From Soppy — Philippa Rice

As vezes em que amei

E olha que não foram poucas.

Você pode ler ao som de:

Aquelas vezes em que amei: não foram poucas, nem às vezes. Amei lugares, fronhas de travesseiros e algumas bocas. Amei jeitos de sorrir. Amei modos de por o pó de café na caneca, em uma manhã desassossegada.

“Quer duas colheres”? — eu não tomo com açúcar, mas se você tá oferecendo, é claro que vou aceitar.

Nas vezes em que amei, parece que me vesti de flores. Vivia perfumada, o cabelo bem-arrumado, como se a qualquer momento fosse receber um abraço do ser amado. Aquele ser alado, pois ele estava sempre voando nos meus pensamentos.

Nas vezes em que me amei, eu me derrotei menos — pois encarava a vida com uma esperança inenarrável. Amar faz um bem tão danado que te faz até levantar da cama sem despertador. Te faz sorrir ao acaso em um trajeto de ônibus rumo ao trabalho. Te faz criar versos sem sentido e a quem você homenageia, nunca serão mostrados.

Conservo tais lembranças de quando amei, pois amar e ser amado deve ser a grande mágica da vida — principalmente, pra quem se ama tão pouco e precisa se locupletar do outro; pra se sentir inteiro.

Tenho saudades desses momentos de pura ingenuidade e leveza de coração. Dão uma corzinha diferente aos dias frios. Dão um calor no peito que não incomoda mesmo em um dia quente de verão.

Amei muito. Despi-me mais. De vergonhas, de orgulhos e vaidades. Porque amar é renunciar a tudo que você conhecia da sua zona de conforto e dar sentido ao dia de alguém.

Sinto falta e, por senti-lo, é que tanto o busco. Mas será que, se eu parar de o procurar, eu finalmente o encontro?



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