Dia 105: Clube da Luta

Você provavelmente já ouviu falar daquele filme do David Fincher chamado Clube da Luta, não? Se não ouviu pelo David Fincher, ouviu porque o Brad Pitt é o antagonista ou porque o filme é simplesmente uma unanimidade quando se trata de clássicos dos anos 90.

Lembrou? Sim, eu vou quebrar a primeira e segunda regra e vou falar sobre Clube da Luta, mas não exatamente sobre a história, mas sobre o conceito do clube em si.

Eu adoro o filme, assim como também gosto muito do Chuck Palahniuk que escreveu o livro que originou o filme.

De tempos em tempos, quando me pego vazio, eu penso em como seria bom se alguém fundasse verdadeiramente um Clube da Luta, em como seria bom sair do trabalho e ir ao clube. Às vezes, não em atitude masoquista ou sem qualquer cunho sexual, acredito que entrar numa luta deve ser algo sublime.

Sem sapatos, sem camisa, sem trapaças. Apenas as mãos, a sua própria força e um espaço mínimo para que a briga se desenvolva. E não me estranhe, não sou um psicopata ou uma pessoa violenta. Mas acredito que é preciso que algo te atinja para que você se sinta mortal, vivo e presente.

Tamanha foi minha frustração e fixação a respeito dessa ideia que eu pensei seriamente em me matricular em uma academia de boxe apenas para bater e apanhar. Na época, não sabia explicar exatamente porque eu queria tanto começar uma briga, mas sabia que iria ser recompensador. Então me lembro do personagem de Edward Norton no filme e percebo que ele também não sabia ao certo porque estava se interessando tanto pela ideia de Tyler Durden.

Talvez esse sentimento de invalidez, de peso nas costas, de desamparo, seja exatamente o que o personagem de Edward Norton relacionava com o atual estado de sua vida: Parada, empacada.

Às vezes, quando paro e penso a respeito, me pego num devaneio de pensamento onde estou perdendo uma luta. Alguém está me distribuindo socos cruzados no rosto enquanto eu olho para o teto feliz a cada pancada.

Estou vivo.

Soco.

Estou vivo.

Soco.

Estou vivo.

Soco.


Até amanhã.