É como naqueles dias

Em que eu sinto uma firmeza em mim mesma e sobre o meu futuro.

Esses belos raros dias. Em que me perdoo e perdoo a outrem também. Perdoo, sobretudo, a imagem que faço do outro que, de longe, seria parecida, mas não tem nada a ver com o que o outro é, realmente. Lembremos que sou míope e astigmata, então, mesmo minha visão pode estar errada e embaçada, de longe.

O que eu suponho sobre você pode ter lá seu fundo de verdade, mas nunca vai se comparar a própria descrição de você sobre si mesmo. Você o faz maravilhosa e sagazmente.

Nesses dias, esses calmos e mornos dias, sinto uma lufada de ar manso preenchendo meu interior, como se eu fosse sustentada que nem um pluma pelo vento — sou levada, quem disse que não sou? Sim, vou flutuando até o interior de outros ambientes e, mesmo, pessoas.

Nesses dias, em que me busco de menos para mergulhar no outro, em que deixo todo o meu egoísmo e umbiguismo de lado; é nesses dias, meu caro, que sinto um peso enorme sair de cima das minhas costas — pois o outro é tão incomensuravelmente interessante, que eu fico a me perguntar: por que eu me cobro tanto para ser tanto? Posso me entreter com o que o outro é enquanto.

E, assim, tudo volta ao normal, ou, ao menos, como deveria ser: eu sem cobrar por demais a mim mesma; sem me sobrecarregar com mais do que com meus joelhos cansados podem aguentar.

Prefiro deixar o outro superar as minhas expectativas. É, pode ser que ele não venha a fazer isso, mas se tem uma coisa boa no esperar é esperar do outro, não muito de si.

Não veja como autossabotagem. Veja como um bote salva-vidas de quem vive calculando milimetricamente cada um de seus passos e, uma hora, só quer pedir descanso. Trata-se de se desvencilhar de ser seu próprio chefe. Deixar o despertador tocar mais cinco minutos da soneca, sim. Porque eu não sou de ferro, nem você é.

É, nesses dias, esses lindos e remansosos dias, que eu me dedico a pensar que: não preciso ser solene, não comigo mesma. Não todos os momentos, não todas as horas. Eu posso brincar comigo mesma, sim. Eu posso me por a entreter ou ver coisas médias e fúteis, sim. Pois não sou máquina de dinheiro, embora uns esperem que eu o seja.

Eu sou vida útil e vida inútil. Mas, sobretudo, sou vivida. E é nesses dias, meu caro, que me vejo sobrevivida. Sobrevivendo a sobre-vida. Sobrevivendo ao meio-dia. Mas vivendo ao largo a potência do meu dia: que é média, fraca ou com economia — de mim mesma, de energia.



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