Dia 76: Comodidade

De vez em quando, uma faísca de energia e otimismo me invade. A quantia é o suficiente para que eu reganhe um gás para tirar coisas do papel, para espremer compromissos nas minhas horas diárias, e até tentar salvar algum tempo para dedicar a relacionamentos.

Hoje, durante o retorno para casa, isso aconteceu.

Lembrei sobre meu plano de fazer filmes semanais no ano que vem e por um momento, não conseguia pensar em como isso poderia dar errado.

Pensei no Um Dia na Vida que vem recebendo uma reposta legal desde que foi criado e por fim pensei nos meus podcasts.

Porém, apesar disso… Eu estou parado. Estacado. Não consigo assumir compromisso algum mais. E mesmo com tantas coisas erradas e tantos problemas acumulados, sempre opto pela solução de sempre: coloco-os numa lista para tentar mata-los feito Beatrix Kiddo em Kill Bill.

Ao sentar para escrever, ainda sem saber sobre o que, percebi que esse é meu centésimo texto no Medium. Por um momento, aquela energia de mais cedo foi duplicada, convertida em felicidade, até se encontrar com um conflitante e bipolar sentimento de contentamento que logo tendeu ao polo negativo.

Novamente, realizei uma meta, mas não me sinto feliz por isso. Não me sinto contente. Não me sinto satisfeito.

Mais uma vez, tendo a pensar que todas essas palavras aqui são em vão, que todos os pensamentos compartilhamos não atingiram ninguém e que esses textos valem mais em conjunto do individualmente.

Menosprezo, como de costume, não por qualquer reação de humildade, mas pela incapacidade de me julgar capaz.

E assim sendo, hoje, com o controle maior do meu nível de escrita, minha fluidez de pensamento, sei que uma coisa fora eliminada – minha comodidade.

Ao menos, apesar dos pesares citados acima, sair da zona de conforto funciona, ajuda. Fazer isso toda noite ainda mais.

Meu próximo passo é só não me deixar acomodar nesse sentimento de contentamento com minha própria baixa estima e com meu próprio pessimismo.

Enfrentar isso vem sendo a verdadeira guerra para mim. Não por falta de me auto elogiar, mas de sentir que eu deveria estar sim contente por ter chegado até aqui.


Até amanhã.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.