Edward Hopper, Automat

Aquele reconhecimento que vem tarde — Um Sentimento #12

Quando tudo não faz muito sentido

Lucas acordou com o toque da mensagem ecoando no quarto. Esfregando as mãos nos olhos, tentava enxergar através do brilho da tela.

Engoliu seco, com gosto de ferro. O que a Jéssica quer? Tenho que acordar daqui duas horas.

— Oi… tá por ai?

— Oi, desculpe a demora. Já estava dormindo.

— Não queria te acordar, volta pro sono…

— Agora já acordei, diz aí.

— Ah, tava pensando aqui em você…

— Como assim?

— É que… você foi muito importante para a minha vida. Aprendi muito do seu lado. Foram só dois meses, mas amadureci tanto.

— Mas por que você está dizendo isso agora? Não estou entendendo…

— Ah, veio na cabeça. Fiquei inquieta e não conseguia dormir. Por isso vim falar com você.

— É legal saber disso, só não entendi onde você quer chegar.

— É que os homens parecem que não me enxergam como uma pessoa, sabe? Não perguntam da minha vida, não conversam comigo direito. De todos os caras que passaram, você foi o único que demonstrou se importar de verdade comigo.

Você é diferente do outros homens que conheço. Me olhava nos olhos, queria saber cada detalhe das coisas que eu gosto. Parece tão bobo isso, mas nenhum outro cara foi assim. Você me ajudou a entender minha importância, sabe?

— Ah, Jéssica, deixa disso… Nem fiz nada. Só te tratei normal, é o mínimo.

— Hoje em dia eu também acho que é o mínimo, mas aí que está o problema. Os caras não são assim, são todos muito superficiais. Nem quando querem namorar fazem questão de ter um papo legal.

Você me fez ser uma pessoa melhor, aprendi até a ser mais empática com os outros. É sério. Você é a pessoa mais compreensiva que eu conheço. Trata todo mundo com educação, sabe se colocar de verdade no lugar das pessoas. É fantástico isso.

Acho que nunca agradeci, então devo agradecer.

De coração.

— Nem sei o que dizer. Mas se te fiz um pouco mais feliz, já valeu.

— Me fez muito feliz, até hoje faz. Você é o cara mais fantástico que já conheci.

— Nem é pra tanto, já disse.

— Lu, tá muito tarde… Melhor irmos dormir.

— Tudo bem. Boa noite. Não some.

— Ah, você sabe… melhor ficar meio afastada.

— Está tudo bem entre você e o Marcelo?

— Tá sim. Ele tá roncando aqui.

— Certo, se cuida.

— Você também.


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