Sobre maconha, ciência e preconceito

Fabricio Pamplona
May 21, 2019 · 12 min read

Estava conversando com um amigo sobre potencial terapêutico da Cannabis, conversa vai, conversa vem e ele me diz "gosto dos seus textos, mas você não devia ser mais imparcial?". Respondi firme: "Não". E ele se assustou.

"Ué, mas cientista não devia ser mais imparcial?" — bela pergunta. E aliás, um tema recorrente nas rodinhas científicas. Me levou a refletir um pouco, apesar de já ter opinião formada sobre o tema, particularmente quando estamos falando de divulgação científica e escrever para o público.

Vamos mergulhar um pouco fundo em temas cabeçudos que não tem nada a ver com maconha, mas com ciência. Se você só tem interesse a respeito de como isso impacta na interpretação dos estudos de Cannabis, sugiro ir direto ao tópico "Opinião de maconheiro vale?", mais abaixo.

A nossa conversa é longa e densa, ela nos leva à discussão da Epistemiologia da ciência, mas vou tentar fazer mais curta e direta ao ponto. Mas, espera aí, o que é epistemiologia? Resumindo em uma frase, é algo como "a teoria do pensar científico". Estuda o conhecimento científico em si e como o método, o racional científico faz para obter e construir esse conhecimento. É o que chamamos de meta-ciência, e quem estuda ciência costuma discutir com profundidade o grau de "confiança" que se tem nas descobertas científicas, por exemplo. O ponto-chave da discusão sob a ótica da epistemiologia científica é a busca da "verdade", e como isso é impactado pelo "juízo/julgamento" e pelas "crenças". Esse texto aqui também ajuda um pouco quem nunca ouviu falar sobre o tema. (https://www.quora.com/What-is-epistemology-in-the-philosophy-of-science)

Esse camarada aí da esquerda é o filósofo alemão Immanuel Kannt. Ele curtia pra caramba uma epistemiologia.

Então, vamos lá, o pensamento científico, em tese, prega que se avalie os assuntos de maneira o mais imparcial possível, é verdade. A ideia é que o cientista esteja enxergando "de fora" o tema, em uma perspectiva em terceira pessoa e com o menor envolvimento possível com o tema. Muito se discute que o próprio rigor científico exige essa postura para evitar o viés na interpretação. Existem correntes filosóficas diferentes, mas a rigor, seria isso.

A discussão se torna particularmente "quente" em campos da ciência onde há muita subjetividade na avaliação por exemplo, na psicologia, na anamnese médica, etc. Mas de fato, o "olhar" do cientista impacta em todas as ciências, inclusive as muito objetivas como a física [aqui é o momento em que você faz cara de espanto e no fundo ouve um oooohhhh! :-) ] É o famoso "efeito do observador" que descreve que a própria tentativa de observar um fenômeno já interfere no próprio fenômeno. Parece viagem né? Mas há evidência científica desse tipo de observação até em partículas subatômicas, que deu vazão a muito do que se popularizou sobre "física quântica" e o poder do pensamento.

O uso da própria matemática na ciência, particularmente com as ferramentas estatísticas, são uma tentativa de tornar as observações mais objetivas e parametrizar a tomada de decisão e conclusões a respeito dos experimentos. Mas cá entre nós, até isso tem os seus "paranauês", e hoje o que se considera "cientificamente válido" ou "significativo" do ponto de vista da estatística está passando por uma discussão homérica e eventualmente será inclusive revisado. Sabia disso? Pois é, o selo de "comprovado cientificamente" não é algo imutável, como poderia nos dizer o pensador Karl Popper (veja abaixo).

Um outro pensador muito influente que discute o "pensar científico" é o austríaco Karl Popper. Defensor ferrenho da lógica de que as hipóteses científicas só podem ser falseadas, nunca confirmadas. Nessa visão, uma teoria científica, mesmo que embasada em experimentos objetivos, é sempre considerada "provisória", porque ela só existe pelo espaço de tempo em que ainda não foi refutada.

