BAD DESIGN: conheça o cartão que ferrou com todo mundo no Miss Universo 2015

Miss Universo 2015.

Aquele, da Miss errada.

(sim, old news, mas o post não é sobre Miss, é sobre design. “Bad Design”. Continua lendo vai)

Mas será que a culpa foi mesmo do apresentador?

Você deve estar lembrado. O apresentador Steve Harvey anunciou a Miss Colombia como vencedora, que foi coroada com pompa e circunstância. E, minutos depois, opa, peralá, cometemos um pequeno engano e… na verdade senhoras e senhores, a nova Miss Universo é a Miss Filipinas. My bad.

O que acontecedeu na sequência foi simplesmente o momento mais bizarro na história do concurso, uma constragedora, interminável e inédita transferência de coroa, faixa e sorriso… de uma Miss para outra.

Literalmente, a errata mais linda e glamurosa do mundo, ao vivo e em cores.

Juro que queria ter o audio que dos fones e pontos eletrônicos do pessoal da organização durante esses poucos minutos de reinado da Miss Colombia.

“Oh shit! No, no, no!!”

“Wrong girl! Wrong girl! Wrong girl”

“Fix it NOW! NOW! NOOOOW”

“Not the crown! not the Crown! Stop it! Not the crown!!! Shit! Get the crown! Go get the crown!!!”

Mas a culpa não pode ser inteiramente atribuída a Steve Harvey, se é que ele teve alguma. A culpa foi do cara que fez o cartão do resultado.

PORQUE O ERRO FOI DE DESIGN

Dia 20 de dezembro de 2015. Steve Harvey recebe, finalmente, o cartão com os resultados do Miss Universo 2015. É o grande momento do evento, acompanhado por milhares de pessoas alí no auditório e milhões de outras, pela TV. Tudo ao vivo. A platéia sentada na pontinha dos assentos, as candidatas ansiosas pelo resultado, os organizadores do evento com foco total e os patrocinadores confiantes na audiência. Adrenalina rolando solta em todo mundo.

Harvey dá uma olhada rápida no cartão, para que só ele veja o resultado e possa fazer o tradicional suspense do anúncio da vencedora.

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“Senhoras e Senhores, tenho o prazer de apresentar à vocês a Miss Universo de 2015: MISS COLOOOOOMBIA!”

O resto é história.

O fato é que a informação correta está alí, no canto inferior direito: “Philippines”.

Provavelmente onde estava boa parte do dedão do Steve, que segurava o microfone com a mão esquerda.

É tanto erro que não sei nem por onde começar.

A informação que interessa, é simplemente a mais escondida. Seguindo nosso fluxo natural de leitura, da esquerda para direita e de baixo para cima, é a última posição. Posição de estacionamento do polegar, clássico. “Philippines” em letrinhas miúdas e logo abaixo do “MISS UNIVERSE 2015” vira assinatura do evento. A segunda e terceira colocadas, são designadas como “1st e 2nd” Runner-ups (uma confusa e arcaica denominação em inglês para “a primeira e segunda sub-campeãs”).

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Steve deu uma olha, viu “1st”, viu Colombia e… fez a bobagem que a maioria dos mortais fariam se estivessem nessa situação. Claro que ele devia ter lido e relido com calma uma informação tão crucial. Não dá para dizer que não teve culpa nenhuma. Mas o principal culpado, a pessoa que fez esse cartão, provavelmente estava bem longe do palco nessa hora. Talvez tenha sido até demitida, mas ainda assim é um preço incomparavelmente menor do que o pago por Steve Harvey e pelas Misses envolvidas.

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“você é bonitinha, mas ela é mais. Daqui essa coroa.”
O cartão deveria ser todo centralizado, com o nome do país vencedor em letras garrafais, seguido por um “2nd e 3rd places” abaixo. O layout mais óbvio possível. Aquele que você rabiscaria até com uma caneta, se fosse o caso.

Como pode acontecer algo tão bizarro em um evento desse porte? Como um cartão desses pula de mão e mão entre o pessoal do evento e ninguém fala “pô, tá confuso isso hein?” Como o apresentador recebe um cartão desses pela primeira vez assim no palco, já valendo, sem ensaio?

Um pequeno detalhe, tão insignificante que ninguém deu bola, acabou transformando o Miss Universo 2015 para sempre.

Boa história para guardar e usar em reunião.