Dia 115: O que eu estou fazendo da minha vida?

Não tive a oportunidade de contar ontem, mas passei o dia na rua assistindo filmes da 40a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ou, pelo menos, eu tentei. Hoje, eu consegui ver três, o que cobriu meu dia inteiro.

Quero ir direto ao ponto. Hoje foi um daqueles dias que eu passo por um momento que me joga entre uma quase e genuina felicidade, mas que geralmente termina numa tristeza existencial que ainda não aprendi a lidar.

Ao terminar o segundo filme do dia — O que Restou da Minha Vida — tive a oportunidade de conhecer o diretor e a atriz principal do longa alemão. Até tirei foto. Mas apesar disso, o que me pegou de jeito foi a (mini) conversa com o diretor logo ao final da sessão. Feliz por eu ter conseguido expressar meu sentimento sobre o filme — "Your movie is beautiful. Thank you for it" — , eu percebi o quão fantástica deveria ser essa sensação de emocionar os outros através de anos e anos para esculpir um filme da melhor forma que você conseguir.

E é nesse momento que fico feliz por encontrar tanto contentamento e paz de espirito no cinema. É nesse momento que me sinto feliz por ter uma oportunidade como essa que tive hoje de encontrar um diretor alemão que eu não conhecia e mesmo assim conseguir entender o entusiasmo que ele exala ao falar da sua obra.

Mas logo esse sentimento de contentamento se esvai. O diretor e a atriz somem no meio da multidão de curiosos São Paulo adentro e eu entro em outra sala de cinema. Esse filme, o terceiro, pós os fatos que estou narrando aqui, não consegue me pegar. Eu me sinto desconcertado. Eu, pela primeira vez, não me sinto à vontade numa sala de cinema. E por quê?

Porque eu estou perdido.

A maior parte dessa jornada dos últimos 115 dias foi a respeito de quão frustrado eu estava por não estar na universidade, por não estar estudando. Mas eu nunca pensei em como me sentirei ao segurar o diploma de publicitário formado na mão. Eu nunca pensei em como vou me sentir trabalhando com publicidade. Eu só tenho ideias legais e isso… Isso não é o suficiente.

Volto para casa tentando não pensar no assunto. A sensação boa que o segundo filme me proporcionou volta ao meu cérebro e me sinto vivo novamente. Por um momento, proponho: Esqueça isso por agora. Pense em quão fantástico um simples dia foi, o quanto ele te ensinou.

E eu penso.

Penso em como alguém que nasceu há pouco mais de trinta anos atrás dirigiu um filme na Alemanha e foi selecionado para uma mostra de cinema em SP. Não. Perdão. Não "uma mostra", eu quis dizer "a mostra".

Everything happens for a reason, deixou o diretor como mensagem após encerrar a sessão de perguntas depois da sessão. E isso é mágico. Veja por si só:

………………………………………………[Alemanha]

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……….…[Brasil]

E, forçando as fronteiras do que meu agnosticismo permite que eu fale, é como se eu houvesse uma ligação cósmica entre tudo. É mágico como alguém pode influenciar em duas horas do seu dia e servir como um estalo de dedos na sua cara indicando: Acorda. Acorda.


Até amanhã.

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