Pequenas empresas, grandes designers

Pretendo que essa seja uma leitura simples, sem muitos termos técnicos e nem muitos “jargões da área”.

Meu foco aqui não é aprofundar o conteúdo de UX para profissionais de grandes equipes ou já renomados na área.

Grandes empresas contam com times multidisciplinares focados em buscar as melhores alternativas para criar uma melhor experiência para produtos, websites, e-commerces e serviços online.

No entanto meu objetivo é comunicar a realidade de outras tantas empresas que tem “um time de um homem só”, designers que são responsáveis pela arquitetura de informação do site, da experiência do usuário e pela interface, alguns até mesmo pela estruturação do código inicial (HTML\CSS).

Só isso já seria um grande problema no que diz respeito a qualidade, mas ainda temos o fato que outras pessoas sem conhecimento de design estão agora influenciando projetos e processos de design.

Este post é uma releitura minha, escrito com base no artigo de Tom Greever para o UXbooth que pode ser lido na integra aqui !

Desde 2015, UX vem sendo o centro das atenções e ao que me parece todo mundo quer “dar sua contribuição” nos projetos como verdadeiros gurus do design, ou seja, interfaces e experiências criadas com base em conceitos e nas melhores práticas são facilmente modificadas por “sugestões” de figuras bem intencionadas que não sabem discernir de forma concisa termos como UX, Usabilidade e interface.

(caso a conversa não esteja sendo entendida até esse ponto aconselho a leitura deste post da usemobile-> Entenda o que é UX e UI e todas as sílabas que os designers usam! )

É nesse ponto que um bom designer se diferencia de um grande designer. 
A capacidade de dialogar e articular sobre soluções e alternativas propostas é tão importante quanto o discernimento de habilidades e processos tal como citei acima.

Pode até parecer que ótimas ideias devem se sobressair, ou que as próprias necessidades do projeto falem por si mesmo, mas não é assim que as coisas acontecem no dia a dia.

As reuniões acabam se mostrando verdadeiras disputas de ego e vaidade. Parece que todos podem ensinar um designer como fazer seu trabalho, diferente de como seria se fossemos neurocirurgiões.

Falta a capacidade de convencer as pessoas, e não estou falando de ilusão ou enganação estou falando de convencer os envolvidos de um projeto de que sua solução é de fato a alternativa mais eficaz de resolver um problema!

Ser forçado a realizar alterações e mudanças que não concorda simplesmente porque perdeu na argumentação é o primeiro passo para infelicidade no trabalho e para o fracasso de um produto!

E o fato é que não precisa ser desta forma.

É possível amenizar e até mesmo evitar esse tipo de situação apenas se utilizando de boa comunicação, principalmente verbal.

Designers precisam ser excelentes comunicadores para explicar de forma assertiva e persuasiva suas decisões de design para as pessoas que têm poder e influência sobre o projeto.

Em seu artigo, Greever levanta pontos que podem atenuar o problema e melhorar sua articulação sobre o design são eles;

  • Saber usar a Inteligência 
    Designers são inteligentes, mas ser articulado possibilita que os envolvidos do projeto percebam que você tem propriedade sobre um determinado assunto, o que cria impressão de que você é confiável.
  • Demonstrar intencionalidade
    Muitas das abordagens dos designers tem relação com intuição e conhecimento de padrões, o que é muito fácil de perceber quando se tem um repertório, no entanto pessoas sem conhecimento prévio precisam de explicações lógicas, principalmente se houver a possibilidade de se basear em dados, você precisa mostrar propósito e foco deixando claro que a sua alternativa não é aleatória nem apenas fruto da sua cabeça!
  • Expresse autoridade
    Não é tirar uma carteira e berrar “EU FIZ FACULDADE DE DESIGN”. Designers sabem o que precisa ser feito e como fazê-lo. 
    Ter uma posição clara e estruturada, comunica aos interessados do projeto que você sabe o que está fazendo.
  • Mostre Respeito
    Valorize a opinião de todos e use isso ao seu favor garantindo que estejam familiarizados com o que vai apresentar. Quando você escuta as pessoas elas tendem a se abrir mais para ouvir você, e é uma oportunidade de entender o repertório de quem está falando para conseguir chegar ainda mais fundo em sua explicação.

Designers precisam tomar consciência de cada decisão que estão tomando e o por quê. Tornando público os fatores que foram levados em conta na tomada de decisão dessa forma é possível explicar os projetos para outras pessoas e garantir que a perspectiva do especialista permaneça no centro do processo de decisão final.

De acordo com greever é necessário ser capaz de responder a estas três perguntas

Que problema minha solução resolve?
Como isso afeta o usuário?
Por que a minha solução é melhor do que outras alternativas?

A resposta a esta terceira pergunta é o ponto crucial para obter o apoio necessário. Apresentando quais são as alternativas que foram consideradas, ou até mesmo foram testadas, torna-se mais fácil explicar por que sua solução é melhor.

Idealmente, é assim que os designers se aproximam de tudo o que criam.

As respostas a estas três perguntas formarão a base de uma resposta articulada.

Desta forma reuniões se tornam mais produtivas, a comunicação com os envolvidos se torna mais assertiva, você mantém sua sanidade e pode oferecer um experiência do usuário fantástica no seu produto!