Dia 45: Estagnado

Eu desprezo a falta de desejo de viajar. Não entendo como alguém pode ficar preso a um lugar a vida inteira e não se incomodar de não mudar os ares, ver novas vizinhanças ou conhecer novas pessoas.

Meus pais são assim, não têm ambição de irem para lugar algum. Porém, acredito que esse desinteresse não se deva ao fato de que não gostam de viajar. Eles gostam. Mas vão apenas à praia uma vez por ano ou ao sítio do meu avô. Já foram tantas vezes à esses lugares que é como se lá fosse uma segunda casa onde eles conhecem todos os arredores e pessoas. Com isso, acredito que o desistesse por viagens mais ousadas parta da questão de que meus pais nunca tiveram tempo para eles mesmos. Sempre estavam trabalhando ou estudando. Sempre estavam preocupados com as despesas ou com as notas dos filhos.

Viagens eram — e ainda são — um luxo que eles não podem cometer.

Por causa disso, cresci com uma fome enorme de conhecer todos os lugares possíveis, ir o longe que eu conseguisse.

Talvez isso soe estranho para alguém que me conhece bem e sabe que eu dificilmente levanto da cama quando me chamam para sair. E é verdade. Eu raramente saio com amigos.

Isso porque a vontade de viajar é menor do que a minha vontade de criar algo. Esse ano vem sendo produtivo para mim. Lancei esse, esse, esse e comecei a participar desse podcast. Além disso, há 45 dias escrevo diariamente aqui. Isso para não mencionar os projetos que tenho engavetados esperando por um espaço nos meus dias para produzi-los.

Eu gosto de chamar ideias de projetos. Gosto de nomear pastas no meu dropbox e organizar planilhas com previsões de custo para realizar essas ideias. Gosto de falar com pessoas que possam ajudar ou colaborar comigo. Eu gosto de me sentir em movimento e o dia em que isso parar, eu sinceramente não tenho motivo para continuar vivo por muito tempo.

Mas é claro que esse texto tem um porém final. Nesse caso, o problema — ou o porém — é dado quando o sentimento de estagnação não some do meu corpo. Sentimento esse que pode ser traduzido para uma linguagem figurativa como uma âncora, pesada e que me prende no mesmo lugar.

Lugar esse que pode ser representado pela minha casa, pelo meus pais, pelo meu bloqueio no Juris e n'A Tragédia Humana.

Por isso, eu ando pensando que seria bom priorizar esse meu desejo de conhecer outros lugares. Viajar e falar com pessoas novas.

Tenho uma viagem marcada para daqui pouco mais de um mês. Estou depositando nela todas as minhas fichas para diminuir esse sentimento de estagnação.


Até amanhã.