Energia em movimento: o Tai Chi Chuan na UNILA

É um tanto diferente pensar que em uma universidade como a UNILA, com seu foco na América-Latina, exista uma ação que trabalhe uma arte antiga e tradicional da China, o Tai Chi Chuan. Mas isto só reforça como a missão da universidade é rica em sua diversidade, ressaltando a complexidade cultural que temos aqui em nosso continente.

Além disso podemos pensar localmente na cidade de Foz do Iguaçu e toda sua multiculturalidade, onde em último levantamento divulgado confirma-se que há cerca de 81 etnias morando na cidade. Então neste cenário não é tão difícil imaginar atividades de diferentes partes do mundo ocorrendo por todos os cantos da cidade não? Dos restaurantes de comidas árabe, dos malabaristas viajantes de todos os cantos desta América-latina ao transito de turistas de todas as partes do mundo. Foz é realmente uma cidade única que só fortalece o potencial da universidade.

E é neste contexto de integração cultural que o Tai Chi na Unila se desenvolve, com um professor que dá aulas no Brasil, de uma arte marcial da China, que aprendeu em uma escola na Argentina.

O Tai Chi Chuan, na China, é considerado uma arte marcial interna, pois tem seu foco na canalização da força interior, ou o “chi”, como forma de aprimoramento do indivíduo. Esta arte é considerada um ótimo sistema de prevenção de doenças, uma forma de meditação em movimento e o caminho para o domínio das energias interiores.

A origem do Tai Chi é controversa, remontando ao monge taoísta Chan San Feng, no séc. XIII.

Conta-se que um dia, meditando, escutou os gritos de um pássaro. Querendo saber o que acontecia, observou uma luta entre uma garça e uma serpente, em que esta última conseguia se defender com movimentos circulares que a tornavam inatingível. A observação deste combate teria levado o mestre a criação do tai chi chuan. (FAULLIOT, 1982, p. 62–63).

O Tai Chi Chuan se estabelece a partir de seus 4 aspectos: terapêuticos, meditativos, energéticos e marciais.

O aspecto terapêutico é relacionado ao princípio chinês de “economia de energia”, que nos ensina a realizar os movimentos de forma relaxada e sem esforço. Esta dinâmica única do Tai Chi estimula uma melhora do fluxo sanguíneo, evitando lesões pelos movimentos lentos e sem impactos, aprimorando o controle motor por meio do aprimoramento da perfeição técnica dos movimentos.

O aspecto meditativo é vinculado a prática da arte marcial como uma forma de meditação, aproveitando da capacidade de possibilitar ao praticante um momento em que sua única preocupação deva ser com a respiração e o movimento. O Tai Chi Chuan privilegia a meditação em movimento, controlando a respiração, a postura física, a tranquilidade e a paz interior.

Já o aspecto energético tem vínculo com a circulação de energia no corpo durante a realização dos movimentos alinhado com as técnicas respiratórias.

A compreensão maior que devemos ter na prática do Tai Chi Chuan é que o corpo é permeável e que, por tanto, a energia entra e sai continuamente.

O aspecto marcial está preservado no princípio fundamental de toda arte marcial tradicional, preservação da vida e do cuidado com a saúde do oponente. É neste fundamento que o Tai Chi se estabelece, como forma de resolução de conflitos, promovendo o equilíbrio em uma situação que antes estava desbalanceada.


O Tai Chi na UNILA é ensinado pelo Prof. Marcelo Villena, aprendiz do Estilo Tradicional Yang na Escola Ma Tsun Kuen, de Mar del Plata/AR — https://www.taichimardelplata.com/.

As aulas ocorrem todas as quartas-feiras, às 17 horas, no Ginásio do Campus Jardim Universitário da UNILA.

Se quiser conhecer um dos movimentos completos do Tai Chi Chuan ensinados nas aulas basta assistir o vídeo abaixo:

Referências:

MALVASSI, Gabriel G. Tai Chi Chuan Escuela Ma Tsun Kuen Mar del Plata.

Disponível em: http://www.taichimardelplata.com

FAULLIOT, Pascual. El blanco invisible. Barcelona: Theorema, 1982.

MOLON, Eduardo. Qigong (chi kung). Disponível em: http://taijiquan.pro.br/estilo-chen/qigong/

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