E Se Fosse Verdade (2005)

Será que já vivemos tudo isso?

Um relato do que é lidar com a constatação pessoal da reencarnação.

Vejam bem: eu fui criada em Igreja Católica. Estudei a minha vida quase toda em colégio católico. Então, quando se falava de qualquer tema ligado ao espiritismo perto de mim, boa parte dos meus pensamentos fluíam para a ideia de que era coisa “inventada” ou “crendice”.

Apesar de eu assistir, desde criança, a filmes de terror e ter gente na minha família que dizia ver espíritos (ou por causa disso tudo), eu era um tanto quanto cética quanto o tema era “vidas passadas” — achava tudo uma boa ficção.

Ora, a minha religião de base me fazia crer que só temos uma vida: essa. E que fomos salvos pela ressurreição de Jesus Cristo. Nada de reencarnação.

Só que, ao mesmo tempo, algo me cativava na ideia de já ter sido alguém importante em outra vida — sim, uma vaidade a esse ponto, vocês devem estar pensando. Então, embora eu rechaçasse, podemos dizer que coagida pela minha religião católica, a reencarnação como uma mera crendice espírita, eu me sentia seduzida a pensar que “não estamos aqui por acaso”.

E Se Fosse Verdade (2005)

Além disso, tinha um filme que eu gostava muito desde adolescente e que, talvez, tenha sido o primeiro que já assisti que envolvesse o assunto da “projeção astral”: “E Se Fosse Verdade” traz a história de Elizabeth (papel de Reese Witherspoon), uma competente médica que, no dia em que iria encontrar um cara que ela viria a amar (David, interpretado pelo Mark Ruffalo), ela sofreu um acidente e ficou em coma. Contudo, o espírito dela desprendeu-se de seu corpo físico e permaneceu no apartamento onde o próprio cara que ela viria a conhecer e amar foi morar. Sendo um espírito, Elizabeth podia se comunicar apenas com David (o que dá pra supor que ele era médium) e, no decorrer do filme, ela vai se recordando da vida que tinha antes de sofrer o acidente.

O ápice do filme é quando a protagonista consegue, finalmente, acordar do coma, mas não reconhece David — alguém que ela conheceu quando estava em “sono profundo”, por causa do coma. Mas o filme termina com a sensação de flashes por parte de Elizabeth, em que ela percebe que houve momentos compartilhados com aquele estranho que dizia já conhecê-la — a cena final, então, é dos dois na cobertura do prédio onde morava Elizabeth e onde David havia montado uma espécie de jardim. Esse jardim remeteu a um sentimento muito especial existente entre os dois, fazendo com que Elizabeth, finalmente, recordasse que já conhecia David de algum lugar e, mais do que isso, que o amava.

E Se Fosse Verdade (2005)

Estou falando desse filme porque ele é um gancho para o seguinte conceito do espiritismo sobre o qual tenho que tratar: o véu reencarnatório.

Imagine se, sabendo que as vidas passadas são uma realidade, você pudesse ter acesso a elas? E, considerando que, se você está aqui na dimensão terrena, é para evoluir em algo que você não aprendeu muito bem na vida passada, ou que ficou pendente, como você se sentiria ao ter PLENA CONSCIÊNCIA de tudo que você já fez e deixou de fazer em outra existência?

Bem, o véu reencarnatório seria um tipo de “véu do esquecimento”, um presente divino. Diz-se ser um presente, pois seria muito difícil lidar com algo em que sabemos ter errado (sempre é). Na verdade, isso poderia nos deixar até em círculos viciosos, que atrapalhariam a evolução, pois, no final de tudo, iríamos nos tendenciar para a autossabotagem ou à lamentação sem fim, achando que “não tem jeito mesmo, vou agir assim, pois assim fui na vida passada” — como naquelas justificativas que algum dão para agirem mal, por causa do signo que têm.

Então, o véu reencarnatório é o que nos faz “esquecer” do que passamos em vidas passadas, supondo que elas existem. Contudo, ficamos que nem Elizabeth nesse filme, com a sensação de flashes ou de que estamos a falar com uma pessoa que, na verdade, já conhecíamos antes. A verdade é que a nossa mente pode ser alterada, sim, por causa do véu reencarnatório, mas o SENTIR, algo bem mais profundo em relação à nossa alma, permite que tenhamos acesso, se estamos abertos a essa ideia, a coisas e momentos que já nos pertenceram em outras vidas.

