Imagem: Pinterest.

O QUE EU PONHO PARA TRÁS?

(Ou: confissões de uma ansiosa).


Ontem, estava difícil dormir. Uma sensação que me atormenta há dias acaba me tirando o sono e me deixando pilhada à toa: ansiedade.

Eu quero fazer meus sonhos darem certo. Logo, sou “impaciente” e fico nervosa quando as pessoas ou coisas não funcionam na forma e no tempo que planejei para elas.

Na minha cabeça, estou sempre planejando. Embora, às vezes, não pareça.

Vieram me dizer esses dias que sou uma “maker”: ou seja, uma pessoa que vai lá e faz. Mas que talvez não pense direito nas coisas.

Cara, eu tô sempre pensando. E reanalisando tudo que é feito. E é justamente por pensar demais que eu faço logo.

Qual o problema das pessoas em achar que um ansioso faz as coisas “sem pensar”? E que o ansioso precisaria de alguém para guiá-lo, pois a motivação dele poderia ser “melhor aproveitada” com algum planejamento?

Acho que as pessoas têm uma visão muito errada sobre uma pessoa ansiosa.

O ansioso, na verdade, não é quem faz as coisas sem pensar; mas quem faz as coisas e, inclusive, pensando muito. Ou quem, por pensar muito, às vezes nem o faz. Por medo, insegurança, incerteza a quanto aquela empreitada dar certo ou não.

Mas achar que um ansioso não pensa chega a ser burrice. Estão confundindo um ansioso com uma pessoa impulsiva. E, sim, um ansioso pode ser também impulsivo: alguém que age por instinto, SEM PENSAR, mas movido pela ansiedade — esta nada mais sendo do que a necessidade de concretizar as coisas logo e depressa.

E pode existir um ansioso que não seja impulsivo? Sim, exatamente, o ansioso que pensa muito, calcula, e, consequentemente, até trava por causa disso.

Eu não consigo pensar que seja errado ser uma pessoa ansiosa; via de regra, ser ansioso não é um problema. O problema é o quanto a ansiedade faz decair a qualidade de vida de uma pessoa.

Uma dica? Quando as pessoas param de ver o ansioso como um incapaz, ou alguém que “faz as coisas sem pensar”, grande parte dessa ansiedade já se esvai. Pois o ansioso, além de estar sempre se cobrando para fazer as coisas e direito, também acha que os outros estão sempre observando isso nele.

Por isso, o que ajuda uma pessoa que passa por ansiedade, com certeza, não é alguém dizendo: “você está muito ansioso”. A pessoa só consegue se sentir pior com tal afirmação, pois ela sabe que, no fundo, isso tudo é coisa da ansiedade. Não precisa que ninguém lhe diga isso.

Na real, ninguém quer que a ansiedade seja a sua forma de se manifestar no mundo, nem que as pessoas reparem nisso. Um ansioso só quer ser normal, viver no tempo dos outros. Ser feliz com a graça de cada dia. E nos rezamos por isso: a da aceitação de que nem tudo precisa logo chegar ao seu fim.


Às vezes, fico pensando que os ansiosos são seres que já viveram num mundo deveras acelerado: em que a dimensão espaço-tempo nem existe. É fluida. E, por alguma brincadeira do destino, vieram esses seres alienígenas parar no planeta Terra. Talvez, para expiar seus próprios pecados de algum modo, por ocasião de algum acordo com o Santo Tribunal Divino.


Eu me sinto alienígena quando vejo que as pessoas ao meu redor não trabalham no mesmo tempo que o meu corpo e minha mente trabalham. Chego a me sentir errada por isso; fico pensando: mas o quê diabos tenho na cabeça? Por que eu não consigo simplesmente ficar em paz? Com as horas passando? Com as pessoas vivendo cada um no ritmo de suas vidinhas medíocres?

É que eu anseio por tão mais! E me derruba saber que as pessoas não sentem o mesmo!

Então, quando deito a cabeça no travesseiro e consigo, finalmente, pegar no sono, é tudo isso que ponho pra trás: a sensação de que sou finita e o tempo, ele também. Por isso, eu tenho que correr.


Sobre a Autora S. Paiva:
S. Paiva é o “alter-ego” literário de Karolline Maria dos Santos Paiva, ou, para os íntimos, Karol. Karol é carioca de nascença, mas nordestina de criação. Escreve desde os 9 anos de idade, quando começou a ensaiar seus primeiros versos. Na adolescência e no início da juventude, com o “boom” das redes sociais, passou a publicar seus escritos em blog’s e sites diversos, dentre eles: SuperEla, ONDDA e Revista Subjetiva. Com 23 anos, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas sua verdadeira aspiração de vida está na escrita. Assim, com 25 anos, está prestes a lançar sua primeira obra, da saga A Herdeira de Auramon, na Amazon. Mais recentemente, fundou o Clube de Escrita Criativa de Curitiba, organização sem fins lucrativos voltada para o aprimoramento do escritor contemporâneo e realização de eventos e palestras sobre a carreira literária para ambientes além de escolas e universidades. Você pode acompanhar o trabalho da escritora e receber textos exclusivos, inscrevendo seu e-mail na Newsletter: http://tinyletter.com/karolsantos

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