Dia 57: Medo de morrer

Eu não tenho medo de morrer. De verdade, a morte não me aflinge.

Minha mãe sempre se assustou com essa declaração que passei a repetir desde que me entendo por gente e meu pai… Bem, meu pai tem medo da velhice, fica estampado no rosto dele quando citamos a última fase da vida.

Percebo que a cada ano, eu fico mais inconsequente. Apesar de ter mudado a minha alimentação para melhor esse ano por iniciativa própria e ter regulado a minha escrita, eu estou escolhendo caminhos cada vez mais íngremes para o meu futuro.

Fazer filmes. Conhecer o maior número de lugares possíveis. Conhecer o maior número de pessoas possíveis. Viver e contar histórias. Fazer coisas que eu achava que nunca faria. E estudar e trabalhar até morrer.

Parece legal e positivo escolher por fazer essas coisas, mas estou abrindo mão, em partes, da crença popular de que faculdade, trabalho e família são o suficiente para uma vida boa.

Por sinal, passei parte da minha manhã num consultório médico hoje. Todos pareciam mórbidos, cinzas e desalmados. Meu médico, Dr. Antônio como o conheço desde sempre, aceitou me atender mesmo depois de um atraso de vinte minutos. Fui ao consultório com uma suspeita de problema no estômago e apesar de não aparentar a preocupação, todos à minha volta me cobravam a ida.

No consultório, Dr. Antônio me atendeu como sempre — perguntas sérias, voz séria, mas uma expressão calma e anestesiada, como um personagem cartunesco. Ao final da consulta, recebi o aval de que não estava doente. É um problema reversível. Ganhei mais uma pilha de exames para fazer e então fui para casa.

Em nenhum momento, eu cheguei a me preocupar, muito pelo contrário, durante a ida até o consultório, eu estava mais preocupado com a sequencia de músicas da playlist que eu havia feito do que com a consulta em si.

Sinto-me bem por isso. Sinto-me bem por não entrar na paranoia de morrer.

Hoje, eu não tenho medo do fracasso em vida. Tenho medo do fracasso sem a possibilidade de réplica. Ou até mesmo, medo do sucesso em algo que não me cabia ou que seja exatamente o que eu queria.

Isso é assustador.

Lembro-me claramente de um dialogo do filme Whiplash que apesar de manjado, faz até que sentido. Nele, o protagonista diz algo como (estou parafraseando):

Eu preferiria morrer bêbado e falido e ter feito algo da minha vida do que morrer rico e sóbrio sem ninguém se lembrar de mim.

Até o momento que eu continuar tentando conseguir o que quero conseguir, acho que não chegarei a ter medo de morrer. Meu medo é de parar de tentar.

Antes que isso vire um post motivacional, eu vou parar por aqui.


Até amanhã.