UX em outra língua, Parte 3 — Os projetos


Já escrevi por aqui sobre a extrema importância da fluência no idiomaao se trabalhar fora do país e sobre algumas diferenças culturais no ambiente de trabalho. Agora é a vez de falar mais sobre os projetos.

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Os tipos de projeto e o envolvimento do UX Designer

Menos peças solitárias e mais ecossistemas. Os clientes normalmente não pedem para a agência “redesenhar seu site”; eles costumam chegar com um problema de negócios um pouco mais amplo e então é papel da agência definir quais as “peças” que vão montar o ecossistema para resolvê-lo. Pode ser um site, mas pode ser também uma iniciativa no ponto-de-venda, ou então uma série de vídeos educativos no YouTube. A resposta vem depois da pergunta.

Parte dessa diferença deve-se ao tamanho das verbas: os clientes estão dispostos a investir alguns milhões de dólares para resolver o problema de negócios em questão, o que permite que o time pense mais holisticamente na solução. Mas ilude-se quem pensa que verbas maiores representam necessariamente mais “fartura de horas” em dado projeto. Além das horas dos profissionais serem mais caras que no Brasil, é tudo extremamente controlado pelo time de produção para que as horas sejam utilizadas de forma inteligente.

Um UX Designer dentro do cliente

Uma diferença notável é o quanto o cliente e a agência já levam em conta a importância em envolver o UX Designer nos estágios iniciais do projeto. Não se gasta tempo convencendo o cliente sobre a importância de UX, mesmo porque na grande maioria das vezes o cliente é, ele mesmo, um profissional de UX.

Quando isso acontece, as vantagens são visíveis logo de cara. O cliente também está preocupado com a experiência do usuário, o que faz com que metade do caminho já esteja percorrido antes mesmo do projeto começar. Aliás, o cliente também já conhece bastante de digital, então gasta-se muito pouco tempo explicando para ele “por que o Pinterest é importante para sua marca” ou “como mobile já é uma realidade entre os consumidores”.

Mas nem tudo são flores: justamente pelo cliente ser um profissional de UX, o nível de cobrança na qualidade do design é muito maior. As reuniões entre o UX Designer da agência e o UX Designer do cliente acabam sendo muito mais longas, já que o cliente quer saber em detalhes como tudo vai funcionar.

Mais de um UX Designer por projeto

Como os times de UX costumam ser maiores (em relação ao total de profissionais na agência), é comum que em alguns projetos possuam 2, 3, até 5 UXers alocados ao mesmo tempo. Além de conseguir distribuir as tarefas com mais facilidade, essa diversidade ajuda bastante na hora dos brainstorms. É comum conseguir juntar três cabeças de UX em uma mesma sala para pensar as mecânicas de um determinado produto ou o ecossistema de uma marca.

Parte do time de Experience Design da agência

Mas nada que seja impossível em times menores. No Brasil, mesmo que os outros UXers não estivessem oficialmente alocados para o mesmo projeto, era comum nos juntarmos por 1 ou 2 horas em uma sala de reunião para brainstormar, e dali em diante o UX lead do projeto seguia adiante.

As ferramentas de UX

Nenhuma diferença nesse ponto. InDesign, Axure, Invision, e algumas vezes protótipos feitos diretamente na linguagem do produto final.

Aliás, no quesito Axure os designers brasileiros são muito mais experientes. São pouquíssimos os UXers por aqui que dominam alguma ferramenta de prototipagem, já que quase sempre há um desenvolvedor a postos para prototipar aquilo que está sendo desenhado. Se você está bucando um emprego fora do país, essa habilidade dos brasileiros pode ser um grande diferencial.

Competitividade

Esse ponto é bem particular de NYC, mas também deve se aplicar a outras grandes cidades no mundo todo: os designers que estão por aqui são muito mais competitivos. No bom sentido.

Primeiro que o nível de exigência é bastante alto em relação ao trabalho dos UX Designers. Vale lembrar que aqui existem vários cursos universitários de Design de Interação, ou Design Centrado no Usuário, ou HCI, ou algo similar — o que faz com que todo ano centenas de novos profissionais qualificadíssimos entrem no mercado de trabalho.

Segundo que o ritmo em que as tecnologias mudam também é bastante acelerado. Se você não se atualiza, rapidamente “fica para trás” dos outros designers. Todos eles dedicam várias horas por semanas aprendendo sobre UX, sobre novas ferramentas, sobre novos métodos e tecnologias. Já é natural por parte deles.

Terceiro que a cidade é um celeiro de designers do mundo todo. As agências e empresas americanas costumam “pescar” profissionais mundo afora e trazer para cá, o que além de garantir uma pluralidade cultural muito rica também eleva bastante a barra de qualidade esperada deles. No geral, uma competitividade saudável, que te força a se manter atualizado, a render mais e a saber vender melhor seu trabalho.

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