Dia 54: As Olimpíadas e meu sentimento nacional

Se você vive no planeta Terra, deve ter ouvido que as Olimpíadas do Rio de Janeiro acabaram hoje. Quero aproveitar esse momento para registrar meu atual estado de espírito patriotico.

Se você procurar com cuidado, seja na internet ou em alguma memória sua, caso conviva comigo, provavelmente vai se lembrar de alguma vez que eu declarei que não gostava do Brasil. Esse tipo de declaração era bem comum quando eu estava no ensino médio porque foi o auge do meu fascínio através do descobrimento de cinema e criadores estrangeiros.

Talvez por consumir, desde sempre, muito mais conteúdo estrangeiro do que nacional, eu tenha criado dentro de mim essa ojeriza automática pelo o que é brasileiro, algo que passou a se tornar um conflito interno quando entrei na faculdade, ano passado.

Percebi que só tinha a perder em não me deixar brasileirar, o que, eu tenho que dizer, muitos de nós fazemos. Aos poucos, fui me interessando pela literatura, pela música, mas principalmente pelo tipo de povo que somos.

Mudando o quesito, tenho que dizer que é bem fácil que confundamos a negligência do estado de incentivar o aculturamento brasileiro para com sua própria diversificada cultura com as pobres produções artísticas que são expostas em lugares que mereciam melhor curadoria.

Não gosto de dizer que aprendi a gostar do Brasil, esse discurso não serve nem para cerveja e muito menos para o Brasil. O que aconteceu foi que, durante a Copa de 2014, eu percebi que vivia num dos país mais ricos do mundo e não sabia quase nada sobre ele. Culpa da escola? Em parte, sim. Mas em outra, sempre cabe à sua ignorância a parcela de culpa devida.

Em comparação com 2014, hoje, assistindo a cerimônia de encerramento dos jogos Rio 2016, eu me senti mais preenchido e sinto que ainda há muito o que conhecer e espaço para preencher.

Hoje, a minha vontade de sair do Brasil não é por motivo de descontentamento cultural, muito pelo contrário, pela primeira vez, mesmo sem ter vivido fora, sei sobre o sentimento de saudades do país que tantos brasileiros que moram fora falam.

Meu problema mesmo é em descobrir se o Brasil pode me dar as mesmas oportunidades que o exterior oferece. Só que isso é uma outra conversa para um outro dia.

Por hoje, quero apenas deixar registrado que sentirei falta das Olimpíadas.


Até amanhã.

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