Subestime a inteligência das pessoas

A comunicação é responsável por boa parte dos problemas das relações interpessoais. A maioria das brigas nos relacionamentos são por causa de erros no entendimento, que normalmente acontecem porque a mensagem que uma parte passou não foi tão eficaz quanto deveria, e assim causou confusão na outra parte. E por isso vem o desentendimento.

É normal isso acontecer, porque nós não fomos treinados nas escolas para sermos bons comunicadores. Veja as grandes marcas, por exemplo. A maneira como a mensagem de seu produto chega aos seus clientes é um dos fatores mais estudados e trabalhados. Se essa mensagem não é bem comunicada, de nada adianta ter um belíssimo produto! Se os clientes não compreenderem, isso pode levar a fracasso nas vendas, mau uso do produto, entre outros.

Mas o que devemos fazer para melhorar a comunicação? Simples — “subestime” a inteligência das pessoas. Não é que as pessoas sejam desprovidas de inteligência; é porque vivemos inundados de informações a todo tempo. Na nossa sociedade moderna, somos bombardeados com notificações incessantemente, devido ao novo modo de comunicar. Com os smartphones, a todo instante, recebemos e-mails, mensagem de Facebook, WhatsApp, ligações, mensagens de texto dentre outros. Apesar da mente humana ter uma grande possibilidade de se adaptar, a carga de informação ainda assim é excessiva para que possamos lidar da melhor maneira possível.

Uma pesquisa recente encomendada pela Microsoft revelou que o nosso tempo de concentração diminuiu de 12 segundos no ano 2000 para 8 segundos em 2013. Sabe por quê? A revolução da tecnologia mobile, ao mesmo tempo que é maravilhosa, também traz algumas consequências. Somos bombardeados com oferta de informação e entretenimento a todo instante, e os conteúdos têm de se adaptar para prender o leitor/espectador o mais rápido possível, antes que diminua o fator interesse.

Tendo isso em mente, imagine ter de comunicar um assunto sério neste contexto para uma pessoa extremamente dispersa? Haja cautela! Senão, teremos muitos desentendimentos.

Então… o que é subestimar a inteligência das pessoas? Vamos aos exemplos?

Imaginemos um cenário de um líder de uma equipe de vendedores passando uma mensagem de texto, sobre alteração de preço.

Primeiro Exemplo:
— Atenção, equipe! Amanhã, haverá alterações nos preços, não passem pedidos dos clientes.

Uma comunicação desse tipo abre espaço para vários entendimentos, como: 
 1)Falta de consideração com a equipe;
 2) Não passa um ar de parceria e sim de pressão;
 3) Dúvidas sobre o motivo da alteração.

Resumindo, a mensagem é vazia. Eu poderia enumerar muitos outros exemplos para ilustrar como essa mensagem é ineficaz, mas ao invés disso…

Que tal a gente conferir um exemplo de uma comunicação mais assertiva?

Pessoal! Por motivos de alta do dólar, vamos ter que fazer uma pequena alteração no preço. Peço-lhes que não passem os pedidos dos seus clientes até a saída da tabela definitiva que vocês receberão, no máximo, até amanhã.
Qualquer dúvida estarei à disposição.

 
Olha como a situação muda!

Primeiro, estamos usando o porquê, quando comunicamos usando o porquê a pessoa que recebe se sente mais segura, por causa do contexto e a justificativa do motivo. Apenas depois de justificar, inserimos a ação que ele deseja de sua equipe (aguardar a tabela definitiva de preços). Finalmente, demos uma estimativa de prazo, assim, evitando excesso de ansiedade dos colaboradores.

Percebe quão detalhada foi essa comunicação? O ato de “subestimar” a inteligência das pessoas é nada mais que ser o mais detalhado possível, quase como somos com uma criança quando vamos instruí-la.

Procure melhorar sua comunicação, tentando ao máximo ser assertivo, eficaz, claro e explicativo. Assim, você evitará uma boa porção de stress no seu dia a dia, limitando também a chateação de pessoas de seu trabalho ou de sua família. Lembre-se que a sociedade evoluiu muito quando a comunicação interpessoal surgiu, e agora para continuar evoluindo precisamos tomar o maior cuidado com a maneira como estamos nos comunicando.

Esqueça essa conversa de “para bom entendedor, meia palavra basta”. Para um bom comunicador, uma abordagem cuidadosa ajuda e muito a eliminar ruído na comunicação, evitando assim problemas futuros.


Sobre Érito Neto:
Um apaixonado por experiência do usuário, que tem como filosofia de vida facilitar a vida das pessoas. CEO e Fundador da Olaria, empresa especializada em produtos digitais. Gestor e Idealizador da Unidade Digital, uma plataforma de gestão para líderes de venda direta.

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Instagram: instagram.com/eritoneto (Sempre posto recortes interessante dos livros que leio)

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