Brabant, o coração europeu das Smart Solutions

Cezar Cavalcanti
Aug 29, 2017 · 6 min read

Entrevista com Geert Lenders, Secretário-geral de BrabantC

Essa entrevista faz parte do Projeto NAVE em parceria com a BORDA, uma série de ações conectando inovação entre Brasil e Holanda.

BrabantC é um fundo de investimento focado em cultura e Indústrias Criativas holandesas e uma das principais instituições apoiadoras da Dutch Design Week 2017. A região de Brabant é conhecida como o coração europeu de smart solutions e tem como capital Eindhoven, base do maior evento de design da Europa do Norte. Conheça mais em www.brabantc.nl.

Foto: site BrabantC.nl

Portuguese version

Como você definiria o design Holandês, ou quais seriam suas principais características?

Lenders: ‘Para mim, estamos falando de algo lúdico, divertido. Um fator que também pode acabar prejudicando a utilização do produto. O design holandês é líder quando se trata de realizar pesquisas e encontrar novas maneiras de fazer as coisas. É bastante amplo, tanto em termos de material quanto de aparência.

Qual o papel da região de Brabant nas Indústrias Criativas holandesas, e como ela se relaciona com outras áreas da Holanda?

Lenders: ‘Acredito que Brabant seja o ponto focal no mundo holandês do design. É claro que muito está acontecendo no país, também no circuito Randstad*, mas por causa da Academia de Design de Eindhoven e da quantidade razoável de empresas de “spin off” em torno dela, acho justo dizer que Brabant é o lugar onde a concentração de empresas criativas é muito alta, e onde se originam muitas ideias e desenvolvimentos**.’

Como, na sua opinião, as empresas estrangeiras percebem as Indústrias Criativas neerlandesas? Que tipo de estereótipos — se há algum — existem e o que as empresas locais podem fazer para superar essas imagens?

Lenders: ‘Bem, o que me surpreendeu sobre uma aplicação recente que tivemos no BrabantC, é o fato de que o aspecto conceitual do design está “lá fora” — conforme a primeira pergunta –, enquanto, ao mesmo tempo, a utilidade do produto permanece um pouco “insuficiente”. Penso que, em geral, a mentalidade das empresas criativas neerlandesas de pesquisa é impressionante, mas também tem como consequência a frequente dificuldade para encontrar um grande mercado para seus produtos. A inovação está lá, sem dúvida, e uma grande quantidade de coisas emocionantes acontecem e estão sendo concebidas e inventadas. Este é o seu ponto forte, mas eles não são tão bons em apresentar seu produto ao mercado e ganhar dinheiro com ele.’

Então, o que você está dizendo é que muitas ideias livres são consideradas na fase inicial, mas que a realização delas é algo completamente diferente?

Lenders: ‘Não, essas ideias percorrem um longo caminho. Muitas coisas são criadas, refinadas e se tornam um produto final. Mas a imagem que persiste é a de que as inovações, invenções e criatividade são mais facilmente validadas por empresas estrangeiras do que na região onde elas são originadas — neste caso Brabant.

Você diria que isso é algo que as empresas estrangeiras estão cientes e que capitalizam ou antecipam?

Lenders: ‘Não sei, mas minha impressão é que alianças muito fortes poderiam ser criadas entre as empresas criativas estrangeiras e as de Brabant, porque o conteúdo criado aqui é de altíssimo nível. Esse conteúdo é algo que as demais empresas precisam para desenvolver negócios de sucesso. Acredito que todos podem ganhar muito com essa combinação e aprender uns com os outros.’

Notas da tradução:

* Compreende as cidades de Amsterdam, Rotterdam, Haia, Utrecht — as maiores da Holanda — e áreas do entorno.

  • * Definição para uma nova empresa que nasceu a partir de um grupo de pesquisa de uma empresa, universidade ou centro de pesquisa público ou privado, normalmente com o objetivo de explorar um novo produto ou serviço de alta tecnologia. Normalmente se estabelecem em incubadores ou áreas de concentração de empresas de alta tecnologia.

