Dia 48: Livros adolescentes e relacionamentos

Vou escrever como se isso fosse um monólogo de uma comédia romântica do Cameron Crowe.

Tudo na minha vida parece ser regido pela minha fixação por histórias.

Eu sempre li muito. Nasci em 1996 e durante os anos 2000, Harry Potter já fazia o sucesso que pelo qual é hoje reconhecido no mundo literário. Porém, apesar da idade bater e de viver numa época que pessoas da minha idade estavam lendo Harry Potter e esperando o oitavo livro, por causa de um grupo de amigos, eu li Percy Jackson — que tem basicamente a mesma estrutura de Harry Potter, só que é baseado em mitologia grega.

A leitura do livro me levou à conhecer pessoas que também estavam interessadas em Percy Jackson. Fui à estreia da péssima adaptação cinematográfica do livro com algumas dessas pessoas. Lá conheci duas garotas (que preservarei os nomes).

Uma dessas garotas se tornou uma grande amiga com o tempo e, como todo adolescente idiota, é claro que um dia resolvemos namorar.

Esse é o ponto que eu vou cortar vários detalhes desinteressantes e resumir tudo da seguinte forma: O namoro era virtual, coisa de criança e é claro que não deu certo, mas ao conhecer uma colega de escola dessa ex-namorada — pessoa essa que eu nunca tinha visto pessoalmente na minha vida — descobri uma nova amiga.

O nome dessa amiga também vai ser preservado. Só saiba que eu ainda tenho contato com ela.

Desde então, crescemos juntos e nos falávamos pela internet. Ela me viu entrando e saindo do ensino médio, assim como eu também a vi fazendo a mesma coisa. Ela me viu entrando na faculdade e eu também presenciei a entrada dela.

Nós nunca nos iludimos muito com espectativas. Desde sempre, cogitávamos quando iríamos parar de nos falar. Perder o contato. Nos tornar estranhos.

Pois bem, um detalhe que talvez você não tenha sacado ainda é que fazem sete anos que conheço essa pessoa que sabe sobre meus gostos pessoais e conhece minhas ambições. É alguém que poderia entrar no meu quarto sem bater na porta. Alguém que poderia dormir no meu ombro durante uma viagem longa.

O que você não sabe é que eu nunca encontrei essa menina pessoalmente durante todo esse tempo. Sim. Isso mesmo.

Por vezes, tentamos marcar algo, mas fatores como insegurança, tempo ou condições climáticas sempre atrapalharam que esse encontro acontecesse.

Atrapalhou tanto que agora ela está de mudança para outro estado. Vai estudar numa federal do Rio de Janeiro.

E sim, não é tão longe.

Mas é mais longe.

E por saber disso, ontem marcamos de almoçarmos juntos. Eu aflito depois de terminar uns trabalhos. Ela vindo de casa.

E tudo estava bem até que, claro, algo aconteceu.

Algo sempre acontece. E ela não pôde ir.

Foi o último final de semana em São Paulo de uma das pessoas mais especiais que conheço e tudo deu errado.

Eu lamento? Em parte, sim. Em outra, não.

Por quê?

Às vezes eu gosto ser hipócrita sobre o meu ceticismo e acreditar que de alguma forma, a preservação desse contato físico, presencial e visual crie um misticismo que talvez eu nunca encontre igual em qualquer outro tipo de relação.

É triste. Mas é o que torna tudo mais especial ao mesmo tempo.

Boa viagem, querida.


Até amanhã.

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