O MERCADO DE SUPER IATES

A palavra iate traz consigo um forte significado, resumido perfeitamente por uma outra mais curta: luxo. O termo iate porém, tem uma definição mais clara e restritiva: “uma embarcação com mais de 20 metros”. A evolução do setor trouxe consigo nomes que se empenharam em acompanhar a ambição dos proprietários em busca por embarcações maiores e melhores. Super iate e mega iate são hoje palavras comuns neste mercado que, entre 2004 e 2014, teve sua frota dobrada e atualmente, entrega entre 110 e 140 novas embarcações por ano. A frota mundial de grandes embarcações (mais de 30 m) representa hoje um mercado de aproximadamente 24 bilhões de euros e os quatro maiores mercados são: EUA, Itália, Inglaterra e França.

© Lucas Alvarez

A Itália, é de longe a líder mundial de construção enquanto que a França tem participação quase desprezível no setor de construção de grandes barcos. O último estudo global feito pela Superyacht Intelligence Agency em 2013, mostrou que 69% da frota mundial está baseada no Mar Mediterrâneo e no Mar do Norte, sendo que este número oscila entre 60% no inverno e impressionantes 78% no verão, fazendo da Europa a principal zona de destinação seguido de longe pelo Caribe e EUA. Nos últimos anos novas zonas de atração tem surgido pelo mundo como na Ásia, porém nenhuma delas chegou a se consolidar como um grande destino para os iates como a Europa é atualmente.

As embarcações entre 30–40m, formam uma frota que gasta por ano até 7 vezes mais que o valor gasto pelo segmento de iates acima de 80m. Estas embarcações (30–40m) possuem em média 8 tripulantes que impõem um custo anual de 444 mil euros em média, e se somados aos demais gastos gerados por um barco desse porte, a conta ultrapassa os 1.6 milhões de euros.

A França é um dos principais destinos dos super iates por ser um país acima de tudo seguro. Algumas localidades atraem uma enorme quantidade de turistas, não apenas a reboque do setor de grandes iates mas do turismo náutico de forma geral; com destaque para a Costa Azul, onde Saint-Tropez, Antibes, Cannes, Nice e Mônaco figuram entre os principais centros de atração.

© Lucas Alvarez

Entretanto, ao longo de toda costa do Mediterrâneo, de Perpignan a Menton, há inúmeras pequenas cidades e comunas, menos conhecidas, mas que oferecem belezas naturais tão exuberantes quanto as oferecidas pelos principais destinos, bem como toda infraestrutura necessária para receber os barcos de todo o mundo. Lugares como Cap Nègre e Porquerroles, onde suas pequenas e isoladas praias nos dão a sensação de estarmos perdidos num paraíso, e Saint Jean Cap-Ferrat, onde o charme e a comodidade de uma península provinciana entre Nice e Mônaco criam um ambiente único e inigualável, encantam anualmente turistas de todo o mundo.

Soma-se a toda esta beleza natural uma infraestrutura de altíssima qualidade, fruto de anos de administração pública eficiente e preocupada com o desenvolvimento da região. Governos que, diante da vocação econômica desta região, reconhecem a importância do turismo para o desenvolvimento de sua sociedade. Neste sentindo, uma agenda de atividades rica durante todo ano, como o festival de Cannes e o GP de Mônaco reforçam ainda mais a posição de liderança da França neste segmento da economia mundial.

A França não se acomoda em sua posição e busca ainda hoje proteger e reforçar a sua posição de liderança. Com muitas áreas portuárias chegando perto do fim de suas concessões, muitos projetos de investimento estão surgindo para fazer frente a instalações recentemente construídas em outros países do Mediterrâneo como Puerto Tarraco em Tarragona na Espanha, Imperia na Itália e Didim na Turquia. Estes investimentos permitirão melhorias que vão desde a infraestrutura até a capacitação técnica dos serviços oferecidos, aumentando a capacidade e vocação da França para receber esses megayachts. Um modelo de gestão pública que deveria ser observado pelo Brasil mais de perto.

A França reconhece a importância econômica do segmento do turismo náutico para o país e está trabalhando para melhorar e preservar a sua liderança global neste setor. Nós nos Brasil temos um litoral ainda mais exuberante, diverso e rico em todos os aspectos naturais, mas ainda engatinhamos quando o assunto é a administração publica dedicada a promover o progresso do turismo náutico. Resta-nos buscar as soluções para nossos problemas de hoje mobilizando todo o setor e assumindo o papel de liderança que o setor privado pode ocupar.

*Elaborado com base nas informações do artigo “L’économie de la grande plaisance” da revista “La Revue Maritime” edição nº 503.

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