“Teorias científicas são construtos abstratos e só podem ser medidos indiretamente, por meio de suas implicações em outros meios físicos. A lógica é sempre de tentar refutar um hipótese, sendo virtualmente impossível confirmar qualquer coisa através do método científico” poderia ser um resumo rápido do pensamento dele. Conheça um pouco mais sobre a ótica do Karl Popper, vale a pena. A wikipedia é um bom começa e traz um artigo legal sobre o Popper e sua obra.

Pros interessados, particularmente os cientistas, sugiro a leitura de dois artigos críticos muito legais sobre significância estatística:

“Cientistas se revoltam com a significância estatística”

“É hora de se discutir abandonar a significância estatística”

Para tentar minimizar esse viés, nos estudos médicos ou farmacêuticos, por exemplo, é padrão termos o que se chama de estudo “duplo cego”, ou seja, nem o experimentador, nem o voluntário sabem em que grupo experimental estão. Espera-se assim que a avaliação seja a mais isenta possível. Uma lógica semelhante, no sentido de tornar as avaliações o mais isentas possíveis, e portanto fazer com que as conclusões sejam o mais "puras" possíveis, é a da padronização total e irrestrita de todos os parâmetros, à exceção da variável que se quer testar. Isso foi muito discutido no finalzinho dos anos 90 com um artigo super importante (e meio maluco) que tentava entender diferenças "curiosas" que se observava entre experimentos com engenharia genética de organismos, o que trazia um pouco de sombra pro estudo desse campo, que sofria um verdadeiro boom naquela época.

Esse experimento super influente do pesquisador americano John Crabbe mostrou que a padronização abosluta é virtualmente impossível, e uma parcela significante das conclusões que se tira a respeito de fenômenos bastante objetivos sofrem uma influência considerável do ambiente, cultura e pesquisador. Estudo original https://science.sciencemag.org/content/284/5420/1670.long. Mais informações sobre o estudo histórico neste link da universidade do Dept de Psicologia da Universidade de Albany.

Esse estudo em particular foi uma avaliação comportamental feita em animais e é um setting experimental bem interessante para se discutir, porque a proposta foi fazer uma padronização absolutamente meticulosa de todos os fatores que se acreditava que pudessem influenciar, para isolar absolutamente a variável de interesse: mutações genéticas específicas, e portanto tentar entender o papel de genes isoladamente em determinadas funções comportamentais. O procedimento foi o seguinte: os pesquisadores enviaram animais da mesma origem, paridos, desmamados e criados da mesma maneira, com o mesmo aparato de teste, mesmos protocolos, mesma idade, mesmo procedimentos experimentais, mesma ração, mesmo gaiola moradia, mesmo número de animais por caixa, mesmo ciclo de luz de 12h claro/escuro, mesma protocolo de limpeza dos animais e caixas, mesma proporção de machos e fêmeas, mesmo peso corporal, etc etc. ou seja, literalmente tudo que se pode pensar. Mesmo assim, a conclusão foi: em fenômenos robustos, há uma influência consistente da genética, em fenômenos mais sutis, o resultado varia bastante entre laboratórios. No nível mais otimista, 80% dos fenômenos observados pôde ser explicado pela manipulação genética, o que deixa ainda pelo menos 2% de influência do ambiente e cultura do laboratório, além do próprio pesquisador.

Será que um fator de influência seria o wishful thinking de desejar que o experimento esteja certo? Não seria de se duvidar, afinal, outro fenômeno muito conhecido na medicina, o efeito placebo, é justamente isso, e ele influencia muito na interpretação dos estudos médicos e de desenvolvimento de medicamentos, mesmo os bem objetivos.


