Big Mouth ( 1ª Temporada, 2017)

Já quero começar esse texto falando que Big Mouth foi uma grande surpresa. Meu primo tinha enviado o trailer pra mim há algum tempo. Eu curti a ideia, dei umas risadas internas e meio que anotei na listinha que eu tenho no canto do subconsciente junto com a maioria das indicações que recebo. Antes de ontem, ele me relembrou e comentou que a série tinha sido disponibilizada no catálogo da Netflix. Que ótima ideia, pensei. Fui ver um episódio para ver qual seria o tom e acabei vendo os cinco primeiros. Depois fui ver o sexto episódio e acabei terminando a temporada. Não posso dizer que não é um seriado que te prende.

Big Mouth é uma animação original da Netflix sobre jovens passando pelo conturbado período da puberdade. Você pode achar o plot batido se considerar que a imensa maioria dos filmes de high school americano tentam retratar esse mesmo período da vida de seus protagonistas — por mais que a maioria dos atores aparentem já ser pais e mães de família. Ou, ainda, achar um plot muito básico para alguma coisa interessante de fato ser desenvolvida. Aí, meu amigo, que Big Mouth surpreende.

O seriado foi criado por quatro pessoas que tem trajetórias completamente únicas e distintas, o que torna a amalgama que é a narrativa algo bastante original e peculiar. Participaram do processo de criação desde um roteirista de Family Guy (Andrew Goldberg) até o casal que roteirizou (Jennifer Flackett) e dirigiu (Mark Levin) ABC do amor (!!). Então, por mais que o seriado pegue bastante pesado com suas piadas em alguns momentos (e ele pega!), sempre consegue manter uma história concisa que serve ao propósito de desenvolver seus personagens.

Devo alertá-los que esse é um seriado que passa pela maldição Rick e Morty de primeiro episódio. Essa maldição se deve, em ambos os casos, por conta de seus criadores quererem mostrar em um único episódio todo o potencial do desenho. Eles acabam pesando a mão em piadas que eles constroem de maneiras muito melhores ao longo da narrativa, além de ofuscar os arcos dos personagens. Aguente firme, amigo, que valerá a pena.

A história gira basicamente em torno da amizade entre Andrew e Nick. Andrew é visitado pelo monstro do hormônio que dá início ao seu processo de puberdade, enquanto Nick não. A história se dá, então, por essa diferença de percepção entre os dois garotos de diversas situações. Ambos são personagens bastante complexos em sua aparente simplicidade. Enquanto Nick segue sendo um filho que se sente sufocado por seus pais amorosos e liberais, Andrew lida com os recém-adquiridos hormônios em um lar disfuncional e com seus pais relapsos. Essa dicotomia é posta à prova a cada novo episódio.

As situações mostradas durante o seriado vão seguindo uma crescente de loucura que vão desde uma paródia de uma música do R.E.M. com uma letra sobre menstruação até um universo pornô alternativo que serve como uma fortaleza para emoções reprimidas. Temas bem delicados como a descoberta da sexualidade são tratados de uma maneira bem escrachada e divertida fazendo com que você lembre (ou não!) de situações semelhantes aos dos personagens e consiga dar risadas das peculiaridades que surgem no caminho deles.

O que para mim é o maior trunfo do seriado é a sua capacidade de ir lentamente construindo e desenvolvendo cada um de seus personagens. Dos pais das crianças que começam a série deixados de lado e vão gradativamente se tornando relevantes, até piadas que vão se revelando pontos importantes para a trama. Tudo isso com um background de piadas non-sense que vão desde uma homenagem a Seinfeld até uma subida de barco a lá Apocalipse Now com Stallone refazendo seu papel mais emblemático: Stud em Garanhão Italiano.

Tentei não falar muito dos coadjuvantes, porque eles são os verdadeiros twists da narrativa. Para todos que já viram, eu gostaria de ser a Jessi quando crescer! AND, Kristen Bell dubla sua melhor personagem nesse seriado: um travesseiro!

(ficarei bem triste se for cancelada pela Netflix, pois me apeguei a todos os personagens)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.