Avatares 3D: O futuro do selfie e da realidade virtual

Lidia Zuin
Sep 2, 2017 · 4 min read

Na semana passada, a Sony anunciou que novos modelos de seus smartphones acompanhariam um aplicativo específico para a criação de modelos em 3D detalhados de praticamente qualquer objeto capturado pela lente da câmera do celular. A novidade foi compartilhada durante a apresentação da marca no IFA, evento focado em eletrônicos e sediado em Berlim.

Demonstração da tecnologia para as próximas gerações de smartphones da Sony

Isso significa que uma nova geração de smartphones será capaz de criar avatares de forma simples, oferecendo a possibilidade de usuários digitalizarem seus rostos e inseri-los em simulações digitais, possivelmente também em realidade virtual. Essa é a premissa do Virtually Dating, projeto que reúne desconhecidos em um encontro às cega após terem seus corpos scanneados para a configuração de um avatar 3D a ser usado em ambientes digitais imersivos.

Em 2016, Mark Zuckerberg mostrou um interesse semelhante quando demonstrou as novas possibilidades do headset Oculus para videoconferências em realidade virtual e aumentada, desta vez com o uso de avatares digitais. Apesar de os personagens terem sido criados à imagem dos usuários, eles ainda assim portam um aspecto de desenho e não exatamente realista, o que pode nos levar à conexão com o enredo do filme O Congresso Futurista (2013), protagonizado por Robin Wright.

Demonstração do Oculus Connect feita por Mark Zuckerberg em 2016

Isso demonstra, ainda, que existe uma parcela da população que não está necessariamente interessada em avatares hiperrealistas e com qualidade fotográfica, mas sim figuras animadas ou até mesmo abstratas, sem necessariamente possuir um corpo humano ou algo próximo disso. Atentando-se a isso, a Microsoft lançou uma nova série de avatares para o Xbox, além de terem um design melhorado, também apresentam novas opções de customização com cadeira de rodas e membros prostéticos, por exemplo, de modo que os jogadores possam se sentir mais representados.

Essa conexão com a representação de si mesmo em forma de personagens animados é especialmente próxima aos fãs da cultura pop japonesa, por exemplo. Para além dos shows holográficos, com uma audiência na casa dos milhares, personagens animados são considerados parte do dia a dia de fãs de animações e quadrinhos japoneses.

Vídeo conceitual da Gatebox, assistente digital holográfica

Aproveitando essa brecha no mercado e pegando carona com a crescente onda de assistentes digitais e chatbots, a startup Viclu Inc lançou um vídeo conceitual do Gatebox, uma caixa que inclui uma assistente digital holográfica com design semelhante às personagens Vocaloid. Espera-se que o produto esteja disponível ao fim deste ano, sendo que a pré-venda já está liberada aos americanos e japoneses.

Diferentemente da abstrata representação visual que a Apple criou para Siri, a Microsoft acabou estabelecendo uma a conexão entre sua própria assistente digital, Cortana, e a personagem da série de videogames Halo, desenvolvida pelo estúdio 343 Industries, subsidiário da Microsoft. Isto porque, apesar de a assistente não oferecer um rosto para os usuários em sua interface, aqueles que conhecem Halo irão inevitavelmente fazer uma associação com a personagem que serviu de inspiração. Em outras palavras, o fato de a empresa de Bill Gates ter dado um corpo imagético, mesmo que indiretamente, à sua assistente digital prova que essa ponte não se estabelece apenas na Ásia, mas também encontra vazão no Ocidente.

Representação gráfica da assistente digital Cortana e a personagem do jogo Halo

Por outro lado, também na semana passada, o coletivo PretaLab, uma das iniciativas do Olabi Makerspace, anunciou seu mais novo projeto: Beta, um chatbot baseado no Messenger do Facebook e com a missão de disseminar o feminismo. A ideia é manter as pessoas informadas sobre o que está sendo debatido nas redes e nas ruas sobre a luta feminista no Brasil, assim como dar alertas e notificações quando algum assunto ganhar mais destaque ou quando for necessário organizar uma mobilização. Com isso, o chatbot Beta vem com a missão de ajudar homens e mulheres a participar ativamente na luta pelos direitos das mulheres no Brasil e, desse modo, também impedindo retrocessos.

Apesar de existirem poucas imagens que deem um rosto a Beta, é o retrato de uma mulher negra que estampa as redes sociais e o site oficial do projeto. Por enquanto, Beta é um texto interativo em uma conversa no Messenger, mas e se, um dia, ela puder ser um avatar animado a transitar pelos ambientes simulados em realidade virtual?

Beta, o chatbot feminista criado pela PretaLab

Quando essa nova camada da internet para encontros e conferências imersivas se tornar presente e acessível, será natural encontrar avatares comandados não por uma outra pessoa por trás do headset, mas por robôs, inteligências artificiais que ganharão autonomia e que, com sorte, não serão desvirtuadas como foi o experimento da Microsoft com seu bot no Twitter. Com sorte, teremos Betas povoando as novas salas de bate papo imersivas junto a Hatsune Mikus e outros seres sintéticos que ainda estamos para conhecer.

UP Future Sight

Periódico sobre comunicação, futurismo e impacto positivo.

Lidia Zuin

Written by

Brazilian journalist, MA in Semiotics and PhD candidate in Visual Arts. Head of innovation and futurism at UP Lab. Cyberpunk enthusiast and researcher.

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