O que alguns chamam de dom natural, outros vêem como “presente de outras vidas”. Pense em uma habilidade que surge em algum ser humano bem precoce, como uma criança que consegue tocar algum instrumento musical muito bem ou os superdotados. Tudo isso, para o espiritismo, tem a razão, muitas das vezes, de que aquele indivíduo adquiriu muito bem determinada habilidade em outra vida e, nessa existência, está exercendo de maneira louvável, pois seria inexplicável de outro modo quando se considera o fator idade.

A minha constatação pessoal (digo pessoal, pois aqui, não pretendo convencer ninguém da existência das reencarnações) veio por meio de um aviso: uma vez, eu estava na Bienal do Rio. Eu diria que 2011 ou 2013. Lá, acabei passando por um stand de uma escritora de esoterismo muito simpática.

Além de ela querer divulgar seu livro, a tal escritora era também astróloga e taróloga. Ela, então, ofereceu-se para fazer uma consulta gratuita pra mim, ao que eu, eterna curiosa, topei fazer.

Não digo que ela tenha acertado em tudo, mas ela passou muito perto em muita coisa. Além disso, apontou sobre situações de vidas passadas minhas que precisavam ser resolvidas nesta. Falou que eu deveria, inclusive, escolher um trabalho que pudesse “salvar pessoas” — chegou a perguntar o que eu achava, inclusive, de medicina. Eu falei que não podia ver sangue na minha frente — e ela fez uma cara de “consigo imaginar por que”.

Eu optei não me adentrar muito no assunto, pois, como uma pessoa ainda deveras reticente que eu era naquela época sobre o assunto da reencarnação, eu não estava nem um pouco a fim de saber de possíveis débitos de outras existências.

Mas aquilo foi, certamente, um aviso. Um aviso de que estou aqui para pagar ou sanar um débito que deixei em outra vida: e por isso eu vim como esse ser cheio de sentimentos, com uma sensibilidade aflorada e que transborda, escrevendo.

É que eu descobri que eu já fui um ser deveras intolerante e autoritário — a maioria das vezes, homem, para a não-surpresa de muitos. Minha missão nessa existência é salvar pessoas. E acredito veementemente que posso salvar as pessoas através da minha arte.

Não à toa, os textos que mais me senti “inspirada espiritualmente” no Medium (irônico esse portal de blogs deter esse nome, hum?) foram os que tratavam de temas das doenças mentais, sobre suicídio e a não-aceitação própria. Acho que consigo conversar bem com quem padece de “enfermidades” de sentido espiritual.

Sim, eu me defino como médium. Isso, desde que pus meu preconceito todo de lado e visitei um centro espírita pela primeira vez ano passado. Se você me perguntar hoje em dia qual é a minha religião, direi em resumo que sou cristã, pois, sim, creio nos dogmas da Igreja Católica, mas a doutrina espírita deu muito sentido para questões minhas próprias, da minha subjetividade mesmo.

Como médium, eu sou um tipo de veículo — estou aqui para trabalhar, sobretudo, pois nasci com um dom que também é um tipo de “sacerdócio” — exige serenidade e paciência consigo mesmo. Como médium, eu me sinto compelida a ajudar pessoas, mesmo em situações que sejam prejudiciais ou não tão benéficas pra mim. Pois estou aqui, sobretudo, para exercer o amor pelo outro.

E, olha, não é fácil amar o ser humano quando você mesma sente flashes dos fantasmas de seus vários passados assim como um veterano de guerra que vê seus fantasmas do Vietnã. A minha tendência natural seria a de não querer amar o ser humano, pois não confio nem um tantinho nele. Isto porque, em outra existência, ou eu não fui um ser confiável ou alguém traiu minha confiança de modo que pode ter me custado algo muito precioso (mesmo a própria vida).

Enfim, são vícios decorrentes de traumas de outras existências, ocasionados por sentimentos que mesmo o véu reencarnatório não consegue apagar. Mesmo assim, fui abençoada com o “dom” da escrita — faço isso desde os 9 anos de idade. E é com a escrita que pretendo cumprir o meu propósito reencarnatório, já que constatei que essas coisas, sim, elas existem.

“Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam” (Clarice Lispector)

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