: essa história de autoconhecimento é bacana, mas já tentou ter uma conversa consigo mesmo? A quantidade de ideias criativas e inspiradoras que saem daí não é brincadeira. E quem não iria querer passar um bom tempo trocando uma ideia com uma pessoa super legal, não é mesmo? Não há nenhum motivo para essa pessoa ser você mesmo!

Por isso eu vou fazer uma breve provocação: durante a semana tente criar pelo menos um momento em que você aproveite um tempinho sozinho. Mas tem que ser aproveitar mesmo. E faz o que você quiser: abre uma cerveja, vá ao cinema, ou faça uma faxina (como eu fiz). Deixa o mundo exterior esbravejar sozinho, nem que seja por um momento (seus amigos, familiares e colegas de trabalho ainda vão estar lá depois, fique tranquilo). Deixa um pouquinho pra lá o mundo que te diz que isso é coisa de gente triste e que o legal mesmo é estar no meio de uma multidão (ainda que você esteja se sentindo absolutamente sozinho no meio de um mar de gente). Deixa pra lá a sua própria ansiedade que te diz que o certo é estar entre outras pessoas.

Aos poucos você vai sentir o poder que esses curtos momentos podem te dar: conhecer a si mesmo, exercitar mais empatia com as pessoas à sua volta, ser mais criativo… As possibilidades são infinitas.

E pra começar? É só deixar pra lá.