Dia 61: Domingos

Eu detesto domingos.

O domingo não é um dia em que podemos fazer muita coisa. A crença popular define o domingo como um dia para se estar entre família, assim como a TV aberta parece entender também. É dia de talkshows, filmes, futebol e o quase unanime, Fantástico. É dia de almoço especial e tempo ocioso.

E eu odeio isso.

Seu celular desperta. Junto ao relógio, na área de notificações, uma ilustração infantil do sol te deseja um bom domingo.

O sol já passa pelas frestas das folhas de alumínio da janela, atingindo em linha reta, pontos que parecem sempre tanger para seus olhos.

É domingo.

A pior parte da minha semana é aquele resquício do domingo. Você está em casa, a TV está ligada e a vinheta do Fantástico passa ao fundo, anunciando o cortejo da morte eminente da sua paz.

Você não vai acordar bem na segunda porque no sábado foi dormir tarde e acordou tarde no dia seguinte, o que significa que demorará para pegar no sono. Como se isso não fosse o bastante, se alguém não tiver a ideia genial de pedir pizza e gastar os poucos tostões que você tem para o almoço semanal, o seu jantar será provavelmente alguma sobra da comida de mais cedo.

E então, já pela noite, que viera imperceptivelmente, como se o dia não tivesse acontecido, você vai até a janela e observa seu bairro. À frente de seus olhos, são muitas as casas iluminadas apenas pela luz do televisor e ocupadas por pessoas estufadas de pizza. É como uma convenção. Uma cultura. Um ritual.

Ritual esse que não aprendi a ignorar totalmente.

É assustador. Toda semana. Assustador.


Até amanhã.

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