Dia 143: Sangue

Eu acho que estou ficando resfriado. Meu nariz está chato e irritado e eu estou cada vez espirrando mais.

É muito difícil eu ficar doente. É coisa de uma vez ao ano e olha lá. Talvez seja característica do sangue nordestino e duro na queda que minha avó materna compartilhou na minha linhagem.

Minha avó materna ficou viuva quando ainda vivia seus melhores anos. Minha mãe e meus tios eram crianças que não passavam de oito anos e a casa onde eu moro hoje era composta por terra, reboco e madeira. Quando meu avô morreu devido ao consumo descontrolado de bebidas alcolicas, minha avó teve que ir melhorando a casa aos poucos. Esse bairro em que vivemos foi começado por terras compradas pelo meu avô, minha avó e um grupo de moradores. Tudo aqui era terra, minha sempre me lembra.

Quando eu quero buscar um exemplo de força, a ficção ou alguma pessoa aleatória pelo mundo são os últimos a serem cogitados na minha cabeça. Minha avó perdeu o marido, foi trabalhar, construiu a própria casa, cuidou de três filhos e continua sonhando até hoje, com 70 anos, em fazer mais coisas.

Talvez esse seja o meu tipo de imunidade. Está no sangue, no suor, na pele. Então, quando eu parecer esquecer isso tudo, por favor, me lembrem.


Até amanhã.

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