Dia 08: Noção de tempo

Hoje foi um dia ordinário, daqueles que eu já comecei a esquecer. Nada demais aconteceu nem dentro, nem fora do trabalho. Não vi nada de interessante na rua e não senti muita vontade de fazer qualquer coisa.

A verdade é que a maioria dos meus dias são assim e eu não estranharia se os seus também fossem. Dias que parecem não somar em nada.

Quando menor, eu tinha um certo preciosismo com o meu tempo. Isso porque eu não gostava de ir à escola e por causa disso meu relógio funcionava baseado em quando eu estava na escola e quando eu não estava.

Eu tentava controlar o tempo. Cronometrava até. Quanto tempo vou ler esse quadrinho, quanto tempo vou jogar esse jogo, quanto tempo eu vou gastar indo até o mercado com meu tio.

Sim, eu fui uma criança bem estranha. Mas apesar disso, sinto em ter perdido essa mania. De certa forma, ao cronometrar meu tempo, eu tinha plena noção de quanto tempo eu gastava com cada momento do meu dia, mesmo que não levasse a risca sempre.

Hoje, passo uma hora no ônibus olhando pela janela. Me espremo no metrô por várias estações. E aceito que aquele é um processo natural do dia. Hoje, eu divido meu tempo baseado em quando eu estou e quando não estou no trabalho. Assim, é mais fácil que as coisas se tornem esquecíveis e irrelevantes.

Às vezes, pensar nisso me entristece. Às vezes, eu sei que as coisas são assim mesmo, uma noção de tempo baseado em checkpoints futuros e intermediado por dias a serem esquecidos.

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