Dia 103: Como eu começo uma história

Passei o dia escrevendo e assistindo a segunda temporada de Narcos — que inclusive continua passando logo à minha frente enquanto escrevo isso.

Mas não é sobre o quão horrível Escobar era que eu quero falar. Quero falar sobre o atual estado do conto que prometi lançar daqui algumas semanas.

Como eu já disse aqui antes, a parte mais dificil de um texto é seu começo. E estou sentindo isso novamente com esse conto. Não fiquei com muitas delongas, apenas iniciei e vou ver onde o fluxo textual me leva. Tenho uma noção do que quero escrever, mas ainda não delineei os fatos chaves que comporão a história.

Geralmente, é assim que eu começo a construir uma história: Me faço perguntas.

Sobre quem estou escrevendo e sobre o que estou escrevendo? Essas perguntas geralmente me levam à outras perguntas como: O que sujeito X está procurando? Onde ele encontrará o que procura? Como ele encontrará o que procura?

Na maior parte das vezes, parto de insights a respeito do que meu personagem está procurando porque, afinal de contas, sem ter um objetivo, uma recompensa, algo que empurre seu personagem através da história, não há espaço para confronto e logo não há espaço para história.

Com esse conto foi diferente. Não me perguntei nada. Simplesmente comecei a escrever. Não acredito também que essas perguntas sejam uma fórmula determinante, talvez eu consiga escrever sem utiliza-las.

Por ora, tenho duas páginas escritas. Mas quer ver como essas perguntas funcionam?

Sinopse: Essa história é uma ficção cientifica, como usual. O ano é 2154. Um doutor de robotica biologica vai investigar porque um dos autômatos mais valiosos já criados pela humanidade está morrendo.

Protagonista: Meu protagonista se chama Nikolas De Mileto, uma referencia à Nikolas Tesla e ao filósofo grego Tales De Mileto.

O que Nikolas está procurando? Ele é um doutor de robotica biologica e foi selecionado para se encontrar com um dos autômatos com mais tempo de atividade registrado. A expectativa de vida do automato era de apenas 120 anos, mas ele transcendeu esse prazo. Nikolas quer tentar entender o porquê da longevidade do autômato.

Onde ele procurará? O mundo foi dividido em setores depois de um acordo para cessar uma guerra mundial. Nikolas viaja até o Setor 16, antigo Afeganistão e onde o autômato está instalado.

Como ele encontrará o que procura? Nikolas entrevistará e analisará o automato, mapeando as suas atividades nos últimos anos e checando os registros em seu corpo. Ele só não espera encontrar a quantidade absurda, comovente e chocante de memórias no cérebro do robô.

Viu só? Tente fazer algo parecido com uma história sua. As respostas permitirão que você escreva com mais coesão e evitará que fique muito tempo caçando buracos na história.

A respeito do seu estilo de escrita, não se preocupe com isso. Escreva o que vier na sua mente e do jeito que você acha melhor. A escrita não requere que você seja um letrado.

Palavras devem iluminar um caminho, não fecha-lo. Escreva.


Até amanhã.

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