Eu dei essa volta toda a respeito da epistemiologia da ciência (conteúdo acima) para que você entendesse que a ciência não é assim tão objetiva quanto a gente pensa, e particularmente que as conclusões obtidas por um experimento sofrem bastante influência do pesquisador. De uma maneira ou de outra as conclusões são inevitavelmente interpretativas, portanto carregam consigo a perspectiva do autor. A ideia de um experimentador "distante" e "neutro" é apenas um idealismo. Esse é o resumo da ópera.

Acho essa discussão bastante pertinente nos dias atuais, em que o tema "ideologias" está sendo amplamente discutido, e polos opostos de correntes políticas se "acusam" de ser ideológicos. Curioso, porque pra mim, o próprio posicionamento político é por definição assumir uma ideologia. Como diria minha mãe "é o sujo falando do mal lavado", mas tudo bem.

Quando meu amigo me perguntou se meus textos não deveriam ser "neutros", porque afinal, sou um cientista, perguntei pra ele: "meu caro, você não é flamenguista?" Ele ficou me estranhando, mas respondeu "sou", ao que continuei: "E quando você discute futebol, você consegue discutir sem ser flamenguista?". Pois é, na ciência é a mesma coisa, como em qualquer área do conhecimento humano, seja pitaco, história ou discussão sobre fatos. A perspectiva do narrador é indissociável da narrativa.

Pra fins de ilustração, e para resguardar a identidade do meu amigo incrédulo sobre a maconha medicinal, vamos fazer de conta que quem me perguntou foi o flamenguista ilustre aí de cima.

Agora veja lá, disclaimer antes que me joguem pedras, isso não é o mesmo que dizer que seja razoável você mentir, distorcer dados, forjar conclusões e coisas do tipo. Isso não é coisa de cientista sério. O que estou dizendo é que na interpretação dos dados, que é basicamente construir uma narrativa coerente lógica e linear dentro de uma linha de pensamento, a perspectiva do cientista sem dúvida impacta. Um bom exemplo é aquela velha máxima "um está está 50% preenchido com líquido. Ele está meio cheio ou meio vazio? Depende. E é difícil analisar e pensar sobre o tema "sem influência ideológica" se você tem uma opinião sobre algo. Isso dito, a boa ciência é feita com o máximo de neutralidade possível, particularmente na hora de desenhar o estudo e analisá-lo estatisticamente, que a meu ver são os momentos em que ocorrem as maiores distorções e "forçações de barra" (obs: nunca tinha escrito a palavra "forçação", será que ela exista na linguagem escrita? hehe). Tanto que em estudos médicos regulatórios em humanos, para registro de produto farmacêutico, antes mesmo de iniciar o estudo você precisa registrar seu protocolo completo e desenho experimental em repositórios abertos como o clinicaltrials.gov, para garantir a confiabilidade do que está sendo feito.

Agora, em um texto como esse que você está lendo, é inevitável que eu esteja dando minha opinião sobre algo. E aí, acho que sim, o cientista precisa se posicionar. Você não começa a escrever algo sem ter opinião sobre o tema, sem ter um posicionamento e qualquer tentativa de dizer o contrário, na minha opinião, é uma tentativa de mascarar o óbvio, tapar o sol com a peneira. Eu inclusive defendo que os cientistas tirem a bunda da cadeira, saiam da torre de marfim e conversem com a sociedade, se posicionem sobre temas e ajudem a influenciar a sociedade para o caminho que considerem mais correto. Aí entra uma discussão sobre o que é "certo e errado" e inevitável ter uma influência dos valores pessoais. O que um cientista tem que tomar muito, mas muito cuidado mesmo, é com o selo do "comprovado cientificamente, pois sua figura traz uma autoridade e peso pra qualquer assunto. É uma responsabilidade imensa.