Projeto Nave, uma iniciativa nossa junto com a BORDA (plataforma de conhecimento com foco nas Indústrias Criativas) e apoio do Consulado Holandês no Recife.

Empresas do Recife farão uma imersão de 06 dias na Holanda, durante a Dutch Design Week, a maior feira de design e inovação do norte da Europa, onde temas como Cidades Inteligentes, Big Data, Futuro da Comida, Inovação para Saúde, Tecnologias vestíveis, Agricultura, Serviços Públicos, Estudos de Materiais estão no centro do debate.

Convidamos você a acompanhar nossa jornada e participar dos eventos que vão acontecer em recife. O primeiro deles é Holanda Conecta : Construindo cidades para pessoas , um Happy-Hour onde estaremos presentes conversando sobre o nosso projeto. (inscrições gratuitas através do link https://goo.gl/mgSH9a)

Infos sobre a jornada (cezar@orbelab.com)


English version

Could you define Dutch design, or what you think are the main characteristics of Dutch design?

Lenders: ‘For me, Dutch design stands for a certain playfulness; a playfulness, one could say, that can go so far that it starts undermining the usefulness of the product. Dutch design is leading when it comes to conducting research, and in finding new ways to do things. It is very broad, both in terms of material and appearance.

What is the role of Brabant in the Dutch creative industries, and how does it relate to the other provinces of the Netherlands?

Lenders: ‘It is my understanding that Brabant is the focal point within the Dutch world of design. Of course, a lot is happening in the country, also in the Randstad, but because of the Design Academy Eindhoven and the fair amount of ‘spinoff’ companies around it, I think it is fair to say that Brabant is the place where the concentration of creative companies is very high, and where a lot of ideas and developments originate from.

Do you know how foreign creative companies look upon the Dutch creative industry, what kind of stereotypes — if any — exist, and what Dutch creative companies can do to overcome those stereotypes?

Lenders: ‘Well, what surprised me about a recent application we had at BrabantC, is the fact that the conceptual aspect of design is out there (see the answer to the first question), while at the same time, the usefulness of the product remains somewhat on the insufficient side. I think that in general, the research mentality of Dutch creative companies is striking, but it also comes with the consequence that it often proves to be difficult to find a big market for the products they deliver. The innovation is there, no doubt, and a huge amount of exciting things happen and are being conceived and invented. This is their strong point, but they aren’t as good in bringing their product to the market and earn money with it.

So, what you are saying is that a lot of wild ideas are conceived in the initiation phase, but the realization of those ideas is something else entirely?

Lenders: ‘No, those wild ideas come a long way. A lot of things happen, get refined and become a final product. But the image that persists is that the innovations, inventions and creativity, are validated more easily by foreign companies than in the region — in this case Brabant — they originate from.

Would you say that this is something foreign creative companies are aware of and which they capitalize on or anticipate to?

Lenders: ‘I don’t know, but what I do think, is that foreign creative companies could create a very strong alliance with the creative companies in Brabant, because the content created in Brabant is of such a high level. This content is what other companies need, of course, to run a successful business, and I believe that is what foreign companies, or companies outside of Brabant, are better at. And I think that within that combination, both foreign and Dutch companies could mean a lot to each other.

A entrevista foi conduzida por Jay Plaat, um dos colaboradores do projeto NAVE baseado na Holanda. Formado em Estudos Culturais, Jay é Mestre cum laude em Indústrias Criativas pela Radboud University Nijmegen e aficionado por artes e cultura. É especializado em filmes e escreve atualmente para a revista holandesa 8Weekly. Thanks, Jay!

Orbe

Ideias e Experiências de um Laboratório de Inovação

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Cezar Cavalcanti

Written by

Service Designer and Entrepreneur, Head of Orbe

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Ideias e Experiências de um Laboratório de Inovação

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