Créditos.

Quando você “toma abuso” das coisas

O que você faz?

Eu sou uma daquelas pessoas que são, modéstia à parte, a “alma da festa”: onde eu chego, consigo fazer amizades facilmente e quebro silêncios constrangedores de 1 hora (o tempo em que, geralmente, chego atrasada a tais festas).

Se tu quiseres me ver bebendo, então, meu amigo: eu vou fazer com que tu nunca esqueça aquela noite. Pergunte às minhas amigas dos meus 20 anos idos sobre o que elas já presenciaram: desde um “quadradinho de oito” (se você não sabe o que é isso — e saiu do coma -, clique aqui) coreografado numa pista de dança de uma balada requintada da Zona Sul do Rio a uma festa em que fiquei com dois caras ao mesmo tempo (eles não sabiam decidir entre si quem iria “ficar” comigo e deixar o amigo na mão, quando eu sugeri que poderiam ser os dois).

Sou daquelas que, no dia de algum evento, as pessoas já fazem piadinhas do tipo “nada que envolva [meu nome] e doses de Tequila”.

Pois bem: eu gosto de gente. Sou comunicativa, doce, simpática e “empatia” poderia ser meu sobrenome.

Sendo uma pessoa assim, qualquer um “de fora” estranharia os dias em que estou, simplesmente, apática. Ou seja, sem saco ou o famoso “enjoar da cara das pessoas”. Também, como dizem numa gíria piauiense, o “tomar abuso” de tal coisa.

O “tomar abuso” pode ir desde esse próprio enojar-se até o tomar tédio; não se empolgar mais com aquilo. É o “perdeu a pira” curitibano. E eu estou passando por um momento assim. Não consigo avistar quando a “empolgação” em relação às pessoas volte.

E isso gera, por óbvio, um estranhamento. Os convites para fazer algo novo chegam e eu, simplesmente, não consigo demonstrar muito ânimo. Para mim, é como se tanto faz como tanto fez ir ou não ir lá fazer a tal coisa. Salvo exceções, como quando me convidam para ir a um lugar aberto, tipo um parque, ou conhecer algo que desenvolva a minha espiritualidade, como me chamar para visitar um centro espírita, todos os eventos demais e que, sobretudo, envolvam gastar um dinheiro desnecessário não me apetecem muito.

Não sei é o chamado “tempo de crise” que dá essa tônica de melancolia às pessoas. Quase como uns germes da gripe que passam no ferro de segurar do ônibus (tinha um nome mais bonito para esse equipamento, mas esqueci) e você, descauteloso, pega ali e depois fica ruim também por não ter higienizado devidamente as mãos.

Só sei que teve épocas em que fui mais “feliz” ou mais “empolgada”, diriam alguns. Começo a questionar-me sobre isso e fico sem saber se isso não seria uma ilusão mental após voltar um olhar nostálgico, é claro, às coisas que já passaram. Mas as pessoas à minha volta já estão percebendo, perguntando por que estou diferente e essas coisas.

Só queria poder dizer para elas que não é nada, mas ninguém ia entender. Sou obrigada a dizer que estou cansada, que é por causa dos remédios que estou tomando, que não dormi direito, etc. É como se eu tivesse assinado um contrato de “ser feliz, disponível e amável todos os dias da sua vida” com as pessoas que tomam o passo de tornar-se minhas amigas. Pesado isso, sabe?


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