5 músicas internacionais ‘suecadas’ pelos brasileiros

Em 2008, o Michel Gondry lançou mais uma obra que não recebeu a devida atenção pela grande maioria dos cinéfilos. ‘Rebobine, Por Favor’ (Be Kind Rewind) está longe de ser apenas mais uma comédia genérica com o Jack Black — por mais que eu as ame. O enredo do filme gira em torno de dois amigos que, após apagarem acidentalmente todas as fitas de uma locadora, acabam sendo obrigados a refazer os filmes com a ajuda dos moradores da redondeza. Desse filme surgiu a expressão “suecar” (sweded, no original), a forma que foi apelidadas essas versões dos filmes clássicos.

No mundo musical, esse conceito já é bastante conhecido — principalmente no território brasileiro. Resolvi então fazer um TOP 5 das melhores, mais excêntricas, famosas, ou apenas mais inesperadas músicas suecadas para o português. Já deixo avisado de antemão que ficarão de fora grande parte dos rocks dos anos 50 e 60 que são um imenso cardápio de suecadas, pois merecem uma postagem própria.

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5. Se a gente se entender de Angélica

Em 2001, Angélica resolveu fazer sua mais audaciosa suecada. ‘Linger’ se transformou em ‘Se a gente se entender’. Nunca entendi (e ainda não entendo) como funciona as regras dos direitos autorais aqui no Brasil. Contudo, graças aos céus pelas leis permitirem obras como essas. Se a Angélica não tivesse cantado a abertura de Digimon com um lindo chapéu azul de exploradora e interagindo em chroma key com o desenho, esse com toda certeza seria o ápice de sua carreira musical.

Música Original: Linger de The Cranberries
Música Suecada:

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4. Paulinha de Calcinha Preta

Em uma ida rotineira ao supermercado, minha mãe teve a iluminção espiritual necessária para pegar um DVD de uma pilha e comprá-lo. Era um show do Calcinha Preta. Tenho que registrar aqui que recebi uma educação bem estruturada de forró e conjuntos regionais por parte da minha mãe que consistiu da Banda Calypso a arrochas nordestinos, passando pela Banda Djavu (e DJ Juninho Portugal!). Calcinha Preta é conhecido por suas suecadas. De U2 a Fergie, até Guns n` Roses e Lady Gaga; nenhum hit ficou a salvo das versões do conjunto — que mudou tanto de formação quanto os ‘Temptations’. Paulinha é um exemplo de letra que não tem nenhuma relação com a original, mas ainda consegue passar o mesmo sentimento. MENTIRA! Só queria colocar aqui pra você ficar com “PAULIIIIINHA! ME DIZ O QUE QUE EU FAÇUUU?” na sua cabeça também.

Música Original: Without You de Mariah Carey
Música Suecada:

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3. Catedral de Zélia Ducan

Todos conhecem essa música, certo? Durante algum tempo, todos os lugares do Brasil tocavam essa canção da Zélia Ducan. Supermercados, vizinhos, lojas de roupas, igrejas (!)… Nenhum lugar estava a salvo do poder de persuasão de “no silêncio… da catedral”. Bem. Se você, assim como eu, achou que se tratava de um momento de criatividade divina da cantora advindo do além, se enganou. Suecada de mestre. Medalha de bronze.

Música Original: Cathedral Song de Tanita Tikaram
Música Suecada:

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2. Eva de Banda Eva

Aqui temos um caso complexo. Por muitos anos da minha existência, eu acreditei piamente que a música ‘Eva’ era uma composição original da Banda Eva. Na minha cabeça fazia totalmente sentido, ainda mais se pararmos para pensar no nome do conjunto. Quando descobri que se tratava de uma versão da música da banda Rádio Taxi, eu entrei em uma profunda crise existencial. Que durou exatos dois minutos, é verdade, mas existiu. Minha segunda crise com a história dessa música foi descobrir que ela nem sequer era uma composição original brasileira. Na realidade, Eva é uma canção italiana de Umberto Tozzi lançada em 1982. Lidem com isso, Brasil!

Contudo, pela sua importância na minha trajetória, ela merece o segundo lugar desse pódio. Medalha de prata para a Banda Eva e a Rádio Taxi.

Música Original: Eva de Umberto Tozzi
Música Suecada:

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1. Imortal de Sandy & Junior

Sendo uma cria dos anos 1990, eu não posso colocar qualquer outra suecada em primeiro lugar que não fosse a versão de Sandy & Junior para a música ‘Immortality’. Esse single da Celine Dion composto pelos Bee Gees (!) por si só já merece um estudo mais aprofundado. Uma parceria que pra mim parece tão bizarra quanto Roberto Carlos e Jennifer Lopez em Chegaste. A versão de Sandy & Junior marcou minha infância (e de uma galera!) além de transformar em poesia o óbvio “o que é imortal, não morre no final”. Medalha de ouro e estrelinha dourada.

Música Original: Immortality de Céline Dion ft. Bee Gees
Música Suecada: