Jogo político americano: os possíveis cenários em 2016
A política afeta diretamente a situação econômica de um país. Vamos entender os cenários da política dos EUA em 2016?


A política afeta diretamente a situação econômica de um país. Vamos entender os cenários da política dos EUA em 2016?
É evidente que a política e a economia caminham juntos. Uma conjuntura política estável com medidas bem-sucedidas aumenta a credibilidade de um país e, assim, proporciona um ambiente mais próspero e mais atrativo para investimentos. Como consequência, um número maior de empregos é gerado e o poder aquisitivo das pessoas cresce, o que possibilita novos empreendimentos, formando um ciclo econômico favorável. Portanto, podemos perceber uma relação de causa e efeito muito lógica: uma maior credibilidade política ocasiona uma economia aquecida.
No mundo da consultoria estratégica não é diferente. As condições políticas e econômicas de um país não só afetam a demanda por serviços, mas também influenciam profundamente o diagnóstico de um projeto e as soluções estratégicas que serão propostas. Por isso, as ameaças devem ser identificadas e as oportunidades analisadas e consideradas para que um projeto seja bem-sucedido e, assim, consiga trazer resultados incríveis. Em ano de eleições, essa análise fica mais complicada e cabe ao consultor estar atento aos candidatos e aos possíveis cenários que podem se formar após os votos.
Em 2016, os olhos do mundo inteiro estão voltados para a eleição presidencial dos Estados Unidos. A corrida eleitoral vai se aproximando do fim e os discursos dos candidatos vêm chamando muita atenção, principalmente pelo perfil peculiar de cada um. Do lado democrata, Hillary Clinton, que já foi primeira-dama e secretária de Estado, após uma disputa com Bernie Sanders, se tornou a opção para a presidência. Entre os republicanos, o bilionário e, por vezes, polêmico Donald Trump foi o escolhido da vez, superando Ted Cruz e companhia.
Recentemente, numa convenção democrata com participação de ícones americanos, como o atual presidente Barack Obama, Bernie declarou apoio a Hillary. Bernie criticou duramente o candidato presidencial republicano Donald Trump, que classificou como um perigo para o futuro do país, que “precisa ser defendido”. No entanto, grande parte de seus eleitores vaiou seu discurso de apoio a Hillary por não verem nela uma representante dos ideais de Bernie. Ironicamente, o conservador republicano Donald Trump tenta se aproveitar dessa divisão entre os adeptos de Bernie para aumentar seu contingente eleitoral, afirmando que ambos adotam o discurso anti-Washington e acreditam que o sistema político está falido.

Perfis dos principais candidatos
Vamos analisar melhor cada um dos perfis dos principais candidatos, tanto os já que passaram por essa corrida eleitoral quanto os que ainda estão nela, e suas propostas. Dessa forma, vamos entender de forma mais clara quais podem ser os possíveis cenários dos Estados Unidos após as eleições de outubro:
Democratas
Bernie Sanders:
Formado em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, Bernie intitula-se socialista e focou sua campanha na redistribuição de renda e na defesa de que ricos devem pagar mais impostos e financiar benefícios sociais. Com a justificativa de que partidos não podem ficar nas mãos de grandes empresas, Bernie apoia a reforma no financiamento de campanhas. Além disso, é a favor do aumento do salário mínimo, de licenças remuneradas e de uma reforma penitenciária que acabe com a pena de morte e prisões privadas. É, também, favorável ao aborto e à legalização da maconha, contra a violência policial e o racismo, e considera o aquecimento global uma ameaça mundial. Muitos adversários afirmaram que sua proposta de governo é idealista e que jamais teria apoio do congresso e do senado para tirá-las do papel.

Hillary Clinton:
Casada com Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, Hillary pode voltar à Casa Branca como primeira mulher presidente americana. Com um perfil considerado liberal, a democrata defende o controle de armas, a instituição da licença-maternidade, a igualdade salarial de gênero e a criação de leis que garantam acesso gratuito à universidade. Além de defender os direitos das mulheres, defende, também, direitos de imigrantes e homossexuais. Como crítica, alguns apontam Hillary como parceira de grandes investidores, o que poderia contribuir para o aumento da concentração de capital.
Republicanos
Donald Trump:
Com um patrimônio estimado de US$ 4,5 bilhões pela Forbes, o republicano Trump foi e tem sido, possivelmente, o candidato mais polêmico dessa corrida eleitoral. O bilionário pretende construir um muro entre os EUA e o México para barrar a entrada de imigrantes ilegais, além de expulsar todos os que já estão no país. Outra polêmica que chamou a atenção foi a sugestão de banir a entrada de muçulmanos no país. No âmbito da saúde pública, Trump também é radical: ele pretende substituir o serviço de ajuda pública por um sistema privado sem interferência do governo e é a favor da proibição de abortos, exceto em casos de estupro, incesto ou risco de vida. Além disso, o empresário defende uma ampla reforma fiscal, com impostos graduais de acordo com a renda dos cidadãos. As críticas contra ele estão pautadas basicamente na sua intolerância com o diferente, como imigrantes mexicanos e muçulmanos.
Ted Cruz:
Filho de um pastor evangélico cubano, o senador pelo Texas tem em suas ideias grande semelhança com Donald Trump. Suas principais bandeiras incluem uma forte repressão ao terrorismo, bombardeando áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico, o fim dos subsídios federais a planos de saúde e a redução do imposto de renda. Além disso, assim como Trump, a construção de um muro separando EUA e México, com alta restrição e fiscalização de entrada nas fronteiras era uma de suas mais fortes medidas sociais. Ainda que com ideias parecidas, na convenção para a escolha do candidato republicano, Ted Cruz se recusou a prestar apoio a Trump.
Conclusões:
Após essa análise breve sobre os principais candidatos que disputaram presidência dos Estados Unidos em 2016, podemos concluir que cada perfil tem sua peculiaridade. Muitas vezes, a histeria da população ou o surgimento de novas ideias refletem nas candidaturas políticas. Nesse caso, isso é bem nítido. Os recentes atentados terroristas ao redor do mundo criaram um clima de preocupação, em última instância até xenofóbico, no país e deixaram um ambiente propício para um grande crescimento no número de adeptos da política conservadora de Donald Trump e Ted Cruz. O aumento da discussão sobre concentração de capital e desigualdade social aliado a um movimento em prol dos direitos humanos reivindicando a legalização do aborto e o fim da pena de morte preparou o terreno para Bernie Sanders. Por fim, o atual movimento feminista de enorme importância para chegarmos a uma igualdade de gênero ganharia notória representatividade com a eleição de Hillary Clinton, visto que seria a primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

Diante de todos esses fatos, fica a certeza de que a conjuntura atual favorece a candidatura tanto de Hillary quanto de Trump, cada um à sua maneira distinta. Fica, também, a dúvida: qual deles será o escolhido em outubro de 2016?
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