"Você não é flamenguista? Pois é, e quando você discute futebol, você consegue discutir sem ser flamenguista?” — foi a discussão que deu origem a esse texto

Então opinião de maconheiro sobre maconha… vale? Olha, o que está em discussão aqui é "a opinião de alguém que tem experiência em primeira pessoa com um tema, vale?". Pra mim, vale, e vale muito. Provavelmente vale mais do que a de alguém que não tem qualquer experiência com o tema, ou que só o enxerga à distância. Pois quem enxerga "de fora", sem nunca ter sentido os efeitos que discute, só consegue adentrar a camada da interpretação a respeito das consequências do uso sobre o outro, mas não sobre os efeitos em si. E claro, cada um dos lados tem seus vieses. Quem tem experiência própria tem o viés da valência emocional da própria experiência, se gostou ou não gostou do que sentiu, por exemplo, enquanto quem não tem experiência própria tem o viés do tipo de pessoa com quem conviveu. Como se enxergasse pelos olhos dos outros. Por isso, os psiquiatras costumam ter uma opinião muito negativa sobre a maconha, porque sua amostragem de usuários é normalmente constituída de pessoas que tiveram problemas com o uso, afinal de contas, foram parar no consultório…

Isso dito, há duas críticas bastante válidas sobre essa linha de raciocínio, e que vale a pena discutir.

  1. O uso de drogas pode prejudicar o julgamento e raciocínio lógico. Sim, isso é verdade. Embora isso em geral ocorra somente quando o indivíduo está agudamente sob o efeito da substância, ou em usuários crônicos problemáticos, como decorrência da dependência. Portanto, a opinião do usuário sobre o tema pode ser enviesada e fundamentalmente ser estruturada de maneira a reforçar o uso e perpetuar a dependência.
  2. "Você não precisa ser mulher para ser ginecologista". Essa é uma frase polêmica do meu ex-orientador, o Prof. Takahashi. E também não deixa de ser verdade… existem ginecologistas homens, e que nunca vão sentir na pele o que a mulher sente, é um fato, e ainda assim podem ser ótimos profissionais. No entanto, creio eu, uma mulher certamente consegue se colocar melhor no lugar da paciente e portanto entender melhor o que se passa com ela no âmbito físico, emocional e psicológico.
Na observação da realidade, temos uma intersecção entre a verdade e nossas crenças, sobre a qual criamos conclusões. O conhecimento é a fração dessa intersecção que pode ser devidamente justificada.

A ciência vive em busca incessante pela verdade, e são realizados os melhores esforços para se aproximar cada vez mais desse "Santo Graal" com evidências sólidas. Ainda assim, há uma intersecção importante entre o que acreditamos (nossas crenças) e a realidade objetiva (a verdade) quando passamos para a camada de interpretação dos experimentos realizados. Como as crenças são construídas a partir de nossas múltiplas vivências, inclusive as pessoais, familiares, acaba se formando uma perspectiva pessoal e particularmente única sobre o tema. Nesta ótica, o conhecimento seria aquela fração da intersecção entre a realidade e minhas crenças que eu consigo validar no mundo, com evidências a partir da minha própria experimentação, leitura ou estudo (nossa, achei que soou um pouco como o Mário Sérgio Cortella, fiquei orgulhoso. Será que estou ficando bom nisso? hehe).

Assim, é inevitável que os conceitos anteriores (preconceitos) sobre um tema tão polêmico quanto a maconha sejam carregados quando se discute esse tema, mesmo entre cientistas, que carregam conhecimento profundo sobre o tema. Conhecimento não é meramente informação, porque ele interage com as experiências prévias do indivíduo e portanto carrega um pouco da sua perspectiva. Imagino que tenha ficado claro no diagrama acima. Como comentei, isso é ainda mais relevante quando damos a opinião sobre algo, ao invés de simplesmente descrevermos um fenômeno, como se costuma fazer num artigo científico que apenas descreve os resultados de um experimento.

