#TheDevConf 2017 — Trilha Acessibilidade: Projeto CoCoA — Um Colete de Comunicação Alternativa

Relato da palestra de Talita Pagani e Mauro Pichiliani na Trilha Acessibilidade do The Developer’s Conference São Paulo.

Foto minha (Talita) vestindo o colete demonstrado na palestra e do Mauro, que estava falando sobre a arquitetura do colete. Crédito da foto: The Developer’s Conference

Este post faz parte da série de relatos sobre as palestras da Trilha Acessibilidade do TDC-SP 2017.


A primeira palestra da trilha foi realizada por mim e pelo Mauro Pichiliani sobre um projeto de acessibilidade e computação vestível que nós trabalhamos juntos durante dois meses, chamado CoCoA — Colete de Comunicação Alternativa.

O CoCoA é resultado de um projeto que desenvolvemos para um concurso de internet das coisas do site Embarcados. A ideia partiu depois de eu ter me atentado ao tema de comunicação alternativa durante meu projeto de mestrado de acessibilidade para pessoas com autismo e por ter trabalhado com a fonoaudióloga Grace Ferreira-Donati e ter desenvolvido uma empatia sobre o tema.

O CoCoA é um dispositivo de computação vestível e internet das em formato de colete que permite o acoplamento de símbolos táteis de comunicação alternativa para auxiliar pessoas com deficiência de fala ou não verbais. Os símbolos táteis são almofadas removíveis que contém diferentes ações ou necessidades como “estou com fome”, “preciso de ajuda”, “estou com sono”. Ao pressionar a almofada, o colete acende o LED no colete sobre a ação escolhida, vocaliza a ação e ainda envia para um dispositivo de mensagem para um responsável.

Esses múltiplos feedbacks são úteis para que o colete seja inclusivo a pessoas com deficiência visual (feedback sonoro), deficiência auditiva (feedback visual) e deficiência cognitiva ou motora (feedback tátil). Além disso, a pessoa que usa o colete não precisa estar no mesmo ambiente de seus cuidadores, pois o colete pode enviar notificações a aplicativos de mensagem, como o Telegram e isto pode facilitar a atenção dos pais e cuidadores.

Almofadas com os símbolos de comunicação alternativa: estou com sede, estou com dor, preciso de ajuda, estou com fome, estou com sono e quero ir ao banheiro. Cada almofada tem o mesmo símbolo virado de cabeça para baixo para que a pessoa que está usando o colete, ao abaixar a cabeça, possa ver a imagem e ler o rótulo.

Outros diferenciais do projeto é a ergonomia para pessoas com deficiência física ou motora: a pessoa não precisa segurar o dispositivo, é feito com tecido leve (TNT), as almofadas com os símbolos são preenchidas com algodão e não exigem movimentos finos para serem acionados. Essa ergonomia também significa baixo risco de acidente comparado a outros dispositivos eletrônicos e tablets e, por ser um colete, não exige que o usuário tenha conhecimento em computadores para usá-lo.

Foi realizada uma demonstração ao vivo do colete, onde eu estava vestindo-o e demonstramos as ações realizadas. Em um vídeo de demonstração do colete, pode ser conferido como ele funciona. Alguns participantes nos deram o feedback de que o colete pode ser utilizado também em outros contextos, como hospitais, e que também pode ser útil não apenas a pessoas com deficiência de fala.

O projeto foi um grande aprendizado com relação a experiência do usuário e acessibilidade para computação vestível e internet das coisas.

Slides da palestra Projeto CoCoA: Um Colete de Comunicação Alternativa.


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