A teoria revolucionária

Ou a importância da teoria

Alguns supõem que o leninismo é a primazia da prática sobre a teoria, no sentido de que nele o essencial consiste na transformação em atos das teses marxistas, na “aplicação” destas teses, e que, no que se relaciona à teoria, o leninismo, segundo eles, é bastante descuidado. É sabido que Plekhanov mais de uma vez escarneceu do “descuido” de Lênin pela teoria e especialmente pela filosofia. Também é sabido que muitos leninistas, ocupados hoje no trabalho prático, não são muito dados à teoria, por efeito, sobretudo, do enorme trabalho prático que as circunstâncias os obrigam a realizar. Devo declarar que esta opinião, mais do que estranha, a respeito de Lênin e do leninismo é inteiramente falsa e não corresponde de modo algum à realidade, que a tendência dos militantes ocupados no trabalho prático para não fazer caso da teoria contradiz por completo o espírito do leninismo e está cheia de graves perigos para a nossa causa.

A teoria é a experiência do movimento operário de todos os países, considerada sob o aspecto geral. Naturalmente, a teoria deixa de ter objeto quando não se vincula à prática revolucionária, exatamente do mesmo modo que a prática se torna cega se não se ilumina o caminho com a teoria revolucionária. Mas a teoria pode converter-se em formidável força do movimento operário se é elaborada em união indissolúvel com a prática revolucionária, porque ela, e somente ela, pode dar ao movimento segurança, capacidade de orientação e compreensão dos laços íntimos dos acontecimentos que se verificam em torno de nós, porque ela, e somente ela, pode ajudar à prática a compreender, não só como e em que direção se movem as classes no momento presente, mas também como e em que direção deverão mover-se no futuro próximo. E foi precisamente Lênin quem disse e repetiu dezenas de vezes a conhecida tese de que:

“Sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário”. (Vide vol. IV, pág. 380).

Mais do que ninguém Lênin compreendia a grande importância da teoria, especialmente para um partido como o nosso, em virtude do papel que lhe toca de combatente de vanguarda do proletariado internacional, em virtude da complexa situação interna e externa que o rodeia. Prevendo este papel especial do nosso Partido, em 1902, já então Lênin considerava necessário recordar que:

“Só um partido guiado por uma teoria de vanguarda pode desempenhar o papel de combatente de vanguarda” . (Vide vol. IV, pág. 380).

Não é preciso demonstrar que hoje, quando a predição de Lênin sobre o papel do nosso Partido já se converteu em realidade, esta tese de Lênin adquire uma força e uma importância especiais.

Talvez a prova mais clara da grande importância que Lênin atribuía à teoria seja o fato de que foi o próprio Lênin quem assumiu a tarefa extremamente importante de generalizar, segundo a filosofia materialista, todas as conquistas de maior importância feitas pela ciência no período de Engels a Lênin, e de criticar a fundo as correntes antimaterialistas entre os marxistas. Dizia Engels que:

“o materialismo deve assumir uma nova forma à cada grande descoberta”

É sabido que foi precisamente Lênin quem, no seu notável livro “Materialismo e empiriocriticismo”, cumpriu esta tarefa. É sabido que Plekhanov, tão inclinado a escarnecer do “descuido” de Lênin pela filosofia, não teve sequer ânimo de abordar seriamente a realização dessa tarefa.

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