Um exemplo claro de polarização nesse debate, tirado de uma matéria publicada semana passada, a respeito da atualização da política de drogas no Brasil. Ambos são psiquiatras, ambos são professores de renomadas universidades de medicina do Brasil, tem acesso a informação praticamente na mesma escala, mas tem opiniões radicalmente diferentes sobre o tema "política de drogas". https://epoca.globo.com/laranjeira-tofoli-divergem-sobre-alteracao-na-lei-das-drogas-aprovada-pelo-congresso-23669767. Não é o único caso de polarização nesse tema, que é auspicioso em criar polêmica. O ministro Osmar Terra recentemente deu declarações dizendo que "a maconha vicia 50% dos indivíduos". Não seria um belo exemplo de distorção da realidade baseado em ideologia? Ao mesmo tempo, quem defenda que "maconha é natural, portanto não faz mal", sofre do mesmo viés (https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/496164-DESCRIMINALIZACAO-DA-MACONHA-DIVIDE-OPINIOES-EM-DEBATE-NA-CAMARA.html)

O exercício saudável aqui, é não deixar a discussão polarizar, porque já se sabe que quando seres humanos se separam em "times", reconhecem o diferente como "inimigo' e aí a coisa tende a debandar pro antagonismo direto, como muito bem demonstrado em experimentos clássicos da psicologia como o "Experimento de Aprisionamento de Stanford de Phillip Zimbardo" e o "Experimento dos Olhos Azuis de Jane Elliot". Quando isso se estabelece, é muito difícil ter uma conversa produtiva ou caminhar para um consenso sobre qualquer tema, ainda mais os polêmicos.

Isso dito, sim, a "ideologia" influencia na maneira de se pensar e comunicar sobre um tema, mas ela é inevitável, e a busca de algo "sem ideologia" é muito difícil. Precisamos estar atentos e conscientes da trajetória do interlocutor (e suas vivências, vieses e conflitos) para entender um pouco a perspectiva e se colocar no lugar do outro para termos uma discussão produtiva. Agora, como diria o pai de um amigo meu "contra documento não há argumento", então por favor, vamos ser responsáveis e nos basearmos nas melhores evidências possíveis ao discutirmos a maconha e suas aplicações, potenciais, utilidade, efeitos adversos, custo-benefício clínico, etc. Seja qual for o tema específico, como se trata de maconha, a única certeza é que haverá opiniões diferentes e a polêmica será instaurada. Mas eu ainda acredito que haja espaço para uma solução em que não se perca o foco no que interessa: as pessoas, sejam elas usuários recreativos, dependente químicos intratáveis ou pacientes de doenças sem alternativa. O foco deveria ser reduzir o sofrimento. Ponto.

E se a opinião for baseada em experiência pessoal, que assim seja, mas que seja dito claramente. E quando eu digo "experiência pessoal" nesse tema, tenho certeza que você pensou num jovem maconheiro discutindo a guerra as drogas. Do outro lado, temos o "psiquiatra indefectível e cheio de razão". Mas e se "experiência pessoal" nesse caso, for um paciente dizendo que "só o maconha alivia minhas dores nas costas" como já ouvi mais de uma vez. Ela é evidência válida? Ou só a opinião "distante" do médico é que deve ser levada em conta? Te deixo com essa barulho para pensar. Eu já tenho minha opinião.

Um exemplo público de paciente de Cannabis medicinal, neste caso particular o óleo de cânhamo, vulgo "CBD". O Caio Simão relata suas experiências com a fibromialgia e o tratamento polêmico no seu Medium.

O principal objetivo deste Medium é trazer informação de alto nível a respeito de ciência e tecnologia no âmbito da Cannabis medicinal, um campo da medicina que está florescendo nos últimos anos. Às vezes, a gente se arrisca a falar de uma outra curiosidade menos explorada sobre este planta, sobre empreendedorismo científico e tecnologia. Interessou? Siga acompanhando!


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Fabricio Pamplona

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Neurocientista. Empreendedor. Muita história pra contar.

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