Tricampeonato sul-africano contra revanche inglesa

Inglaterra e África do Sul se enfrentam amanhã, 2, em Yokohama, pela final da Copa do Mundo de Rugby.

Tais Viviane
Nov 2 · 4 min read
A cobiçada taça Webb Ellis (Foto: Dan Mullan/Getty Images)

Líder do grupo C e depois de ter eliminado a bicampeã Austrália por 40–16 nas quartas de final e a tricampeã Nova Zelândia (19–7) na semifinal, é inevitável que a Inglaterra chegue como favorita para o último jogo da competição, mesmo que do outro lado esteja uma equipe forte, tradicional e duas vezes campeã do mundo como é a África do Sul.

Seleção inglesa busca o bicampeonato. (Foto: Getty Images)

Os Springboks terminaram na segunda colocação do grupo A, atrás da Nova Zelândia, e passaram por Japão (28–3), nas quartas, e derrotaram País de Gales (19–16) em uma semifinal muito difícil.

Porém, se o caminho sul-africano até a final não foi o mais vistoso, os 100% de aproveitamento em disputa de finais, campeões em 1995 e 2007, mostram que a tradição vencedora na competição está ao lado deles. Para os ingleses a história é diferente, eles contam com apenas 33,3% de aproveitamento em finais, tendo disputado três, 1991, 2003 e 2007, mas só se sagraram campeões em uma oportunidade em 2003, sendo até hoje a única equipe do hemisfério norte a conseguir tal feito.

Os sul-africanos podem igualar os All Blacks em número de Copas. (Foto: AAP)

Além disso, para a Inglaterra será também uma chance de revanche, já que essas seleções se enfrentaram na final de 2007, e os Springboks bateram os alvirrubros ingleses por 15 a 6.

A DIVERSIDADE DAS EQUIPES

Seleção sul-africana posa para foto antes da final. (Foto: Steve Haag/Gallo Images)

Em 1995, Chester Williams foi o único jogador negro da seleção sul-africana. Hoje, aproximadamente um terço da seleção sul-africana é composta por jogadores negros ou de outras etnias. Embora os números estejam longe de representar a verdadeira demografia do país, o avanço na representatividade dos Boks é positivo e a mudança mais significativa se chama Siya Kolisi.

Siya Kolisi no centro da imagem. (Foto: Gianluigi Guercia/AFP/Getty Images)

Nascido no município de Zwide, na costa leste da África do Sul, Siya Kolisi superou uma infância de pobreza extrema, a fome e a morte precoce da mãe, que faleceu quando ele tinha 15 anos, para se tornar o primeiro capitão negro da história da seleção de rugby sul-africana. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, antes do início da copa do mundo, Siya Kolisi falou sobre suas motivações e a importância da representatividade.

“Não me esquivo de onde vim e sei que minha história é uma história típica da África do Sul de certa forma. É a minha motivação “, diz Kolisi. “Sim, ser esportista profissional pode ser difícil e, ocasionalmente, você questiona se vale a pena. Mas depois penso sobre de onde vim e sobre as pessoas que me admiram. Para poder ajudar as pessoas que se inspiram em mim, tenho que jogar toda semana. Esse é o meu dever.”

“Eu digo aos meus companheiros de equipe que você nunca deve jogar apenas para representar um grupo. Você não pode jogar para ser o melhor jogador negro ou o melhor jogador branco, só para atrair uma comunidade; Você tem que jogar para ser o melhor para todos os sul-africanos. Representamos algo muito maior do que podemos imaginar.”

Algo muito similar também pode ser percebido no time inglês. Ainda visto por muitos na Inglaterra como o esporte da classe média branca, a convocatória da seleção inglesa trouxe mais de um terço do plantel de jogadores descendentes ou imigrantes de países como Samoa, Austrália, Jamaica, Nigéria, Granada, Guiana e outros.

Treino da seleção inglesa antes da final. (Foto: Tom Jenkins/The Guardian)

Ugo Monye, ex-jogador da seleção inglesa, que hoje escreve para o The Guardian, expressou seu orgulho quando a convocação inglesa saiu.

“…a emoção dominante que sinto no momento é o orgulho. Estou incrivelmente orgulhoso de que esses 31 jogadores representem nosso país como a seleção da Inglaterra mais diversificada já selecionada.”

“É um verdadeiro reflexo da sociedade moderna e o que mais me agrada é como ela surgiu naturalmente. Não houve nenhum sinal de “caridade” ou algo assim, são os melhores 31 jogadores e foram escolhidos por mérito.”

O PALCO DA FINAL

O Yokohama Stadium têm capacidade para 72,327 pessoas. (Foto: Martin Bureau/AFP/Getty Images)

A grande final acontecerá no Yokohama Stadium, que já foi palco de um evento importante. Em 2002, Brasil e Alemanha decidiram a Copa do Mundo de Futebol nesse estádio. Como isso ele se juntará ao Stade de France como os únicos estádios a terem recebido tanto a final da Copa do Mundo de Rugby como da Copa do Mundo de Futebol.

O Jogo

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