Dia 102: Franqueza, fraqueza e desistência

Nesses constantes momentos quando me sinto perdido num mix de agonia e ansiedade, eu começo a pensar no que eu faria se tudo desse errado de fato.

Como eu já disse aqui antes, apesar de não gostar, apesar de tentar ser contrário, eu sou um pessimista. Não há muito o que eu possa fazer, é natural, vem de mim. Talvez eu seja assim porque meu pai também é um pessimista nato e toda essa minha ansiedade seja fruto da frustração dele ao chegar aos 50 e perceber que não se tornou quem esperava se tornar.

Acredito que meu pai seja mais forte que eu. Se ele não é, acredito que o tempo de deixe mais resistente.

Tenho que ser franco, eu não aguentaria fazer o que meu pai faz desde que eu nasci: engolir seco e admitir que tudo deu errado, mesmo que você tenha constituído uma família, mesmo que seus filhos tenham saúde.

Em algum momento da vida de um pai (pode ser uma mãe também), seus sonhos passam a não ser mais prioridades, eles são descaracterizados como pessoas com objetivos para se dedicarem apenas às suas crias. Parece uma armadilha que todos ignoram e acabam eventualmente caindo.

E meus pais cairam.

Eu penso nisso todos os dias. Penso em como um dia todos os meus objetivos podem não ser mais as verdadeiras prioridades e eu talvez tenha que prosseguir sem realmente conquista-los. Ao que me parece, estou vivendo uma fase onde tudo é conquistável, alcançável… Mas vale realmente a pena abrir mão de todo o resto por isso? Ou não estou abrindo mão de nada?

Holywood não ajudou muito a levar a busca pelo "sentido da vida" muito sério. Mas começo a acreditar que estou prestes a empacar nessa questão.

Preciso pensar mais um pouco.


Até amanhã.

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