Geinoh Yamashirogumi — O coletivo por trás da trilha sonora de AKIRA

A música eletrônica cresceu nos anos 80, sintetizadores, MIDI e todo tipo de aparato eletrônico ditavam muito da música de vanguarda da época. As possibilidades pareciam infinitas.

Isto é, se sua música seguisse as afinações e bases ocidentais.

Insatisfeitos com as limitações sonoras da música eletrônica, cuja programação básica tornava impossível a reprodução de músicas tradicionais de diversas regiões da Ásia, um coletivo gigantesco surgiu no Japão, o Geinoh Yamashirogumi.

Formado por músicos, artistas, jornalistas, engenheiros, matemáticos, professores e todo tipo de gente interessada em música e em eletrônica, sua atividade principal era a engenharia reversa dos moduladores, sintetizadores e sequenciadores MIDI para então programá-los de formas diferentes.

O grupo então misturava influências da música folclórica japonesa com todas essas tecnologias modificadas, que resulta em uma mistura New Age muito interessante.

(quem é fã de Akira vai se arrepiar com essa daqui)

O grupo lançou 3 discos nos anos 80, todos com referências à ecologia, à Teoria de Gaia e alertando para os problemas que a tecnologia e a expansão desenfreada da utilização de recursos do Planeta poderiam acarretar.

Essa aproximação ideológica com Katsuhiro Otomo, criador de Akira, levou o diretor a entrar em contato com o grupo para produzir a trilha sonora.

(essa será a trilha sonora do Juízo Final, tenho plena convicção)

Quem assina a trilha dessa obra-prima da animação é Shoji Yamashiro, pseudônimo do criador do grupo, Tsutomu Ōhashi.

O Japão da década de 1980, com seu choque cultural e vanguarda insanamente crítica e criativa, parece nunca ter perdido a influência na nossa cultura (ta aí o filme de Ghost in the Shell pra sair) e muita coisa desse momento pode e deve ser revisitada.


Originally published at Update or Die!.