Dia 83: É só isso?

Tem uma música da Peggy Lee que eu adoro. O nome da canção é Is There All There Is? e provavelmente é uma das músicas mais tocantes que eu já ouvi na vida.

Se tiver a oportunidade de ouvi-la agora, ouça. Clique no título da música no parágrafo anterior e acompanhe minhas próximas palavras.

Pode não parecer e podem não ser os piores e mais emergentes problemas do mundo, mas estou passando por uma das fases mais difíceis da minha vida. Encaro diariamente um excruciante e injusto julgamento por parte da minha própria consciência a respeito dos meus objetivos atuais. Há momentos que ignoro esse julgamento, essa autocrítica e me vejo preparado para encarar o que der e vier. Mas há momentos que, sem perceber o quão injusto eu possa estar sendo comigo mesmo, eu me privo de pensamentos muito sonhadores, muito fantasiosos e concluo momentaneamente que meus objetivos não vêm em primeiro lugar.

Existe algo pior do que viver uma vida privada de sonhar? Existe algo pior do que não poder perseguir o que você acredita?

Eu vivo nessa montanha-russa de autojulgamentos, de autoprivações que se estendem desde antes mesmo de todos esses textos diários aqui. Minha juventude vem se abatendo com a descoberta de que o mundo não está pronto para você, de que as coisas não serão perfeitas, zde que haverão coisas que parecerão mais prioritárias do que as coisas que você mais quer fazer na vida.

Nos últimos meses, vi meu pai ficar desempregado, vi as coisas em casa piorarem, vi minha mãe levar muita coisa nas costas sozinha e também vi meu pai se sentindo um peso morto.

Hoje, as coisas estão um pouco melhor. A crise ainda existe nas casas, nas ruas, no Brasil. Mas eu, como um pessimista nato, nunca esperei muita coisa da vida, não esperei que as coisas fossem ser fáceis.

O que me dá força sempre que passo por um aperto é deitar no sofá durante a tarde e pensar como Peggy Lee escreveu na música que inspirou esse post de hoje:

Is there all there is to a fire?


Até amanhã.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.